Você já ouviu falar em doenças silenciosas?
As doenças silenciosas são aquelas que não apresentam sintomas evidentes logo no início, ou seja, quando o corpo não dá sinais claros de que algo está errado. Com isso, muitas vezes, elas costumam evoluir por meses, ou anos, sem diagnóstico ou intervenção precoces, trazendo complicações maiores para o tratamento.
Algumas dessas doenças são a hipertensão arterial (pressão alta), a diabetes tipo 2, o colesterol alto e a osteoporose. Doenças renais crônicas e alguns tipos de câncer, como o câncer de colo de útero e o câncer de intestino, também costumam ser assintomáticas nos estágios iniciais.
As doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) são um dos maiores desafios da saúde pública, no Brasil e no mundo. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), elas foram responsáveis por cerca de 70% das mortes globais, em 2019 e, no Brasil, por 41,8% das mortes prematuras, entre 30 e 69 anos de idade.
De acordo com a Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), realizada pelo Ministério da Saúde, em 2023, 10,2% dos adultos brasileiros relataram diagnóstico de diabetes e 27,9% informaram ter hipertensão arterial.
Esses números são alarmantes porque, muitas das vezes, essas doenças começam a ser tratadas quando já estão em estados mais avançados e com maiores prejuízos à saúde dos indivíduos. Mas existe uma ótima aliada nessa situação: a prevenção.
Exames de rotina: quando fazê-los?
Mas, se as doenças são silenciosas, como preveni-las ou tratá-las logo no início do seu aparecimento?
É indispensável começar falando sobre a importância de bons hábitos de saúde: uma alimentação balanceada, prática de atividades físicas regularmente e uma rotina de sono ajustada. Além disso, a medicina oferece uma possibilidade: os exames de rotina.
Os exames de rotina são exames periódicos, geralmente realizados de forma anual, personalizados de acordo com idade, sexo, fatores de risco, fatores hereditários e condições pré-existentes e servem para avaliar a saúde metabólica, hormonal e rastrear precocemente diversas doenças, como é o caso das doenças silenciosas.

“A consulta médica é super importante para avaliar o histórico do paciente, histórico familiar e hábitos de vida para identificar os principais fatores de risco e doenças associadas, além de realizar o acompanhamento, rastreando precocemente doenças”, explica a médica Bruna El Haouli Guglielmi, residente em Ginecologia e Obstetrícia, no Hospital Universitário da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
A lista de exames indicados e sua periodicidade variam, sendo importante seguir a orientação de profissionais de saúde, que ajustam as recomendações de acordo com as necessidades de cada indivíduo.

Bruna reforça que todo o acompanhamento e realização de exames deve seguir orientações médicas e ser feito com auxílio de profissionais da saúde, seja para diagnóstico e, também, para eventual tratamento.
Um acesso ainda desigual
Embora a prevenção seja uma das melhores maneiras de evitar complicações por doenças crônicas, é importante destacar que o acesso à informações e à práticas de saúde, no Brasil, ainda é bastante desigual.
“A desigualdade tem impacto direto no aumento de doenças que poderiam ser evitadas se diagnosticadas mais cedo ou tratadas com menos risco e custo”, explica a médica Bruna Guglielmi, pontuando que essa desigualdade tem diferentes recortes sociais.

Regionalmente, a diferença no acesso à atenção primária tem como consequência, muitas vezes, a falta de acesso à exames preventivos “indígenas, ribeirinhos, moradores de áreas rurais e periferias urbanas têm dificuldade de acesso, seja pela distância, transporte ou falta de profissionais”, completa a residente.
Além disso, as barreiras socioeconômicas exercem grande impacto no acesso ao cuidado adequado em saúde, sobretudo quando há dificuldade de acesso à informação e ao conhecimento sobre prevenção, o que afeta principalmente pessoas com menor escolaridade.
Também pesam as limitações do Sistema Único de Saúde (SUS), que em muitos contextos sofre com falta de investimentos, o que dificulta reduzir filas, garantir o agendamento de exames e manter equipamentos em pleno funcionamento.
É importante ressaltar que as desigualdades de gênero, o racismo e a discriminação contra pessoas LGBTQIA+ também interferem no cuidado em saúde, contribuindo para a negligência ou até o afastamento desses grupos dos serviços de atendimento.
Prevenir é melhor que remediar?
A médica Bruna Guglielmi reforça que os exames são importantes porque muitas doenças são assintomáticas “esse é justamente o conceito de rastreamento: diagnosticar uma doença antes dela manifestar sintomas clínicos”.
Além disso, a residente explica que manter a vacinação em dia contribui para o cuidado adequado da saúde, em todas as fases da vida, prevenindo doenças imunopreveníveis, reduzindo hospitalizações e ampliando a proteção da comunidade.
E, para isso, é necessário que a informação de qualidade chegue diariamente e cada vez mais para um número maior de indivíduos, especialmente para grupos socialmente marginalizados.
Faz-se necessário, também, a luta por maiores investimentos no sistema de saúde público e o investimento em profissionais de saúde e em tecnologia, para facilitar o acesso especialmente de populações vulneráveis.
Os avanços da ciência e da medicina tornaram cada vez mais amplas as possibilidades de tratamento de doenças, mas, sem dúvida, a prevenção ainda é o melhor remédio.
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Texto: Camila Lozeckyi
Revisão de texto: Ana Paula Machado Velho
Arte: Camila Lozeckyi
Supervisão de arte: Lucas Higashi
Edição Digital: Guilherme Nascimento
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