Ontem e hoje: quanto uma cidade se transforma em 70 anos?

Ilustração dividida verticalmente em duas partes por uma linha irregular central. O lado esquerdo apresenta uma paisagem urbana em tons de cinza, com edifícios baixos, ruas, calçadas, árvores sem folhas e veículos circulando. Há postes de iluminação e uma ponte ao fundo. O lado direito mostra a mesma área em cores, com prédios de arquitetura moderna, áreas verdes, árvores com folhagem, ruas e calçadas. Um edifício com fachada triangular colorida e vitrais aparece em destaque, além de construções com painéis solares nos telhados. O céu e a vegetação estão representados em tons vivos. Na parte inferior está o crédito “© Conexão Ciência | Arte: Carlisle Ferrari”.
Projeto da UEL refaz imagens do fotojornalista Oswaldo Leite e observa a evolução da paisagem de Londrina através da fotografia

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Quanto uma cidade se modifica em 50 ou 70 anos? Seria possível refazer exatamente a mesma fotografia décadas depois? Esse foi o grande desafio que os estudantes de jornalismo da Universidade Estadual de Londrina (UEL) realizaram no projeto de pesquisa e extensão “Ontem e Hoje: a evolução da paisagem de Londrina através da fotografia (1950 -2020)”.

A proposta do projeto parte da observação atenta da cidade e de suas marcas no tempo. A partir de imagens produzidas entre as décadas de 1950 e 1980, os estudantes foram convidados a olhar para Londrina como um espaço em constante transformação, onde passado e presente convivem, se sobrepõem e até mesmo entram em conflito. O exercício não foi simples. Vai além de refazer fotografias antigas: exige pesquisa, comparação e atenção aos detalhes para compreender o que mudou e o que permaneceu ao longo de um amplo lapso temporal, afinal, são 70 anos entre produção e reprodução.

O objeto de pesquisa do projeto foram as fotografias do fotojornalista Oswaldo Leite, que, durante as décadas de 1950 a 1970, registrou as obras e as transformações da cidade a serviço da Prefeitura Municipal de Londrina. Com um acervo de mais de 20 mil imagens, disponibilizado pelo Museu Histórico de Londrina Padre Carlos Weiss (MHL), os estudantes realizaram uma seleção, seguida da reprodução das fotografias e, por fim, da publicação do resultado em um site.

Inspirado na fotodocumentação histórica e na prática da refotografia, o projeto reuniu mais de 40 estudantes de todas as séries do curso de Jornalismo da UEL. Organizados em grupos, eles participaram de todas as etapas do trabalho: pesquisa, seleção das imagens, identificação dos locais, saída a campo e produção das novas fotografias. O resultado desse processo coletivo foi a reconstrução visual de diferentes pontos da cidade e a criação de um site que permite ao público comparar o ontem e o hoje de Londrina.

Primeiros passos

A coordenadora do projeto, Maria Luisa Hoffmann, professora do curso de Jornalismo da UEL, compartilha que a iniciativa dialoga com experiências anteriores desenvolvidas ao lado de Roberto Mancuzo, também docente da universidade. Antes de chegar a Londrina, os dois já haviam realizado um projeto semelhante em Presidente Prudente (SP), a partir do acervo fotográfico de um fotógrafo local.

Três mulheres posam lado a lado dentro da galeria de arte, sorrindo para a câmera. Ao centro está a professora Maria Luisa, coordenadora do projeto, usando colete marrom sem mangas e blusa clara. À esquerda, uma mulher veste camisa azul com estampa ondulada. À direita, outra mulher usa blusa preta de ombros à mostra e óculos claros. Ao fundo, paredes brancas com fotografias emolduradas da exposição.
Professora Maria Luisa, no centro, e família de Oswaldo Leite (Foto/Yumi Aoki)

A proposta, segundo Hoffmann, nasceu da percepção de que os espaços urbanos haviam se transformado ao longo do tempo e que a refotografia poderia revelar essas mudanças por meio da sobreposição entre passado e presente. “A gente recebeu o acervo de um fotógrafo, com imagens da cidade, e percebeu que os lugares tinham mudado ao longo do tempo. Então tivemos essa ideia de fazer as novas imagens, essa sobreposição. E o resultado ficou muito bacana”, explicou a coordenadora.

Ao chegar à UEL, a ideia foi adaptada à realidade de Londrina a partir do contato com as fotografias de Oswaldo Leite. Anteriormente, o acervo já havia sido estudado por pesquisadores como Paulo Boni, professor de jornalismo da UEL hoje aposentado. Boni foi orientador de Maria Luisa na graduação e, posteriormente, no mestrado. Foi por meio dele que a coordenadora conheceu o trabalho de Leite.

