Quando entrei na universidade, pensei que não precisaria mais lidar com grandes dilemas como foi a escolha de um curso de graduação. Hoje, no terceiro ano de Comunicação e Multimeios, na Universidade Estadual de Maringá (UEM), comecei a escutar questionamentos que me remetem ao velho “o que você quer ser quando crescer?”. Agora me perguntam o que pretendo fazer no meu trabalho de conclusão de curso, o temido TCC.
E… eu não sei!
Dá para imaginar quantas possibilidades um curso que tem MULTImeios no nome oferece? Alguns veteranos haviam analisado as mais diversas obras dos autores que estão (ou estiveram) espalhados pelos quatro cantos desse mundão. Outros produziram suas próprias obras, como livros, revistas, curtas… E eu, perdido em tantas alternativas, senti que precisava ficar inteirado do que eu podia e do que eu precisava fazer. Foi aí que conversei com uns amigos de diferentes cursos da universidade e cheguei à conclusão de que toda a instituição era “multi”.
Artigos, monografias, produtos, projetos… Afinal, o que pode ser considerado um Trabalho de Conclusão de Curso?
Esse meu inquietamente, pelo menos, me deu a oportunidade de conversar com a professora Bethielle Amaral Kupstaitis, que foi coordenadora de TCC de Artes Visuais, da UEM, e recentemente passou para coordenação do curso em si.

Nosso papo começou com ela falando sobre as duas modalidades de TCC aceitas na graduação, sendo elas: o TCC em arte e o TCC sobre arte.
Como é o TCC em Artes Visuais?
A sutil diferença entre esses modelos é que a pesquisa sobre arte envolve a dimensão da formação pedagógica, já que o curso se insere na modalidade de licenciatura, ou seja, voltado à formação de professores. Essa primeira forma de desenvolver o trabalho final se direciona mais ao pensamento crítico, à teoria da arte e às abordagens teóricas relacionadas à educação.
Já o TCC em arte consiste em uma pesquisa que pode resultar em um produto que vai além do texto escrito, incluindo também a criação de um objeto. Segundo a professora, esse objeto pode envolver “linguagens artísticas, como desenho, pintura, gravura, vídeo, escultura, entre outras”. Dessa forma, esse tipo de trabalho pode proporcionar ao aluno, posteriormente, a possibilidade de seguir carreira como artista, realizando, por exemplo, exposições. Assim, “a pesquisa em arte pressupõe investigar as linguagens artísticas, na prática, e desenvolver um trabalho prático conjuntamente à escrita do TCC”, afirma Bethielle.
Ambos os tipos de trabalho de conclusão de curso aceitos em artes visuais têm como obrigatoriedade ter uma parte escrita, sendo ela chamada de monografia. Você pode se perguntar “mas, o que é uma monografia? Quais são os tipos de TCC aceitos nas instituições de ensino superior? Todos os cursos exigem trabalhos finais?”
Procurei a resposta para todas essas perguntas, e vou te explicar com a ajuda de algumas professoras da Universidade.
Tipos mais comuns de TCC
Parecido com Artes Visuais, o curso de Comunicação e Multimeios oferece múltiplas possibilidades para a realização do trabalho final. A já citada monografia, é um trabalho acadêmico escrito que aprofunda um único tema por meio de pesquisa e análise, sem limite fixo de páginas. Também temos a opção do produto comunicacional (audiovisual, livro, revista, entre outros), que deve ser acompanhado de um memorial, o qual descreve todo o processo de desenvolvimento, bem como as referências teóricas e práticas utilizadas.
No entanto, nem todos os cursos de graduação possuem TCCs que fogem do modelo da monografia. Isso porque cabe a cada curso decidir a melhor forma de o aluno apresentar o trabalho final, como, por exemplo: artigo, projeto (ex.: maquete), regência1, relatório ou material final, apresentações artísticas, entre outros. Há também graduações que não exigem a realização de TCC.
Para saber se o seu curso possui ou não a obrigatoriedade de realizar um trabalho final, é importante consultar o currículo e o projeto pedagógico da graduação em questão, que normalmente estão disponíveis no site da instituição de ensino, na aba referente ao curso.
No infográfico abaixo, você encontra uma sugestão de caminho para a realização do TCC. Vale lembrar que cada estudante pode construir seu próprio processo; este passo a passo apresenta apenas uma das alternativas possíveis.

