Mudanças climáticas já são realidade no Paraná

ilustração artística com estética de colagem em papel (paper cut), retratando um cenário de clima extremo e natureza em transformação. No canto superior direito, um grande sol intenso, em tons de amarelo e laranja, irradia longos raios ondulados que se espalham pela cena, sugerindo calor forte ou onda de calor. Ao redor dele, nuvens estilizadas em azul-acinzentado parecem ser empurradas ou dissipadas pelo calor. À esquerda, formas orgânicas lembram plantas ou algas ressecadas, reforçando a ideia de vegetação afetada pelas condições climáticas. No centro, uma faixa azul-clara sugere céu ou ar quente vibrando. Na parte inferior, o solo aparece em tons quentes — laranja, ocre e marrom — com rachaduras visíveis, simbolizando seca severa e escassez de água. Camadas onduladas de cor criam profundidade, como se fossem dunas ou terrenos áridos. O conjunto transmite uma mensagem visual de calor extremo, seca e desequilíbrio ambiental, relacionada às mudanças climáticas. Canto inferior direito há a assinatura: “© Conexão Ciência | Arte: Any Veronezi”
No Dia Nacional de Conscientização sobre as Mudanças Climáticas, cientistas do Paraná apontam caminhos para enfrentar a crise no clima

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O registro de tornados no oeste, episódios recentes de chuvas intensas no sudoeste e no litoral e a recorrência de secas prolongadas colocaram o Paraná no mapa dos eventos climáticos extremos. Em novembro de 2025, um tornado atingiu a cidade de Rio Bonito do Iguaçu e destruiu quase toda a cidade. Antes disso, cidades como Cascavel, Marechal Cândido Rondon e Francisco Beltrão também registraram ocorrências semelhantes — fenômenos historicamente raros no estado.

Para pesquisadoras que atuam na área climática, esses episódios não são eventos isolados, mas parte de uma tendência já mensurável. Estudos conduzidos pelo Núcleo de Estudos sobre Variabilidade e Mudanças Climáticas (NUVEM), da Universidade Federal do Paraná (UFPR), coordenado pela pesquisadora Camila Bertoletti Carpenedo, indicam que o estado vive uma intensificação dos extremos, tanto de chuva quanto de calor e seca.

Os dados mostram: mais ondas de calor e chuvas irregulares 

As pesquisas do NUVEM revelam mudanças significativas no comportamento climático do Paraná nas últimas décadas. Um estudo de mestrado em Engenharia Ambiental, como mencionou a coordenadora Camila, aponta que, na década de 1950, o estado registrava em média 13 dias com ondas de calor por ano. Porém, entre 2020 e 2023, esse número mais que triplicou, chegando a 46 dias anuais, em média. As secas, por sua vez, vêm se tornando mais frequentes desde os anos 2000, e em anos recentes, também mais intensas.

Um texto explicativo informa que na década de 1950 o estado do Paraná registrava em média 13 dias por década com ondas de calor, enquanto nos anos mais recentes (2020–2023) esse número mais que triplicou, chegando a cerca de 46 dias. A parte inferior mostra um gráfico de barras organizado por décadas (de 1950–1959 até 2020–2023). As barras, em tom azul-esverdeado, aumentam gradualmente da esquerda para a direita, indicando crescimento contínuo no número de dias com ondas de calor ao longo do tempo. O fundo da arte utiliza cores quentes (laranja e amarelo) com ilustrações estilizadas de um grande sol com raios ondulados no canto superior direito, nuvens azuladas e formas que lembram calor intenso irradiando sobre o solo. Esses elementos visuais reforçam a ideia de temperaturas extremas. No canto inferior direito aparece o crédito: “© Conexão Ciência | Arte: Any Veronezi.”

Sobre as chuvas, outra pesquisa ligada ao Núcleo identificou que cerca de 30% dos eventos extremos de precipitação no Paraná estão associados ao chamado Jato de Baixos Níveis da América do Sul — um sistema atmosférico que transporta umidade da Amazônia para o Sul do continente e é comumente conhecido como “rios voadores”. Nos últimos 44 anos, o aumento foi de aproximadamente oito dias de atuação desse sistema durante o verão, o que pode explicar a maior frequência de chuvas intensas nessa estação.

Segundo Camila, não se trata apenas de aumento da temperatura média, mas de uma alteração na distribuição das chuvas: períodos mais longos de seca intercalados com eventos de precipitação mais concentrados e intensos. “O que chama atenção é a intensificação dos extremos. Mais ondas de calor, secas mais persistentes e eventos de chuva mais frequentes e concentrados”, explica a pesquisadora do NUVEM.