Cerca de 20 estudantes que participaram do projeto posam para uma foto em uma sala com paredes brancas, que seria a galeria em que as fotos do projeto foram expostas. Parte do grupo está em pé e outra parte está agachada na frente. A maioria sorri para a câmera. Eles usam roupas casuais em tons neutros, como preto, branco, azul e marrom. Ao fundo, há quadros com fotografias emolduradas alinhadas na parede. O chão é claro e liso, e a iluminação é uniforme.
Equipe do projeto (Foto/Yumi Aoki)

Quem foi Oswaldo Leite?

Oswaldo Leite não é um nome amplamente conhecido fora dos círculos de pesquisa, mas sua obra é uma das principais fontes visuais para compreender a história urbana de Londrina. Nascido em Itu, interior de São Paulo, em 1921, Leite chegou à Londrina 20 anos depois, em 1941. Começou a fotografar ainda enquanto trabalhava como servidor no setor de obras da Prefeitura Municipal. Autodidata, aprendeu a fotografar por tentativa e erro e passou a registrar as obras públicas como forma de comprovação dos serviços executados pelo poder público.

Retrato em preto e branco de Oswaldo Leite, um homem idoso, com cabelos curtos e grisalhos. Ele usa óculos de armação fina e tem expressão serena, olhando levemente para o lado esquerdo. Veste um suéter com listras largas e uma camisa clara por baixo. Está sentado, com o corpo levemente inclinado para frente. O fundo é desfocado e simples, destacando seu rosto e parte do tronco.
Fotojornalista Oswaldo Leite (Foto/Arquivo do MHL)

Somente em 1970, após décadas conciliando funções burocráticas e produção fotográfica, Oswaldo Leite foi oficialmente contratado como fotógrafo da prefeitura. Ao longo de sua trajetória, documentou o crescimento urbano, a abertura de avenidas, a construção de prédios públicos e a consolidação de Londrina como uma cidade moderna. Seu olhar atento transformou o cotidiano urbano de uma cidade em desenvolvimento em memória visual.

Oswaldo Leite não dispunha de equipamentos sofisticados para fotografar, mas tinha aquilo que é essencial a um bom fotógrafo: olhar sensível para o que via, percebia e se colocava diante de seus olhos. Durante anos, utilizou uma câmera Yashica Mat, modelo simples, mas funcional, que era de posse da prefeitura. Em muitas de suas imagens recorria a uma escada para alcançar pontos mais altos e obter ângulos privilegiados da cidade, um detalhe que se tornaria, décadas depois, um dos desafios enfrentados pelos estudantes do projeto na tentativa de refazer os mesmos enquadramentos de suas fotografias.

Londrina ontem – A cidade que Oswaldo Leite fotografou

A cidade registrada por Oswaldo Leite corresponde a um período de intenso crescimento econômico impulsionado pela cafeicultura, no momento muito forte no norte paranaense. Entre as décadas de 1940 e 1960, Londrina viveu sua fase mais próspera, com a construção de grandes obras públicas, edifícios emblemáticos e uma infraestrutura urbana que refletia o otimismo da época. Não por acaso, muitas das fotografias do acervo concentram-se na região central, onde o desenvolvimento era mais acelerado.

Esse cenário começou a mudar a partir da década de 1970, especialmente após a geada negra de 1975, que devastou os cafezais do norte do Paraná. A cidade precisou se reinventar, diversificando sua economia e investindo em ensino, pesquisa e prestação de serviços. As fotografias de Oswaldo Leite, portanto, vão além do registro de prédios e ruas, mas capturam um momento específico de abundância, transformação e identidade urbana.

Para Rebeca Mercuri, estudante de jornalismo do 4º ano, que veio para Londrina para cursar jornalismo, o projeto foi fundamental para conhecer melhor a história da cidade e explorar lugares que até então não conhecia. “Eu sou de outra cidade e, antes de entrar no projeto, conhecia pouquíssimos lugares. Ele me levou a espaços que eu nem sabia que existiam. Além disso, me ajudou a criar pontos de referência, porque quando você vai a um lugar para fotografar, passa a conhecer todo o entorno. São lugares que hoje reconheço e lembro por causa do projeto”, conta.

Londrina hoje – A cidade que Rebeca conhece

A Londrina que os estudantes do projeto conhecem tem outro ritmo, é atravessada por novas dinâmicas.  Se antes a cidade se projetava como símbolo de progresso e crescimento acelerado, hoje ela se apresenta como um espaço consolidado, marcado pela expansão urbana, pela verticalização e por transformações que nem sempre são homogêneas. O centro, os bairros e as áreas periféricas revelam diferentes tempos da cidade, que convivem lado a lado no cotidiano.

Para quem circula por Londrina atualmente, muitas das paisagens registradas por Oswaldo Leite já não existem da mesma forma. Ruas foram alargadas, edifícios substituíram construções mais baixas, praças ganharam novos usos e outros pontos desapareceram do mapa urbano. Ainda assim, vestígios do passado permanecem, seja fisicamente (uma construção por exemplo), seja na memória afetiva associada a determinados espaços.

