55 anos de MHL: Quanta história cabe em um museu?

Ilustração colorida comemorativa dos 55 anos do Museu Histórico de Londrina. Em primeiro plano, dois casais conversam sorridentes. Ao fundo, um grupo de pessoas celebra com os braços erguidos. À esquerda, aparece uma locomotiva antiga, e à direita, o prédio histórico do museu com telhado alaranjado. No alto, em destaque, a inscrição “55 anos”. A cena transmite alegria, memória e celebração.
Memória, pesquisa e cultura compõem o Museu Histórico de Londrina, que tem o maior acervo do Paraná

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Você já parou para pensar o que torna uma cidade viva? Talvez, sejam as histórias que resistem ao tempo. No coração de Londrina, um prédio de tijolos que já recebeu trens e passageiros continua a acolher memórias, sentimentos e descobertas. Hoje, a antiga estação ferroviária, inaugurada em 1950, abriga o Museu Histórico de Londrina (MHL), um espaço que vai muito além de guardar objetos antigos: conecta passado, presente e futuro.

  • Fachada ampla do Museu Histórico de Londrina sob céu azul. O prédio de estilo europeu, com telhado vermelho e paredes claras, aparece ladeado por árvores altas e jardins verdes em primeiro plano. A construção imponente se estende ao fundo, destacando janelas e arcos simétricos.
  • Vista lateral do Museu Histórico de Londrina. O edifício de telhas vermelhas e janelas arqueadas aparece ao fundo, cercado por árvores, incluindo palmeiras e uma com flores rosadas. O chão de tijolos e a iluminação pública completam o espaço, que transmite sensação de praça aberta.
  • Fachada do Museu Histórico de Londrina em um dia ensolarado. O prédio, de estilo arquitetônico europeu, tem paredes claras, detalhes em pedra e telhado inclinado de telhas vermelhas. Em frente, há um gramado verde e algumas árvores, compondo um cenário iluminado pelo céu azul.

Ao atravessar as portas, o visitante encontra não apenas vitrines, mas narrativas inteiras. Cada sala, objeto ou fotografia revela fragmentos de uma cidade construída por diferentes povos, culturas e sonhos. O museu é um convite a compreender Londrina não como um ponto fixo no mapa, mas como uma história em constante movimento.

Fundado em 1970, por iniciativas dos professores e estudantes do curso de história, o Museu Histórico de Londrina completou, em 18 de setembro de 2025, 55 anos de história. Desde então, tornou-se referência no Paraná pela riqueza de seu acervo e pela capacidade de transformar lembranças individuais em memória coletiva.

Num primeiro momento, o acervo foi instalado nos porões do Colégio Hugo Simas, um espaço pequeno para toda a memória que ali era preservada. Anos mais tarde, em 1974, o MHL passou a ser Órgão Suplementar da Universidade Estadual de Londrina (UEL).

  • Fachada do Colégio Hugo Simas na década de 80. O prédio tem arquitetura simples, com linhas retas, grandes janelas de vidro e portão de ferro ao centro. Acima da entrada está escrito “Grupo Escolar Hugo Simas”.
  • Exposição no porão do Colégio Hugo Simas com prateleiras repletas de peças artesanais. Há bonecos, cerâmicas, vasos, cuias, objetos de madeira e cabaças decoradas. Ao fundo, um tecido com bordados de palmeiras e elementos tropicais. Nome do arquivo da foto - 3. Exposição_porão Hugo Simas72
  • Espaço expositivo no porão do Colégio Hugo Simas. Uma mesa exibe instrumentos e equipamentos antigos, entre eles balanças, roldanas e peças metálicas. À frente, há uma cadeira simples, compondo um ambiente de laboratório improvisado.
  • Mostra de cerâmicas no porão do Colégio Hugo Simas. Sobre o chão de tacos de madeira, estão expostos vasos, jarros, pratos e figuras de barro em diferentes formas e tamanhos. Ao fundo, um grande pote de cerâmica em suporte metálico.

Foi apenas em 1986, 16 anos após sua fundação, que o acervo ganhou um espaço adequado, sendo removido para o prédio da antiga Estação Ferroviária de Londrina. “Não tinha lugar mais importante, mais belo e significativo para receber o Museu Histórico, que antes estava no porão do Colégio Hugo Simas”, afirma Edméia Ribeiro, diretora da instituição.