Antártida impacta o Brasil

O NUVEM também atua em escala hemisférica, investigando como processos originados na Antártica influenciam o clima sul-americano. A pesquisadora Camila participou, como cientista principal, da primeira circunavegação pelo continente Antártida, em 2024, em uma expedição internacional com cientistas de sete países.

Durante 71 dias, a equipe monitorou ciclones extratropicais, frentes frias e rios atmosféricos sob diferentes condições de gelo marinho. Esses sistemas estão associados a eventos extremos no Brasil, como as chuvas recordes no litoral norte de São Paulo, em fevereiro de 2023 (quase 700 milímetros em 24 horas), que isolou várias cidades no litoral paulista e as enchentes no Rio Grande do Sul, entre abril e maio de 2024, que afetaram 97% dos municípios gaúchos e mais de 2,3 milhões de pessoas, com impactos na vida dessas pessoas e cidades atingidas até hoje.

O grupo está sorridente e posando para a foto ao lado de uma grande estrutura branca do navio e de um equipamento industrial laranja ao fundo, com escadas e plataformas metálicas. O piso é verde e parece molhado, sugerindo condições úmidas ou frias. Ao fundo, vê-se o mar cinza sob um céu nublado, reforçando a sensação de clima rigoroso. Uma das pessoas segura um pequeno tubo ou frasco, enquanto outra segura um objeto oval grande, semelhante a um balão ou instrumento científico, ligado por um cabo — possivelmente parte de um equipamento de coleta ou medição ambiental. A cena transmite a ideia de uma equipe de pesquisadores ou técnicos em missão científica no mar, em condições de frio intenso, registrando um momento de trabalho ou conquista durante a expedição.
Pesquisadora líder do NUVEM, Camila Bertoletti Carpenedo, em expedição pela Antártida; o que acontece por lá impacta também o Paraná (Foto/Arquivo pessoal)

“A ciência regional ajuda a traduzir como fenômenos globais se manifestam localmente. É essa escala que orienta políticas de adaptação mais eficientes”, destaca Camila.

Vulnerabilidade climática tem a ver com desigualdade social

Esses impactos já se mostraram mais severos para um grupo específico de pessoas. Aquelas que moram em áreas de risco, no alto de morros e ou encostas, beiras de rios e não têm uma moradia segura, nem acesso a saneamento, serviços de saúde básicos ou informação e acompanhamento mínimo do poder público. 

Vulnerabilidade climática, explica a coordenadora do NUVEM, é o grau de exposição e a capacidade de resposta de uma comunidade diante de um evento extremo. Não depende apenas da intensidade da chuva ou do calor, mas desse fatores de qualidade de vida e acesso ao básico para cidadania. “Não se trata só de clima. Trata-se de desigualdade, planejamento urbano e políticas públicas”, afirma.

Foto em área aberta, um jardim, com quatro pessoas sentadas e outras cinco pessoas em pé, atrás dessas. Há incidência de sombra sobre alguns rostos e a maioria das pessoas sorri para a foto. O formato da foto é vertical, retrato.
Equipe de pesquisadores do NUVEM – UFPR (Foto/Arquivo pessoal)

No Paraná, as regiões com maior risco são o litoral — devido ao efeito orográfico1 da Serra do Mar, que faz a umidade vinda do oceano subir ao encontrar a serra e provoca chuvas mais intensas no litoral — e na outra ponta, o sudoeste do estado, onde o transporte de umidade da Amazônia favorece tempestades severas. Áreas urbanas com ocupação em margens de rios e encostas também concentram maior exposição ao risco.

Da pesquisa ao planejamento: o papel da RIPERC

A conexão entre as pesquisas e as práticas para enfrentar os desafios climáticos é vista na atuação da Rede Internacional de Pesquisa Resiliência Climática (RIPERC), coordenada pela pesquisadora Irene Carniatto, da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste).

Criada em 2019, a partir de uma parceria entre a Unioeste e a Universidade de York, no Reino Unido, a rede começou com 67 pesquisadores e hoje reúne mais de 400 cientistas de mais de 20 países, agregando representações de 200 instituições.

Para a coordenadora Irene, o diferencial da RIPERC é funcionar como rede de atuação: cada instituição tem um ponto focal, uma pessoa responsável por desenvolver projetos locais de adaptação climática. “São expoentes pesquisadores que trabalham em toda a sua região, no seu estado, fazendo projetos para as prefeituras, para os estudantes e para os mais variados segmentos da sociedade”, explica. 

