Sal de cozinha com nanociência é mistura saborosa!

Ilustração em fundo azul escuro mostra uma mão em primeiro plano segurando uma pinça metálica. A pinça segura uma pequena peça dourada com formato alongado e levemente afunilado. A unha visível está pintada de lilás. À esquerda da imagem há uma grande estrutura clara formada por várias esferas conectadas por linhas, criando uma rede sinuosa. Ao redor do objeto aparecem pequenos desenhos de átomos, órbitas e estruturas moleculares. No fundo também há linhas horizontais, números e marcações semelhantes às de um gráfico, com indicação de mV, distribuídas nas laterais da composição. No canto inferior esquerdo aparece o crédito “Conexão Ciência | Arte: Mariana Muneratti”.
Protótipo da UFPR de uma bateria à base de cloreto de sódio, flexível, transparente e sustentável, promete revolucionar armazenamento de energia

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Para quem ainda pensa que o sal serve apenas para temperar e dar gosto às receitas culinárias, precisa atualizar seus conhecimentos. Em tempos imemoriais, o sal foi uma das commodities mais valiosas da história, agindo como conservante de alimentos essencial, moeda de troca chamada ‘ouro branco’ e motor de impérios. 

Por milênios, permitiu a conservação de carnes e peixes, possibilitando longas viagens e a expansão de civilizações. Vale lembrar ainda que o termo “salário” originou-se do pagamento aos soldados romanos com sal.

Na ciência, a aplicação em várias frentes fez do cloreto de sódio (NaCI), encontrado no sal de cozinha, a base para experimentos em laboratórios, nas indústrias de energia, eletrônica e meio Ambiente, medicina e, até, na extração do DNA de plantas e animais. Assim, diversos fenômenos físicos/químicos usam o composto devido a sua estrutura iônica, solubilidade e propriedades osmóticas, ou seja, como os sais são organizados, se dissolvem e afetam o movimento da água.

A imagem é um infográfico com fundo azul texturizado. No topo, em letras grandes e brancas, aparece o título: “Versatilidades da bateria de íon-sódio”. No centro da composição há a silhueta preta de um rosto humano visto de perfil, voltado para a direita, com traços geométricos e estilizados. Ao redor da cabeça há um grande círculo fino e claro, dentro do qual estão distribuídas várias palavras e pequenas frases que destacam características dessa tecnologia de bateria. No lado esquerdo do círculo aparecem quatro tópicos. O primeiro é “Originalidade”, acompanhado da explicação “íons-sódio, filmes finos e eletrólito aquoso”. Abaixo está “Transparência”, com a frase “permite aplicações inéditas”. Em seguida aparece “Flexibilidade”, com a explicação “utilização em variadas superfícies”. Por fim, “Leveza”, com a frase “nanoestruturas superam restrição tecnológica”. No lado direito do círculo também há quatro tópicos. O primeiro é “Segurança”, acompanhado da frase “solvente à base de água evita explosões”. Logo abaixo aparece “Sustentável”, com a explicação “produzida com materiais ecológicos”. Em seguida está “Eficiência”, com a frase “alto desempenho no armazenamento”. Por fim, “Baixo custo”, com a explicação “sódio é abundante, barato e distribuído por todo o planeta”. No canto inferior esquerdo da imagem está escrito “Fonte: GQM/UFPR”. Na lateral direita, em posição vertical, aparece o crédito “© Conexão Ciência | Arte: Lucas Higashi”. O conjunto visual destaca as principais vantagens e aplicações das baterias de íon-sódio.

No contexto de armazenamento de energia, pesquisadores de todo o mundo estão, há décadas, tentando encontrar soluções que substituam o metal lítio (Li), como sódio e potássio, elementos mais fáceis e baratos de encontrar na natureza. A priori, uma nova bateria que fosse de baixo custo, flexível, transparente e não tóxica, iria gabaritar em todos os quesitos quando o objetivo é a descarbonização da matriz energética.