Localizado no centro da cidade, o espaço preserva a arquitetura de uma época em que os trilhos e locomotivas ditavam o ritmo do progresso.“Veja, já tem 75 anos. Na década de 50, era aqui que as pessoas se encontravam, chegavam, partiam. Esse prédio carrega muitas histórias”, lembra a diretora Edméia Ribeiro.

  • Imagem em preto e branco da antiga Estação Ferroviária de Londrina. O prédio tem arquitetura de influência europeia, com telhados inclinados e fachada de pedra. Na rua em frente, aparece um carro antigo.
  • Primeira estação ferroviária de Londrina, inaugurada em 1935. Estrutura simples, com telhado de duas águas e a palavra “Londrina” escrita em destaque. Trilhos e rampas aparecem em frente ao prédio.
  • Registro da inauguração da Estação Ferroviária de Londrina. Grande multidão se reúne diante do prédio com telhados inclinados e detalhes em pedra, vestindo roupas típicas da época.
  • Vista panorâmica da estação ferroviária de Londrina nos anos 1950. Vê-se a linha do trem, vagões de carga e trabalhadores no pátio, além de casas e construções da cidade ao fundo.
  • Foto em preto e branco da estação ferroviária de Londrina. Em primeiro plano, os trilhos seguem até a cidade. À esquerda, o prédio da estação; à direita, um vagão de carga estacionado.
  • Imagem da antiga estação ferroviária de Londrina, hoje Museu Histórico. O prédio em estilo europeu, de tijolos e pedra, tem amplas janelas e telhado inclinado. Carros antigos estão estacionados na rua em frente.

Com pouco mais de cinco décadas de existência, a instituição se consolida como um dos museus mais visitados do estado. “É o espaço sacrossanto da salvaguarda das memórias de Londrina”, define Edméia. Para ela, a missão do museu vai além da preservação: é garantir que a história da cidade continue viva, acessível e reinterpretada por cada nova geração.

A memória da cidade, afinal, não se preserva sozinha. Ela é construída por quem dedica a vida a cuidar do acervo, pesquisar e compartilhar histórias. Algumas delas merecem ser vistas e ouvidas, não apenas lidas. Pensando nisso, o C² produziu um vídeo especial para que você conheça a trajetória do Museu Histórico de Londrina a partir de quem o preserva, o pesquisa e o mantém vivo. Dê o play!

O prédio que guarda memórias

A estação ferroviária, construída em 1945 e inaugurada em 1950, é hoje um dos cartões-postais da cidade. Sua imponência impressiona quem passa pela região central e remete à época em que Londrina recebia migrantes de todas as partes do Brasil em busca de novas oportunidades. O edifício, que já foi ponto de chegada e partida de tantos sonhos, agora acolhe um fluxo diferente: o das histórias que permanecem.

Dentro dele, o acervo se divide em três grandes tipologias: objetos tridimensionais, documentos e registros audiovisuais. São mais de 1,3 milhão de itens documentais, cerca de 10 mil objetos e coleções fotográficas que retratam desde partidas de futebol até colheitas de café, passando pelo cotidiano de famílias pioneiras. Neste diálogo entre o ordinário e o extraordinário, o museu mostra sua força ao revelar a cidade em detalhes.

Amauri Ramos da Silva, servidor do museu desde 1987, lembra o quanto sua visão mudou ao entrar ali. “Eu pensava que museu era lugar de coisa velha, sem utilidade. Mas, quando passei a trabalhar aqui, percebi que era completamente diferente. Você trabalha com memórias de pessoas, com sentimentos, com sonhos. Trabalha com acervos que representam médicos, lavradores, donas de casa, professores, tudo. O museu guarda todas essas experiências.”

  • Grupo de visitantes observa uma demonstração dentro do Museu Histórico de Londrina. Amauri, funcionário mais antigo do museu, veste camisa azul xadrez e mostra um equipamento antigo de madeira usado no beneficiamento do café. Algumas pessoas fotografam e outras acompanham atentamente.
  • Turma de visitantes participa de atividade ao ar livre no Museu Histórico de Londrina. Amauri, de camisa azul xadrez, conduz a explicação em frente ao prédio histórico de arquitetura europeia. O grupo ouve atentamente, e no primeiro plano aparecem ramos verdes de café.

