“Entrei no mundo da divulgação científica em novembro [2024] e confesso que me surpreendi. A linguagem acadêmica científica havia criado em mim uma visão de que a ciência tinha que ser necessariamente complicada. O Conexão Ciência – C² prova exatamente o contrário. Por meio da participação no C², no NAPI Paraná Faz Ciência e no Museu Dinâmico Interdisciplinar (Mudi), da Universidade Estadual de Maringá (UEM), pude desenvolver e colocar em prática minhas habilidades nas áreas de Comunicação e Multimeios” – Gustav Bartmann.

Fico arrepiada de pensar que o sonho de criar uma plataforma de divulgação científica (DC) extrapolou a meta de levar a ciência para o dia a dia das pessoas e se tornou uma ferramenta de formação de profissionais e pesquisadores.
Minha chefe, a professora da UEM Débora Sant’ Ana, outra aficionada em DC e uma das mães do C², sempre me diz: “na construção do Conexão Ciência você não é somente a jornalista, você é, também, a professora Ana Paula”. Ela tem toda razão e a prova é o depoimento de pessoas como o Gustav, que abre esse texto. 21 anos, segundo ano da faculdade e uma vontade enorme de aprender e contribuir com todo o trabalho do NAPI Paraná Faz Ciência, que vai muito além do C².

Fazemos jornalismo e pesquisa sobre como comunicar ciência, tecnologia e inovação em uma plataforma multimídia. Por isso, também estamos entre os homenageados deste dia. Mas essa é outra reportagem. Hoje, é momento de comemorar a existência do C², quatro anos, e conhecer a experiência dos nossos cientistas e divulgadores científicos.
O Gustav chegou à equipe há pouco tempo e a primeira missão foi editar podcasts para a seção multimídia do Conexão Ciência. Mas logo mostrou novas habilidades e passou a editar vídeos, escrever roteiros e participar da gestão das redes sociais. Ele logo percebeu a importância do trabalho que se faz aqui. “Para mim, a divulgação científica é a chave para que o mundo se transforme em um lugar melhor. Vivemos em um momento em que a desinformação ganha cada vez um enorme espaço, ainda mais com a inteligência artificial sendo utilizada para fins antiéticos. Ter entrado nesse meio não apenas contribui para o meu desenvolvimento profissional, mas para o pessoal”.
Contudo, Gustav admite que compartilhar a ciência não deixa de ser um desafio. “Os algoritmos recomendam conteúdos fúteis para os bilhões de usuários nas redes sociais enquanto a quantidade de leitores no Brasil diminui cada vez mais. Despertar o interesse no conhecimento é a chave para que um futuro bom se torne realidade e acredito que o trabalho realizado aqui colabore para a idealização desse cenário, partindo do Paraná, com alcance internacional”, aposta o estudante, bolsista financiado pela Central de Estágio do Paraná.
O C² conta também com um voluntário, graduando de Comunicação e Multimeios da UEM, o João Luiz Lazaretti. Ele precisou se desligar da equipe como bolsista para dar início a um projeto de iniciação científica (IC) próprio, também financiado. Mas se manteve contribuindo. Até vem ao nosso quartel-general, localizado no Museu Dinâmico Interdisciplinar da UEM, uma vez por semana.

João conta que ingressou no Conexão Ciência em maio de 2024 e isso o fez refletir sobre o fato de que, desde criança, sempre foi muito curioso e, já naquele momento, sabia que as respostas para algumas perguntas do mundo advinham da ciência. Mas esse universo parecia ser complicado, ‘metodológico’ e com uma linguagem distante do que estava acostumado.
“Aí, fui apresentado a um jeito diferente de ver a ciência: na cotidianidade. Um dos primeiros temas que escrevi para o C² foi sobre microplásticos, um assunto complexo… de muitos cálculos e, enquanto conversava com os pesquisadores, estava rodeado por dezenas de milhares de microplásticos espalhados por todos os lados”, lembra o estudante. Com isso, o amor pela divulgação científica cresceu e ele diz que não consegue abandonar o Conexão.
Hoje, João segue fazendo ciência na IC e a divulgando no C², e nas redes sociais do Mudi. Reconhece que, em ambos os casos, a tarefa demanda dedicação e esforço. “Quando falamos em divulgação científica, nosso principal desafio é nos apropriarmos do tema a ponto de que seja fácil dele ser explicado em linguagem cotidiana, ultrapassando as barreiras das teses de doutorado, das dissertações de mestrado, dos muros das universidades e das portas dos laboratórios. E isso só nos enriquece como pessoa, profissional e divulgador científico, bem como toda uma comunidade que está imersa em ciência”, resume.
Maysa Ribeiro Macedo diz que, antes mesmo de saber o que gostaria de fazer profissionalmente, quando criança, já tinha um olhar curioso para as coisas do mundo. Buscava entender como as pessoas escreviam os livros e os artistas tinham tanta criatividade. Quando entrou na universidade, em 2022, no curso de Comunicação e Multimeios da UEM, essa motivação e entusiasmo pela pesquisa voltaram com tudo, por meio do Conexão Ciência – C² e o Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação, o NAPI Paraná Faz Ciência, do qual é bolsista Nível Técnico I, um benefício financiado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

