Foi ainda criança que Silvana decidiu que gostaria de ser professora, quando se encantou por sua primeira professora da escola, Olívia. A admiração, ainda na infância, fez com que escolhesse trilhar sua jornada na docência
À época, fez magistério em uma escola pública da cidade de Guarapuava e, alguns anos depois, graduou-se em Pedagogia, pela Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro). Atualmente, já conta 35 anos de carreira como professora do ensino fundamental I, dos quais boa parte atuou como alfabetizadora.

“O processo de alfabetização é diário, constante, encantador e fantástico. É mostrar o mundo através das letras e sons e que através deles podem conhecer e ler esse mundo à sua volta”, conta Silvana.
A professora comenta que um momento especial da carreira foi quando foi homenageada na prefeitura da cidade como alfabetizadora destaque. E, parte dessa trajetória começou, anos antes, nos bancos da universidade.
Alfabetização: o cenário brasileiro
Em junho de 2023, o Ministério da Educação (MEC) lançou o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada (CNCA), que tem como objetivo garantir o direito à alfabetização de crianças brasileiras até o 2º ano do ensino fundamental, além de focar na recuperação da aprendizagem das crianças do 3º, 4º e 5º ano, afetadas pela pandemia da COVID-19.
O Compromisso funciona em um regime de colaboração entre a União, os estados e os municípios e conta com metas e avaliações conduzidas para entender o cenário brasileiro.
Segundo os dados do Indicador Criança Alfabetizada, índice obtido como parte do CNCA e divulgado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), em 2024, 58,2% das crianças das redes públicas de ensino do país foram alfabetizadas na idade certa.
O número aumentou 3,2% em relação à medição de 2023, ficando um pouco abaixo da meta estabelecida, que era de 60%. Até o final de 2025, o esperado é que o Brasil atinja 64%.

No dia 8 de setembro, é celebrado o Dia Mundial da Alfabetização, uma data estabelecida, em 1967, pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), que tem diferentes objetivos: chamar a atenção para a importância da educação como direito humano fundamental, mobilizar políticas governamentais de combate ao analfabetismo e instigar o debate sobre o tema.
No Brasil, falar em alfabetização traz ainda questões relevantes: desigualdades regionais em um país de dimensões continentais, distorções entre idade-série, alfabetização de jovens e adultos e a formação de professores alfabetizadores.
A alfabetização de uma criança e o alcance das metas estabelecidas em nível nacional não começa pelas crianças sentadas em cadeiras escolares, mas por eles: os professores alfabetizadores nos bancos das universidades.
PIBID de Alfabetização
Criado e coordenado pela Capes, o Pibid é o Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência que constitui-se como uma ação de política de formação inicial de professores. A finalidade do projeto é propiciar aos discentes das licenciaturas uma aproximação com o cotidiano das escolas públicas de educação básica.
O Pibid de Alfabetização, iniciado no final de 2024, é um subprojeto do curso de Pedagogia atrelado ao Pibid institucional da Unicentro. No projeto, participam dois cursos de Pedagogia, de Irati e Prudentópolis, coordenados pelas professoras Angela Maria Corso e Marisa Schneckenberg, e de Guarapuava, realizado em Chopinzinho e coordenado pelo professor Marcos Gehrke.

“Entendemos o Pibid de Alfabetização como uma possibilidade de aproximação entre a universidade e a escola, na qual ambas assumem e compartilham a responsabilidade pela formação de futuros professores alfabetizadores”, explica a coordenadora do Programa de Alfabetização de Irati, Angela Corso.
O projeto atualmente é composto por 48 acadêmicos bolsistas do curso de Pedagogia, 32 de Irati e 16 de Prudentópolis, 6 professoras supervisoras das escolas públicas municipais, e 2 coordenadoras do curso de Pedagogia. A atuação acontece em 6 escolas municipais de educação, 2 de Prudentópolis e 4 de Irati.