Atualmente, Londrina é a segunda maior cidade do Paraná, atrás apenas da capital Curitiba, e concentra serviços, universidades e pólos econômicos. É nesse cenário que os estudantes, como Rebeca, foram convidados a olhar para a cidade com mais atenção. A Londrina de hoje, vivida por eles, deixa de ser apenas pano de fundo do cotidiano e torna-se objeto de observação e questionamento. Quando visitam os locais fotografados décadas atrás, o presente se mostra resultado de escolhas, continuidades e rupturas que ajudam a compreender a cidade para além de sua aparência atual.

Rebeca Mercuri, explica a importância e a potência de refazer as imagens do fotojornalista para o resgate da memória dos londrinenses. “Trazer esse fotógrafo foi uma coisa muito legal!  Uma pessoa que não era tão falada, não era tão conhecida nem mesmo pelos londrinenses. Há também essa importância histórica mesmo de retratar a mudança da cidade. Mostrar como a cidade evoluiu, o que tanto mudou nela, isso é muito legal, você comparar o passado e o agora por meio da fotografia” 

Da teoria à prática – Tudo acontece em campo

Para tornar possível a comparação entre passado e presente, os estudantes recorreram à metodologia conhecida como “revisita histórico-iconográfica”. A proposta consiste em retornar aos locais fotografados décadas atrás e refazer a imagem a partir do mesmo ponto de vista adotado pelo fotógrafo original, buscando o máximo de precisão no enquadramento.

O primeiro momento do projeto envolveu uma pré-seleção de diversas fotografias do acervo do museu, disponibilizadas na plataforma Pergamum Museus. Posteriormente, as imagens foram analisadas em conjunto pelos estudantes, durante as reuniões do projeto, para conferir a viabilidade de reprodução. Cada fotografia era analisada a partir de critérios pré estabelecidos, sendo eles: enquadramento, o local, a possibilidade de reproduzir a imagem no mesmo ângulo e as técnicas utilizadas pelo fotojornalista.

Após esse estudo e processo de seleção, os alunos partiram para a reprodução das fotografias pelas ruas da cidade. Ao todo, foram refeitas 44 imagens de Oswaldo Leite, sempre com a preocupação de alcançar a reprodução mais fiel possível, levando em consideração técnicas fotográficas, ângulo, enquadramento e o tipo de lente utilizada pelo fotojornalista.

Um dos grandes desafios relatados pela estudante Rebeca foi sair pelas ruas para reproduzir as fotografias. “A reprodução das imagens foi mais difícil de ser feita, porque envolve técnica, você tem que ter um olhar muito certeiro para conseguir captar exatamente como a foto é. Então as maiores dificuldades foram porque a cidade mudou muito, muitas outras coisas foram construídas, prédios, ruas, enfim, diversos aspectos mudaram.” ressalta Mercuri.

Um dos objetivos definidos pela professora Maria Luisa Hoffmann era diversificar os locais retratados, buscando reproduzir imagens de diferentes regiões de Londrina. Ao longo do trabalho, porém, a equipe se deparou com uma limitação do próprio acervo: a maior parte das fotografias concentra-se na região central da cidade. Essa predominância se explica pelo contexto da época, em que Londrina vivia um processo acelerado de crescimento urbano, com o centro como principal palco das transformações, das obras públicas e da afirmação da cidade como símbolo de progresso.

Mapa intitulado “Distribuição das Fotos por Londrina”. Mostra o município dividido em cinco regiões coloridas: Norte (azul claro), Centro (laranja), Oeste (azul escuro), Sul (verde claro) e Leste (verde escuro). Vários marcadores azuis indicam pontos de fotos, concentrados principalmente na região Central e parte da Leste. Há rosa dos ventos no canto inferior direito e, abaixo, um mapa do Paraná destacando Londrina em vermelho. Créditos: Conexão Ciência | Arte: Lucas Higashi.

O site

Com o avanço do projeto, a iniciativa ganhou novos contornos e propostas, como a criação de um site próprio para a exposição das imagens. A plataforma foi desenvolvida pelo estudante Bruno Massaru Futata Kato, no âmbito de um projeto de ensino Tecnologias da informação e Comunicação (TIC) coordenado pelo professor Fábio Sakuray, do curso de Ciência da Computação da UEL.

O lançamento do site contou com uma exposição que apresentou o antes e o depois de algumas fotografias, realizada no dia 16 de dezembro de 2024, na sala de exposições do CECA. Estiveram presentes participantes do projeto, convidados e familiares do fotojornalista Oswaldo Leite.