Povos indígenas em destaque

Entre tantas memórias, os povos indígenas conquistaram espaço definitivo nas narrativas do museu. Em 2019, a exposição passou a valorizar esse acervo, composto por cerca de mil peças que vão de cerâmicas a objetos de uso cotidiano. Essa presença, antes invisibilizada, recoloca os indígenas como parte fundamental da história de Londrina e da região.

  • Sala de exposição do Museu Histórico de Londrina dedicada aos povos indígenas. Painéis nas paredes apresentam textos e mapas explicativos, enquanto uma vitrine de vidro exibe peças arqueológicas, como potes e utensílios de cerâmica. O chão de ladrilhos tem desenhos geométricos em círculos.
  • Corredor da exposição sobre povos indígenas no Museu Histórico de Londrina. À direita, vitrine de vidro com peças de cerâmica; à esquerda, painéis com informações e imagens históricas. Ao fundo, vê-se outra sala expositiva com objetos e iluminação direcionada.

Para Amauri, cada peça é muito mais do que patrimônio material. “Quando um visitante vem e vê uma peça, muitas vezes, ele se emociona. Diz: ‘eu trabalhei com esse equipamento’, ou ‘eu tinha isso na minha lavoura’. Este reconhecimento faz o museu ser vivo, não um depósito de coisas velhas. A gente trabalha com memórias que conectam passado, presente e futuro.”

Entre a academia e a cidade

Mais do que preservar, o museu produz conhecimento. Desde a sua criação, está ligado à universidade, funcionando como um laboratório vivo para pesquisadores e estudantes. Esse caráter acadêmico transforma o espaço em extensão da sala de aula, e assim aproxima a ciência à comunidade.

A professora e pesquisadora Maria Luísa Hoffmann, da Universidade Estadual de Londrina, é um exemplo desse elo. O acervo do MHL se fez presente em cada passo da sua trajetória acadêmica, da graduação ao doutorado. Em seu doutorado, a pesquisadora estudou o papel da fotografia na recuperação e preservação da memória de Londrina, e para isso recorreu não somente às fotografias, mas também aos depoimentos orais do acervo. “Para entender quem eram as pessoas das imagens, eu ouvi histórias e identifiquei lugares. É um acervo muito completo.”, conta Hoffmann.

Atualmente, a professora coordena e desenvolve o projeto de pesquisa e extensão “Ontem e Hoje: A Evolução da Paisagem de Londrina Através da Fotografia (1950-2020)”. O objetivo do projeto é mostrar as transformações da cidade ao longo das décadas, para isso, utiliza como fonte a fotodocumentação feita por Oswaldo Leite, fotógrafo da prefeitura da cidade que registrou Londrina entre as décadas de 1950 e 1980.

  • Retrato em preto e branco de Oswaldo Leite, fotógrafo da Prefeitura de Londrina. Ele aparece sentado, já idoso, com cabelos curtos e óculos de grau. Usa um casaco com zíper e listras verticais. Seu olhar está voltado para o lado esquerdo da foto.
  • Fotografia em preto e branco de Oswaldo Leite em ação. Ele está em pé sobre uma estrutura de concreto, segurando sua câmera fotográfica e registrando uma cena. Ao fundo, vê-se parte de um prédio moderno e o céu com muitas nuvens.

A pesquisa se desenvolveu a partir da reprodução que os alunos participantes do projeto fizeram das fotografias feitas por Leite. Para a realização do trabalho, os alunos se organizaram em conjunto e fizeram uma pré-seleção das imagens produzidas pelo fotógrafo que estão disponíveis no acervo do MHL. Posteriormente, os estudantes foram divididos em grupos, cada equipe ficou encarregada de reproduzir as imagens selecionadas, se atentando ao ângulo e local exato em que as fotos originais foram produzidas.

A coordenadora reforça a importância do acervo estar disponível on-line, aspecto que possibilitou e facilitou o desenvolvimento de seu projeto. “Hoje existe um sistema unificado de museus do Paraná, mas ainda precisa melhorar. Nem sempre a busca traz todos os resultados. Ainda assim, só de estar online já é um grande avanço para futuros pesquisadores.”

Com a intenção de que a comunidade possa ter acesso ao trabalho produzido, a equipe do projeto de fotografia optou por criar um site. Para isso, se uniram com os alunos do curso de Ciências da Computação da UEL, que sob orientação do professor Fábio Sakuray, coordenador do curso, desenvolveram o site que irá armazenar as fotografias reproduzidas, assim como textos e ilustrações.