A RIPERC é uma rede de pesquisa, mas também de atuação, cujos projetos têm alcançado milhares de pessoas. “Cada dia mais estamos divulgando e novos pesquisadores se agregam a este movimento. É um grande movimento em prol da preparação, do conhecimento e da adaptação às mudanças climáticas”, aponta a pesquisadora.

A imagem mostra um grande grupo de aproximadamente 40 pessoas reunidas para uma foto coletiva em um ambiente externo, à noite. O grupo é diverso em termos de gênero e idade e a maioria está vestida de forma casual ou casual de negócios. Muitos usam crachás de identificação pendurados no pescoço, denotando que o registro foi feito em um evento, conferência ou encontro profissional. Atrás do grupo, vê-se uma estrutura com telhados de estilo colonial (telhas de barro laranja) dispostos em três pontas triangulares. A construção parece ser aberta, como um pátio coberto ou varanda de um centro de convenções ou hotel fazenda.
Equipe de quase 40 pesquisadores da RIPERC em encontro realizado em Foz do Iguaçu em 2019 (Foto/Arquivo pessoal)

No Paraná, a articulação da Rede contribuiu para a criação do NAPI Emergência Climática, programa da Fundação Araucária que reúne pesquisadores de um mesmo tema e de diferentes universidades públicas do estado. Esse NAPI desenvolve estudos sobre impactos na agricultura, qualidade do ar, saúde, florestas e educação ambiental, além de auxiliar diretamente municípios na elaboração de planos de adaptação às mudanças climáticas.

Atualmente, reporta Irene, são 15 os municípios do oeste e da região de Campo Mourão que estão em processo de construção de seus planos municipais de adaptação às mudanças climáticas, com apoio técnico do grupo de pesquisadores. A importância de planos como este, defende a pesquisadora, é que ele seja incorporado ao planejamento do poder público local como um todo, a exemplo do que acontece com Plano Diretor e outros mapeamentos que balizam a tomada de decisão dos gestores locais.

“Não basta reagir ao desastre. É preciso planejar antes. O plano municipal de adaptação integra plano diretor, saneamento, drenagem e gestão de risco”, argumenta Irene. 

Água, agricultura e segurança alimentar

A imagem mostra uma mulher sorridente posando em um cenário promocional da COP30 (30ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas) realizada em Belém, no Pará, em 2025. Ela está no centro da foto, atrás de letras grandes em 3D que formam "COP30". Ela tem cabelos curtos e escuros, usa um casaco bege, uma blusa preta e um lenço estampado no pescoço. O Painel de Fundo é colorido e temático, com ilustrações que remetem à biodiversidade da Amazônia, como flores tropicais, folhas, uma onça-pintada e uma arara-azul. Logotipos: À esquerda, lê-se: "O futuro é feito na COP DA FLORESTA" e a hashtag #COP30NoPará. À direita, o logo oficial: "COP30 BRASIL AMAZÔNIA - BELÉM 2025". Na base da estrutura, aparecem as marcas da Prefeitura de Belém, do Governo do Pará e do Governo do Brasil.
A pesquisadora e coordenadora da RIPERC pela Unioeste, Irene Carniatto, durante a COP 30 realizada em Belém, no Pará em Novembro de 2025 (Foto/Arquivo pessoal)

“Cada vez mais, os eventos climáticos desastrosos vão ser mais intensos e mais frequentes”, conta a coordenadora do RIPERC. “Cidades que antes tinham um evento climático que trazia prejuízos a cada 30 ou 50 anos, agora, estão tendo a cada dois ou cinco anos, sem dar tempo da cidade se recuperar”. É um exemplo o que aconteceu no Rio Grande do Sul: chuvas intensas, com muitos alagamentos, em curto período de tempo. O Paraná também tem muitas vulnerabilidades, ressalta Irene. “Somos rota de tornado e nunca tínhamos ouvido falar. Cascavel, Marechal Cândido Rondon, Francisco Beltrão são exemplos de uma macrorregião que já sofre com esses eventos”, relembra Irene.

Os registros estão mais frequentes de chuvas intensas, granizos intensos, alagamentos e enxurradas também em várias cidades do estado. “Então, uma preocupação nossa é com a água. O que afeta diretamente a agricultura. Além disso, as secas estão ficando mais prolongadas, deixando as cidades sem água por longos períodos. É uma tendência que vai se agravar para o futuro”, adverte a pesquisadora da Unioeste. Entre os fatores de influência está o desmatamento de áreas de nascentes e sua cobertura por terra deslocada por tratores usados na agricultura.