A coordenadora explica que o projeto tem como objetivo a inserção dos acadêmicos nas turmas de alfabetização das escolas públicas, mediante ações pedagógicas e formativas voltadas ao processo de alfabetização e letramento.
Para isso, os alunos acompanham e auxiliam os professores e as crianças no processo de alfabetização, elaboram material didático e realizam atividades. Além disso, os bolsistas participam de reuniões de planejamento e avaliação, encontros formativos (de leitura e discussão no campo da alfabetização), elaboram relatórios e socializam as práticas nos eventos acadêmicos da universidade.
“Reconhecemos o potencial do Pibid para a formação dos nossos alunos, pelo vínculo estabelecido com a escola, pelas possibilidades dos licenciandos em realizar a relação teoria-prática na prática educativa e do processo de alfabetização das crianças”, explica Angela.
A coordenadora ainda pontua que o projeto colabora para a permanência dos acadêmicos no curso, fator que é favorecido pela concessão de bolsas e pelo interesse dos alunos nas atividades. Dessa maneira, os alunos se formam novos docentes com mais autonomia e habilidade de trabalhar no coletivo, além de estreitar a relação universidade-escola.
Entendendo a alfabetização e letramento
Quando falamos sobre alfabetização precisamos, necessariamente, falar sobre outra coisa: o letramento. Alfabetizar e letrar são processos que precisam andar lado a lado.
“A diferença fundamental é que alfabetizar, por si só, não garante a inserção social plena; é preciso letrar, ou seja, inserir os sujeitos em práticas sociais de leitura e escrita”, explica Andréa de Paula Pires.

Justamente por se tratar de um tema tão fundamental, nasceu o livro ‘Alfabetização e Letramento: políticas, teorias e práticas’, organizado por Andréa de Paula Pires e Marta Rosani Taras Vaz, ambas docentes do curso de Pedagogia da Unicentro, em Irati.
A construção do livro foi coletiva e nasceu de discussões, oficinas e minicursos desenvolvidos durante a XIV Semana de Estudos do Curso de Pedagogia da Unicentro, nos campi de Irati e Prudentópolis.
De acordo com Andréa, o material reúne reflexões acadêmicas e práticas pedagógicas, sistematizadas em textos que dialogam com a pesquisa científica e com a realidade das escolas, sendo dividido em três partes. A publicação trata sobre teorias e práticas no campo da alfabetização e letramento, políticas educacionais, a formação docente e a escola inclusiva.
A professora ainda explica que o livro reflete sobre práticas pedagógicas vinculadas diretamente às escolas, o que valoriza a extensão universitária, com programas como o PIBID de Alfabetização. Andréa complementa: “o livro enfatiza que formar professores alfabetizadores exige sensibilidade, criticidade e compromisso social”.
A obra impacta significativamente não só a comunidade acadêmica e a produção científica, mas as escolas, já que oferece subsídios teóricos e metodológicos que podem inspirar práticas no dia a dia escolar. “Defendendo uma alfabetização plural e comprometida com a realidade social dos alunos”, afirma a organizadora da publicação.
Alfabetizar e letrar para emancipar
Um dia, Silvana sonhou em ser professora e se dedicar à docência durante décadas da sua vida, uma história que precisou começar com sua formação enquanto professora. A universidade é um dos espaços responsáveis por essa formação.
Uma vez fortalecidas, a extensão universitária e a pesquisa científica contribuem profundamente para questões sociais que fazem parte do cotidiano da população, como é o caso da temática da alfabetização e do letramento.
Programas como o Pibid de Alfabetização são responsáveis por formar docentes mais capacitados e atentos à realidade escolar, em contato direto com os professores do ensino básico e às necessidades dos estudantes.
A pesquisa científica, por sua vez, reúne análises, diálogos e propostas acerca de temáticas que são inadiáveis, como é a alfabetização e o letramento da população, fortalecendo a busca por alternativas possíveis e melhores.
Andréa, professora organizadora do livro, conclui que “alfabetizar e letrar são atos políticos, sociais e culturais que exigem compromisso ético e crítico”, e que, portanto, funcionam como instrumentos de emancipação para construir uma educação pública de qualidade e socialmente referenciada.
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Texto: Camila Lozeckyi
Revisão de texto: Ana Paula Machado Velho
Arte: Camila Lozeckyi
Supervisão de arte: Lucas Higashi
Edição Digital: Guilherme Nascimento
A pesquisa que mencionamos contribui para os seguintes ODS:

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