Para a professora Bethielle, o que não pode faltar em um bom trabalho de conclusão de curso é “o comprometimento e o aprofundamento das pesquisas nas áreas de escolha do estudante”. Segundo ela, muitas vezes, esse é “o único contato que o aluno tem com o trabalho científico de forma efetiva” ao longo da graduação.
O TCC também pode abrir caminhos profissionais e acadêmicos após a conclusão do curso, pois, como explica a professora, “a escolha do tema de pesquisa já sinaliza os interesses e a possível atuação do estudante no mercado de trabalho”.
Nesse sentido, Bethielle destaca que estudantes que se dedicam a temas ligados à formação pedagógica e à licenciatura tendem a ter “uma inserção mais rápida como docentes”. Já aqueles que direcionam suas pesquisas para os processos de criação acabam encontrando no TCC uma oportunidade para “produzir trabalhos autorais e dar início a uma carreira como artista visual”.
Para a professora, a liberdade na escolha do objeto de pesquisa faz com que o TCC funcione como “um indicativo das áreas de afinidade do estudante”, ajudando a orientar os caminhos profissionais e acadêmicos no futuro. Ela ainda me deu uma super dica, para quando eu iniciar o trabalho final: “é fundamental conseguir se entender dentro da área escolhida e ter clareza sobre os seus interesses de pesquisa”. Segundo Bethielle, “essa clareza ajuda a saber quem é o professor que vai orientar e a criar caminhos para que essa orientação aconteça, porque não é uma relação vertical”.
Depois de ter entendido o papel que o trabalho de conclusão de curso tem na formação acadêmica e profissional com a professora Bethielle, me encontrei com a coordenadora de TCC de Arquitetura e Urbanismo da UEM, a professora Layane Nunes.

Como é o TCC em Arquitetura e Urbanismo?
No Departamento de Arquitetura e Urbanismo (DAU/UEM), a professora Layane falou que, para concluir o curso, os estudantes têm que produzir um projeto que esteja dentro de uma das três grandes áreas da arquitetura: projeto arquitetônico, que geralmente vai além dos interiores e lida também com construções; projeto de urbanismo, que vai tratar da cidade em si; e projeto de arquitetura da paisagem, que é mais ligado ao meio ambiente.
Durante a conversa, ela comentou que os graduandos de Arquitetura e Urbanismo têm que fazer dois trabalhos — e eu me senti extremamente privilegiado por ter escolhido Comunicação! — mas, depois, ela explicou melhor como funciona. Basicamente, o trabalho é dividido em duas etapas: o projeto teórico e o produto final.
Na primeira etapa, o aluno deve organizar suas primeiras ideias projetuais em um trabalho teórico que é apresentado para a “banca prévia”. Lá, o professor orientador e outro professor convidado darão ideias de alinhamento para que o graduando evolua em seu trabalho da melhor maneira possível.
A segunda etapa é a de colocar a mão na massa. Há de ser realizado um projeto arquitetônico detalhado até o final do ano letivo, que, quando finalizado, é apresentado à banca final.
“Entendemos que, quando o aluno é aprovado no Trabalho de Conclusão de Curso, os professores dizem que ele está apto para atuar profissionalmente. Isso é uma responsabilidade social que temos com a comunidade”, afirma Layane.
Durante todo esse processo, assim como nos demais cursos, o aluno vai estudando a temática específica que quer trabalhar, buscando outros trabalhos e projetos que o inspirem e complementam suas ideias. É nesse momento que o estudante entende realmente o que quer fazer, e, ocasionalmente, pode mudar o rumo do trabalho completamente. Daí a grande necessidade de estar sempre em diálogo com o orientador. É ele que vai dizer “ah, essa é uma temática que cabe pro TCC” ou “isso é muito pequenininho, é uma escala que não cabe no trabalho”.
Layane falou também da interdisciplinaridade que existe durante a elaboração do trabalho. Às vezes, a área de interesse do aluno extrapola a do professor orientador, por isso é importante que haja um corpo docente que apoie o aluno, quando precisar. Inclusive, esse intercâmbio de conhecimentos vai além do curso. Layane citou Engenharia Civil, História e Geografia como sendo áreas solícitas em ajudar os graduandos de Arquitetura e Urbanismo.
“Não dá pra ficar sentado na sua cadeira, tem que se locomover, conversar com outras pessoas, buscar mais conhecimentos. A internet não resolve tudo, e acho que isso é um engano geral da população nesse momento”, completa a professora.
No final de nossa conversa, perguntei como lidar com ansiedade e bloqueios criativos que surgem nesse momento da graduação, e ela falou que é algo super comum. A gente tem que respirar fundo, tomar um chazinho e, se a ansiedade bater muito forte, é importantíssimo buscar apoio psicológico ou psiquiátrico, muitas vezes oferecido pela própria universidade.
“Você sabe que você pode, você sabe que você consegue. A universidade dá todo o conhecimento para você conseguir ir para frente, e então, quando você termina o TCC, surge um sentimento de afirmação dentro da gente”, conclui a professora.
Apesar de ainda me ver cercado de possibilidades de trabalhos, depois de ter mergulhado no mundo do TCC consigo me enxergar produzindo algo que seja a minha cara para finalizar o importante capítulo da minha vida que está sendo a graduação. E você, está se sentindo mais preparado para enfrentar o TCC?
EQUIPE DESTA PÁGINA
Texto: Maysa Ribeiro Macedo e Gustav Bartmann
Revisão de texto: Ana Paula Machado Velho
Arte: Any Veronezi
Supervisão de arte: Lucas Higashi
Edição Digital: Guilherme Nascimento
Glossário
- Regência: é a etapa prática em que o estudante de licenciatura assume a responsabilidade pela docência, aplicando, conteúdos, metodologias e avaliações sob a supervisão do professor titular. ↩︎
A pesquisa que mencionamos contribui para os seguintes ODS:

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