Ela lembra, ainda, que foi em busca de estágio em comunicação logo no primeiro ano da graduação e não encontrou nenhum que não fosse somente voltado para o mercado. Foi, então, que achou o C², que, além de contar em sua equipe com comunicólogos, jornalistas, pesquisadores e artistas visuais, tem como objetivo fazer com que, a partir da divulgação científica, os conhecimentos desenvolvidos nas universidades cheguem ao maior número de pessoas possível.
“Foi fazendo estágio no Conexão Ciência que pude descobrir como a divulgação científica é importante para que o trabalho de anos de pesquisas seja difundido e popularizado. A partir das muitas produções que realizei para o C², como textos, podcasts, vídeos e coberturas de eventos científicos, entendi que o meu caminho é na Academia, desenvolvendo pesquisas na área de comunicação com foco em obras de arte”, anuncia a estudante.
Fora da sala de aula
“Quando entrei no Conexão Ciência – C², não fazia a menor ideia do vasto universo da divulgação científica. Antes, achava que era algo distante e restrito à Academia. Hoje em dia, além de ser a minha atuação principal, me encantei com essa área da comunicação”, comemora Lucas Higashi, ilustrador e designer do NAPI Paraná Faz Ciência. Formado em Comunicação e Multimeios pela UEM, é bolsista de Nível Superior, financiado pela Fundação Araucária, agência de fomento da pesquisa e da inovação no Paraná.

Para Lucas, é muito gratificante ver o trabalho dele sendo apreciado e, acima de tudo, aplicado em projetos de alto impacto social e educativo. Ele é responsável pela produção de identidades visuais para o NAPI e já tem produtos super elogiados como as logomarcas da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência; o redesign da logo do Museu Dinâmico Interdisciplinar; dos projetos do CNPq Previna-se e Imunogen — Laboratório de Imunogenética da UEM; entre muitos outros.
Garante ainda que, no NAPI, ganhou um portfólio enorme na área de ilustração e uma vasta experiência ao abordar os mais variados temas, das ciências agrárias e biológicas até às artes. Não podemos esquecer que, todas as matérias do C² contam com uma ilustração inédita feita pela equipe de arte, que Lucas coordena.
“Além do conhecimento adquirido na minha área de atuação, a participação no NAPI Paraná Faz Ciência me ensina todos os dias alguma novidade do mundo científico. Além de ler o que o pessoal produz, participo de vídeos e podcasts, que levam essas informações para o mundo das redes sociais, aproximando ainda mais a ciência produzida no Paraná dos paranaenses. Me sinto muito realizado no trabalho que ajudo a produzir. Um grande mote que coloco para a minha vida é melhorar qualquer lugar que eu esteja, e trabalhar com a divulgação científica, dentro da minha vocação como artista, vem sendo algo que me traz muito orgulho e me faz feliz por poder contribuir”, conclui Higashi.
A trajetória de Any Veronezi no Conexão Ciência – C² iniciou com a chegada dela à universidade, no primeiro ano de Artes Visuais na UEM. E, segundo ela, contribuiu para compor o estilo das ilustrações que busca representar até hoje. Os diversos aspectos das pesquisas desenvolvidas pelo projeto, despertaram nela o desejo de prosseguir profissionalmente criando materiais visuais e audiovisuais.