Quanto ao risco de secas, o exemplo mais marcante vem do próprio município de Cascavel, sede da Unioeste. As dificuldades de abastecimento já são reais. “Cascavel já está buscando água num quarto rio, o Rio do Salto, que fica a mais de trinta quilômetros”, informa Irene. Essas secas mais frequentes afetam diretamente a agricultura, principal atividade econômica do estado e daquela região, inclusive. Já demandam dos produtores adaptações nos calendários anuais de plantio e de colheita em cada safra.

“Sem água para dar conta do abastecimento da cidade e ao mesmo tempo essas secas sobre a  agricultura, como é que vamos produzir sem água? Então, esses são os principais efeitos das mudanças que já nos atingem. A nossa agricultura depende da regularidade climática. Secas mais frequentes ameaçam não apenas a produção, mas a segurança alimentar e a economia como um todo”, alerta a pesquisadora.

Não há dúvida, segundo Irene, que os principais problemas do Paraná são as secas extremas e o efeito disso para alimentação e abastecimento de cidades. “Ainda não estamos sofrendo muito, mas no futuro nos preocupa muito a segurança alimentar nutricional de todas as pessoas”, frisa.

As pesquisas realizadas pelo NUVEM sobre secas corroboram essa informação, veja no infográfico abaixo:

infográfico sobre a evolução das secas no Paraná ao longo do tempo, com foco nos impactos socioeconômicos. Um texto explicativo descreve a frequência por década de eventos de seca (moderada, severa e extrema), destacando que houve aumento ao longo dos anos, de apenas 1 evento na década de 1950 para 30 eventos no período mais recente (2020–2023), incluindo 7 secas extremas. A parte central apresenta um gráfico de barras organizado por décadas (1950–1959 até 2020–2023). Cada conjunto mostra três cores correspondentes aos tipos de seca: amarelo claro: seca moderada; laranja: seca severa; vermelho: seca extrema. Os valores indicam crescimento progressivo, especialmente nas últimas décadas, quando aumentam tanto a frequência total quanto a intensidade das secas. As cores são tons azul-esverdeados com ilustrações estilizadas de nuvens e formas orgânicas, além de uma planta ressecada à direita, reforçando visualmente o tema da seca. No canto inferior direito aparece o crédito artístico: “© Conexão Ciência | Arte: Any Veronezi.”

Cooperação internacional com impacto local

A troca internacional da RIPERC é constante, com atividades todos os meses, eventos, palestras e reuniões frequentes. Nesses encontros, relata Irene, os pesquisadores apresentam seus estudos e trazem análises atualizadas a partir de artigos científicos, compartilham gráficos, mapas, tabelas e dados, informando toda a rede e mantendo os participantes sempre atualizados.

“É um processo também que estimula outros integrantes a desenvolverem pesquisas mais aprofundadas em seus próprios territórios. Vamos construindo um ambiente contínuo de estudo e produção de conhecimento, que envolve alunos de graduação, mestrandos, doutorandos e também técnicos e representantes de prefeituras que participam da Rede”, explica a coordenadora da RIPERC.

A proposta da Rede é levar o conhecimento às pessoas e socializá-lo com a comunidade. Tanto pelos pesquisadores que fazem isso em suas instituições e países de origem, quanto para as regiões foco de suas atuações. “Como a maioria é de pesquisadores internacionais, esse intercâmbio se amplia com palestras e atividades em diferentes países. É dessa forma que a Rede contribui para o avanço da ciência”, comemora Irene.

O Paraná está preparado?

Para Irene Carniatto, ainda não. Apesar de avanços em monitoramento meteorológico e atuação da Defesa Civil, há descompasso entre o aumento dos riscos e a adaptação estrutural das cidades. “Temos visto algumas leis e planos que fazem parte do grande plano das mudanças climáticas, mas nenhum tem o conjunto de planos completo e operante e, em segundo momento, obras de infraestrutura realmente para enfrentar as mudanças climáticas, nenhum governo tem feito”. Além do fato de que muitas cidades ainda mantêm ocupações em áreas de risco e drenagem insuficiente.