A expectativa é que o site esteja completo até dezembro, mesmo período em que a equipe do projeto irá expor o resultado do trabalho. O mês escolhido para exibir o material é simbólico, isso porque no dia 10 de dezembro Londrina completa 91 anos.

Para conhecer um pouco mais do projeto desenvolvido pela docente, acesse o Podcast Conexão Museu Histórico de Londrina.

Educação e identidade

Essa vocação educativa é também uma das maiores forças do Museu Histórico. Todos os anos, escolas da região levam seus alunos para conhecer o espaço. Crianças têm a chance de ver de perto objetos, fotografias e locomotivas que antes só conheciam por livros ou telas. Essa experiência, sensorial e afetiva, ajuda a construir identidade.

  • Vemos uma locomotiva a vapor estacionada sobre os trilhos, ao lado do prédio da antiga estação ferroviária. A máquina está pintada em preto, prata e vermelho, com a cabine destacada em vermelho vivo. Na lateral do vagão logo atrás, está o número 840 em amarelo. O piso é de pedras, e ao fundo aparece parte da parede da estação, com janelas retangulares e telhado de telhas vermelhas.
  • A fotografia mostra a mesma locomotiva nº 840, mas agora em um ângulo mais amplo. Ela aparece em frente ao prédio da estação ferroviária de Londrina, de arquitetura imponente, com grandes janelas enfileiradas e telhado de várias águas em telhas vermelhas. O contraste da locomotiva preta e vermelha com a fachada clara da estação cria uma cena marcante.
  • No interior do museu, está montada uma recriação de um ambiente ferroviário antigo. Em destaque, uma mesa de madeira com telefone, documentos e equipamentos de trabalho usados na estação. Ao lado, um banco de madeira e, no chão, objetos como lanternas ferroviárias e um equipamento de sinalização. No fundo, uma grande fotografia em preto e branco de uma antiga estação, além de um recorte em tamanho real de um funcionário ferroviário. Uma placa no chão pede: "NÃO ENTRE NO CENÁRIO".
  • A cena mostra uma parte da exposição dedicada à diversificação rural. À esquerda, há um grande painel com fotos em preto e branco de plantações e colheitas variadas. À direita, vitrines de vidro expõem diferentes objetos: bonecas e brinquedos antigos, ferramentas, utensílios domésticos e instrumentos usados por moradores da região. O espaço é bem iluminado, com piso de ladrilhos em tons de marrom e laranja, característico do museu.
  • Sala de exposição do museu com vitrines de vidro contendo objetos históricos. Em destaque, mesa antiga com telefone preto, máquina de escrever, cinzeiro e outros itens de escritório. Ao fundo, painel de fotos, móveis, vitrine com vestimenta religiosa e diferentes artefatos em exibição.
  • Vitrine com brinquedos antigos, incluindo bonecas, dois bonecos masculinos, coelho de pelúcia, Pinóquio e outros brinquedos coloridos. Há também uma fotografia em preto e branco de crianças brincando em roda, reforçando o tema “Brinquedos e Brincadeiras”.
  • Exposição de utensílios domésticos antigos em vitrine de vidro. Na parte frontal, garfos, faca e colher. Ao centro, lamparinas, funil, tesoura e ferramentas metálicas. Mais ao fundo, outros objetos de uso cotidiano, como caixas, tecidos e instrumentos manuais.
  • Reprodução de uma cozinha rústica em casa de madeira. O espaço mostra mesa com pratos e copos, prateleiras com potes de barro e utensílios pendurados nas paredes. O ambiente remete ao cotidiano simples de famílias pioneiras, incluindo até figuras de cães no chão.
  • Mostra uma antiga prensa tipográfica de ferro, acompanhada por um armário de gavetas usado para guardar tipos móveis. Ao lado, pilhas de jornais antigos estão organizadas no chão e sobre uma mesa acoplada à prensa. A cena está posicionada diante de uma ampla janela de vidro que permite ver a área externa com gramado e árvores. Essa exposição remete ao processo histórico de impressão e produção de jornais.
  • Uma sala elegante e histórica, com destaque para um piano de cauda preto ao centro, sobre um tapete decorativo. O espaço possui cadeiras de madeira encostadas na parede, quadros com molduras douradas nas paredes e um grande relógio de pé no canto. Um lustre de estilo clássico ilumina a sala, transmitindo a atmosfera de uma antiga sala de música de residência tradicional.
  • Um ambiente de sala de jantar antiga, com uma longa mesa de madeira envernizada e várias cadeiras estofadas em tecido floral. Ao fundo, há um armário expositivo com louças e peças de cristal. Quadros decoram a parede, assim como um relógio de parede duplo. A cena remete a um espaço residencial de famílias tradicionais, bem preservado e decorado.
  • Uma exposição dedicada à história do café. Em primeiro plano, sacas de estopa cheias estão empilhadas ao lado de bancos e mesas de madeira. Sobre uma mesa redonda estão objetos utilizados na medição e prova do café, como balanças, funis metálicos e recipientes. As paredes são decoradas com grandes fotografias históricas em preto e branco, mostrando navios, armazéns e trabalhadores no porto, além de painéis de imagens menores documentando a cadeia do café. O espaço recria o ambiente de um armazém de café.