“Desde aquele momento, há três anos, atuo como voluntária no projeto, desenvolvendo ilustrações e infográficos como uma forma de pôr em prática o conhecimento adquirido na sala de aula. Mas me aventurei em estagiar em outros setores da universidade. Usei esse momento para aprofundar meus conhecimentos em softwares de edição gráfica e vídeo, por exemplo. No entanto, sempre com o desejo de voltar a fazer parte do C². Em junho, agora, tive a oportunidade de me unir novamente ao projeto. Essa vivência toda ampliou meu repertório técnico e melhorou minhas habilidades que vou empregar aqui, no Conexão, a partir de agora”, comemora Any, também bolsista de Nível Superior, financiada pela Fundação Araucária.
Desde o embrião
Milena Massako Ito é a ‘mãe mirim’ do C². Iniciou a jornada na divulgação científica em 2020, quando ainda estava no início da graduação em Comunicação e Multimeios na UEM e o C² era apenas um sonho. Fazia estágio na Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (PEC) e foi convidada por mim, Ana Paula, e a professora Débora, citada no início do texto, para criarmos o Conexão Ciência. Atualmente, já formada, é bolsista de Apoio à Difusão do Conhecimento 1B, da Rede Previna-se, projeto financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), que atua na pesquisa e prevenção do câncer de colo de útero.

Mas Milena não abandonou o NAPI. Nos últimos quatro anos, é peça fundamental na gestão de conteúdo do Conexão, mas também participou de muitos projetos e eventos, desenvolveu vários trabalhos em outras frentes do Arranjo e, segundo ela, conseguiu ver de perto como é essencial a divulgação científica caminhar ao lado da pesquisa. Milena destaca que essa parceria é importante para aproximar o conhecimento do público, além de envolver a população em debates sobre ciência. Afinal, as descobertas não podem ficar presas nas universidades, elas precisam ser compartilhadas!
“Porém, essa tarefa não é tão fácil. A área da divulgação científica é repleta de desafios. O principal deles, a meu ver, é a dificuldade que alguns pesquisadores têm de traduzir seus estudos para uma linguagem mais acessível, além de muitos deles não serem receptivos aos profissionais de comunicação que fazem esse trabalho, o que acaba dificultando a interação. Outro obstáculo é a falta de incentivo e recursos destinados ao crescimento dessa área, o que impacta a distribuição e acesso a esse conteúdo. Por isso, iniciativas como o NAPI Paraná Faz Ciência, que contam com financiamento das agências de fomento, são tão importantes nesse cenário”, observa a comunicóloga.
Para Milena, é preciso, também, que as pessoas entendam que a divulgação científica é uma ferramenta indispensável na luta contra a desinformação, principalmente na era da internet, em que tantos conteúdos com falsas informações circulam rapidamente e com frequência. “Desse modo, nós, como profissionais da divulgação científica, temos a missão de atuar como ponte entre o conhecimento e a sociedade, despertando a curiosidade do público com materiais que tenham linguagem e formatos atrativos, sem abrir mão da veracidade e da qualidade das informações”, alerta a bolsista.
A grande mentora do C², a professora Débora, que viabilizou o sonho da jornalista aqui e não me deixa esquecer que ainda sou professora, mesmo não estando mais na sala de aula, destaca que o projeto contribui não só com graduandos, mas pós-graduandos e profissionais de diferentes áreas como design, artes, comunicação, e para aqueles formados em inúmeras outras, que trazem para a equipe conhecimentos específicos.
“Já passaram por aqui alunos de biomedicina, biologia, engenharia, publicidade e propaganda, enfim, muitas áreas que só contribuem para que possamos divulgar ciência e tecnologia de forma adequada, rica e aprofundada. E temos certeza de que todos saíram daqui mudados, impactados pessoal e profissionalmente. Se tornaram efetivamente divulgadores científicos diferenciados e isso será reconhecido pelo mercado de trabalho, que precisa muito de gente comprometida e ética, quando se fala em ciência”, afirmou Débora Sant’ Ana.
Acho que não preciso falar mais nada… é muito difícil descrever o orgulho que tenho de poder ter contribuído não só com a ciência, mas com a formação de pessoas tão comprometidas e competentes. Traduzir sentimento em palavras é para poeta e não para jornalista. Caiu uma lágrima aqui! Que ela faça brotar novos talentos e novas histórias a serem contadas no Conexão Ciência!
Um viva ao conhecimento, aos pesquisadores científicos e pesquisadoras científicas; aos divulgadores e divulgadoras da ciência; um viva aos 4 anos do C²!
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Texto: Ana Paula Machado Velho
Arte: Lucas Higashi
Supervisão de arte: Lucas Higashi
Edição Digital: Guilherme Nascimento
A pesquisa que mencionamos contribui para os seguintes ODS:

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