Por isso, ela defende o Plano Municipal de Adaptação às Mudanças do Clima como direcionador principal para as ações de governos. “Não é só pensar em desastre, é pensar em tudo, porque quando o desastre acontece, ele afeta todos os serviços, inclusive o econômico, o financeiro, a cidade fica um caos. A gente não se preocupa só com animais, pessoas, florestas e natureza, mas a gente se preocupa com a economia também”, sinaliza.

a imagem é um infográfico que apresenta um modelo de ações integradas para enfrentar as mudanças climáticas, organizado em forma de ciclo contínuo. No topo, o título diz: “Ciclo virtuoso para lidar com mudanças climáticas.” Abaixo, quatro etapas aparecem distribuídas em balões conectados por setas curvas, formando um movimento circular que indica continuidade e retroalimentação entre as ações. As etapas são: 1- Pesquisa e implementação de ações de base científica; 2- Fortalecer a governança e integração entre ciência e gestão pública; 3- Investimento contínuo em pesquisa científica e 4- Compromisso de continuidade no longo prazo. O fundo traz tons azulados e alaranjados com nuvens estilizadas e solo rachado, sugerindo seca e mudanças ambientais. Setas coloridas conectam as etapas, enfatizando que o processo é cíclico e permanente. No canto inferior direito aparece o crédito: “© Conexão Ciência | Arte: Any Veronezi.”

Conscientizar é também uma tarefa do RIPERC, por meio da Educação Ambiental Climática, declara a pesquisadora. Especialmente, com foco em auxiliar os gestores que devem se ocupar desse planejamento nas cidades. “Nós enquanto grupo de pesquisa nos colocamos à disposição para ajudar a pensar esses planos, mas a responsabilidade por lei é dos gestores. Eles são obrigados pela legislação a pensar nessas ações e preservar a vida das pessoas e as condições de sobrevivência nas cidades”. 

“Elaborar planos, investir em infraestrutura e treinar a população são passos urgentes. São essas as políticas que nós precisamos urgentemente para todas as cidades do mundo e para cidades do Paraná também”, recomenda a pesquisadora. 

Emergência climática exige ação coletiva

Para além das políticas públicas, a sociedade também precisa se engajar e cobrar governantes, escolhendo lideranças comprometidas com a agenda climática e adotando práticas mais sustentáveis.

No Dia Nacional de Conscientização sobre as Mudanças Climáticas, 16 de março, os depoimentos das pesquisadoras vêm para reforçar que os impactos sobre o clima já são concretos e exigem atenção imediata. E, embora existam mapas que identificam áreas mais vulneráveis, como regiões próximas a rios, morros e encostas, os eventos extremos têm se intensificado e ampliado o alcance do risco. “Hoje, o risco não está só nesses lugares. Ele está em todos os lugares”, alerta a coordenadora da RIPERC.

O aumento das temperaturas e das ilhas de calor nas cidades são potencializadores de chuvas mais concentradas e volumosas, capazes de provocar alagamentos e deslizamentos em poucas horas. Os dados coletados nessas pesquisas são a base para despertar o movimento de adaptação de toda a sociedade. Seja por investir em moradias mais resistentes ou por ampliar a presença de áreas verdes nas cidades, já que a diferença de temperatura entre áreas asfaltadas e regiões arborizadas pode chegar a seis graus de variação.

“União e preparo” é mensagem que a pesquisadora Irene gostaria de deixar. As mudanças climáticas não são uma ameaça futura, mas uma realidade em curso, que tende a se intensificar nos próximos anos. “Precisamos nos organizar, fortalecer nossas cidades e agir juntos para enfrentar os eventos extremos quando eles acontecerem. Ela está em todos os lugares. Precisamos nos preparar agora. A mudança climática não é futura — é presente e tende a se intensificar”, conclui Irene.

O C2 Conexão Ciência já deu dicas práticas para conter a Emergência Climática, confira no Conexão Emergência Climática, vale ouvir!

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Texto:
Ana Elisa Frings
Revisão de texto: Ana Paula Machado Velho
Edição de áudio: Maria Eduarda Tenório Calvi
Arte: Any Veronezi
Supervisão de arte: Lucas Higashi
Edição Digital: Guilherme Nascimento

Glossário

  1. Efeito orográfico – É um fenômeno climático que ocorre quando uma massa de ar úmida encontra uma barreira natural — como uma serra ou montanha — e é forçada a subir. Com isso, chuvas mais intensas podem se concentrar sobre essa mesma região, o litoral, impedidas de se dispersar por essas barreiras naturais. ↩︎

A pesquisa que mencionamos contribui para os seguintes ODS:

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