Edméia Ribeiro reforça esse papel formador. “Museus ajudam a formar identidade. A internet sozinha não substitui esse contato.”

A professora Maria Luísa Hoffmann complementa. “Para projetar e pensar o futuro, a gente tem que entender o passado. É isso que gera pertencimento. Quando você entende a história da sua cidade, aprende a valorizar e a preservar o patrimônio.”

Os desafios da sobrevivência

Manter viva essa estrutura, no entanto, não é tarefa simples. Nos últimos dez anos, o museu não recebeu novas contratações de técnicos. O quadro de funcionários, que já chegou a 23, hoje conta com apenas 7 e Amauri é o único técnico em atuação. 

“Quem vai tocar isso no futuro? Essa é a grande preocupação. Mais de dez anos sem novas contratações. A gente continua fazendo o mesmo trabalho, mas sobrecarregado com várias funções ao mesmo tempo”, relata o funcionário.

Apesar das dificuldades, há conquistas recentes a celebrar. A reconstrução da infraestrutura elétrica garante não apenas mais segurança, mas também melhores condições para preservar o acervo. O projeto prevê climatização adequada e capacidade elétrica ampliada, preparando o museu para receber eventos, exposições temporárias e novos públicos. “Essa entrega é um presente para Londrina e para a universidade”, afirma Edméia.

Um museu vivo

O Museu Histórico de Londrina não se limita a ser um guardião de objetos, é um espaço de vida. Para Amauri, que viu sua trajetória pessoal se entrelaçar com a do museu, foi lá que construiu família e até inspirou o filho, que hoje também trabalha na instituição. “Quando entrei, era solteiro. Um ano depois me casei, depois vieram os filhos, e voltei a estudar. O museu me transformou como pessoa e como profissional. É como uma família.”

Edméia também reconhece a complexidade de dirigir a instituição: “Quando assumi, em 2019, confesso que senti medo. Me perguntei como suceder diretoras tão brilhantes. Mas percebi que vir para cá foi um grande presente para minha vida profissional. Aqui encontrei não só o acadêmico, mas também o contato direto com a sociedade. O museu é extensão por excelência, é onde a universidade se encontra com a cidade.”

  • Edméia, diretora do Museu Histórico de Londrina, está sentada em uma cadeira de madeira entalhada, sorridente, usando óculos e um suéter preto e branco com padrão geométrico. Ao fundo, uma parede clara com diploma emoldurado.
  • Edméia, diretora do Museu Histórico de Londrina, discursa ao microfone em um púlpito durante a solenidade de 55 anos do museu. Ela veste vestido claro e colar, enquanto o público assiste. Ao fundo, um telão de projeção e um grande quadro histórico.

Essa relação afetiva se repete com cada visitante que encontra no museu um pedaço de sua própria história. Ao percorrer seus corredores, não se olha apenas para o passado, olha-se para o presente e projeta-se o futuro. Afinal, quantas memórias podem caber em uma cidade? E quantas cidades podem caber dentro de um museu?

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Texto:
Sabrina Heck e Yumi Aoki
Supervisão de Texto: Ana Paula Machado Velho
Arte: Beatriz Sayuri
Supervisão de arte: Lucas Higashi
Edição Digital: Guilherme Nascimento

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