  • Em uma galeria de arte, quatro pessoas posam ao lado de um painel branco. No centro do painel há um desenho em preto do rosto de um homem idoso, acima de um traço arquitetônico, e a assinatura “Oswaldo Leite” no topo. Duas pessoas estão à esquerda e duas à direita do painel. Ao fundo, vê-se o espaço expositivo com paredes brancas e quadros pendurados.
  • Vista ampla do interior da galeria, com muitas pessoas em pé, reunidas em frente às paredes onde estão expostas fotografias emolduradas. O público observa e escuta atentamente alguém fora do enquadramento. O ambiente é iluminado por luz branca e tem clima de abertura de exposição.
  • Três pessoas observam uma fotografia emoldurada na parede. Um homem, em primeiro plano, estende o braço e aponta para um detalhe da imagem. As outras duas pessoas olham na mesma direção. Ao fundo, outras obras e visitantes aparecem de forma desfocada.
  • Uma mulher, vista de costas, fotografa, com o celular, uma sequência de imagens emolduradas na parede da galeria. As obras parecem fotografias aéreas ou paisagens urbanas. O espaço é claro, com paredes brancas e iluminação uniforme.
  • Duas pessoas observam de perto uma fotografia emoldurada que mostra uma vista aérea da cidade, com muitos prédios. Um homem aponta para um ponto específico da imagem, enquanto a outra pessoa acompanha o gesto com o olhar. A cena destaca a interação do público com a obra exposta.

Futuro

Para 2026 o projeto foi renovado, a expectativa da coordenadora é ampliar a divulgação do trabalho realizado no último ano. Ela ainda não descarta a possibilidade de ampliar a seleção de imagens. “Quem sabe, mais para frente, a gente possa pegar outros períodos ou outras fotos, porque o acervo do Oswaldo Leite é gigantesco, ele tem mais de 20 mil imagens da cidade. Então, pegar outras imagens que ainda não receberam tratamento analítico e criar, quem sabe, uma continuação desse projeto”, dividiu.

Parede branca da galeria com um grande texto curatorial escrito em preto. No topo, lê-se o título: “Ontem e hoje: a evolução da paisagem de Londrina através da fotografia”. Abaixo, há vários parágrafos explicativos sobre a obra e o acervo do fotógrafo Oswaldo Leite. À direita do texto, aparecem fotografias emolduradas penduradas na parede e parte do espaço expositivo da galeria.
Exposição das fotos do Projeto (Foto/Yumi Aoki)

Construção da memória: estudar o passado, entender o presente

Mais do que refazer imagens do passado, o projeto permitiu aos estudantes compreender a cidade como um espaço em constante transformação e a fotografia como ferramenta de preservação da memória coletiva. Ao colocar lado a lado o ontem e o hoje de Londrina, a iniciativa reforça a importância do olhar jornalístico na construção da história urbana e no registro das mudanças que moldam a identidade da cidade.

Para a coordenadora, o projeto cumpre um papel essencial na preservação da memória urbana de Londrina. Maria Luisa destaca ainda que o trabalho desenvolvido pelos estudantes contribuiu diretamente para qualificar o acervo do Museu Histórico, dado que por meio das pesquisas realizadas foi possível acrescentar novas informações ao acervo do MHL. “Muitas imagens não têm identificação, não têm data. Então quando a gente fez esse primeiro estudo para essa identificação, a gente acabou recuperando algumas informações que a gente não tinha. Então isso é importante”, contou.

Para a estudante Rebeca Mercuri, o Ontem e Hoje representou uma oportunidade de aprofundar, na prática, os conhecimentos técnicos aprendidos em sala de aula, além de transformar o seu olhar fotográfico. “Foi justamente isso o que eu mais aprendi: entender a câmera de verdade, porque é muito fácil você retratar uma coisa parada, outra coisa é uma cidade em movimento. Então a técnica de fotografia melhorou muito. E às vezes a gente tinha que ir para o meio da rua para tirar foto, então fazer uma foto rápida, com muita precisão, e isso foi o ponto principal, o momento que eu mais consegui aprender e entender mesmo como funciona no mundo da fotografia.” explica a estudante.

Ao unir pesquisa, fotografia e tecnologia, o projeto “Ontem e Hoje” mostra como a universidade pública pode atuar diretamente na preservação da memória coletiva e na formação crítica dos estudantes. Mais do que revisitar imagens históricas, a pesquisa propôs um olhar sobre a cidade com mais atenção, sensibilidade e responsabilidade, entendendo que registrar o presente também é uma forma de cuidar do futuro.

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Texto:
Sabrina Heck e Yumi Aoki
Supervisão de Texto: Ana Paula Machado Velho
Arte: Carlisle Ferrari
Supervisão de arte: Lucas Higashi
Edição Digital: Guilherme Nascimento

A pesquisa que mencionamos contribui para os seguintes ODS:

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