Nessa corrida, a pesquisa desenvolvida na Universidade Federal do Paraná (UFPR) usou o sódio encontrado no sal de cozinha para criar um protótipo de bateria funcional que reúne, simultaneamente e de forma inédita para o setor, três características inovadoras: ela é flexível, transparente e funciona em meio aquoso, eliminando riscos de explosões. 

Ciência com paixão

O protótipo foi criado no Grupo de Química de Materiais (GQM), que tem à frente o Aldo José Gorgatti Zarbin, professor do Departamento de Química da UFPR e que pesquisa o tema há quase três décadas. A bateria foi desenvolvida durante o mestrado, o doutorado e o projeto de pós-doutorado da pesquisadora Maria Karolina Ramos, orientada por ele, com atributos que possibilitam uma série de aplicações inovadoras das baterias, desde eletrônicos vestíveis a roupas e até em janelas inteligentes. 

A paixão de Maria Karolina pela Química se deu ainda na adolescência, quando já tinha definido o que iria estudar no futuro. “Em 2013, no meu primeiro ano da graduação em Química Tecnológica, com ênfase em Química Ambiental, na Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), eu já fazia iniciação científica, o que não era comum. Com duas semanas na universidade, eu já estava no laboratório sob orientação da professora Cristiana Andrade Pessoa”, relembra a pesquisadora.

A graduanda Maria Karolina começou a ter contato com o ambiente científico ao participar da pesquisa da, então doutoranda, Rosana Mossanha,  desde os artigos científicos até como usar uma micropipeta no laboratório, conhecendo o tipo de técnica que se usava, inclusive as eletroquímicas. No final da graduação, o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) não podia ter outro tema senão os ligados ao laboratório.

A imagem mostra uma mulher em um laboratório científico. Ela está usando um jaleco branco, luvas azuis e óculos de grau, e sorri enquanto olha para a câmera. Seu cabelo está preso para trás e ela parece estar preparada para realizar atividades ou experimentos no laboratório. Ao redor dela há bancadas cheias de equipamentos e materiais de laboratório, como frascos, recipientes, suportes, placas aquecedoras e diferentes vidrarias usadas em experimentos científicos. O ambiente é organizado e bem iluminado, típico de um laboratório de pesquisa ou ensino. Ao fundo, é possível ver outra pessoa em pé perto de uma bancada, aparentemente usando um celular, além de um computador e mais equipamentos científicos espalhados pelo espaço.
Pesquisadora Maria Karolina Ramos, no laboratório da Universidade Federal do Paraná (Foto/Arquivo Maria Karolina Ramos/GQM/UFPR)

Ainda no final do primeiro ano, dos cinco do curso, durante um simpósio na UEPG, o professor Zarbin fez a palestra de abertura. “Não o conhecia pessoalmente, mas sabia que ele trabalhava com nanomateriais, com nanotecnologia, esse tipo de pesquisa. E as palestras do professor Aldo são sempre muito inspiradoras”, recorda Karolina.

Em 2017, decidida a fazer mestrado na sequência, ela se encontrou novamente com o palestrante, no mesmo simpósio. A conversa foi rápida, já que ela estava decidida “Fiz a prova, passei, consegui bolsa e entrei no grupo de Química de Materiais, que é o grupo da UFPR e eu estou aqui até hoje”, conta a pesquisadora.

Filmes finos

Com o trabalho no grupo de pesquisa coordenado por Zarbin, o interesse por nanomateriais e, consequentemente, nanotecnologia, só aumentou. “No começo, eu escolhi um projeto que eu pudesse sintetizar materiais. Então, uma das grandes frentes que a gente tem é a técnica chamada LLIR, do inglês Liquid-Liquid Interfacial Route. Usamos dois líquidos imiscíveis, que não se misturam, para produzir filmes finos na interface entre esses líquidos e, a partir desse filme fino, a gente consegue depositar em diferentes substratos que permitem essas variadas aplicações”, explica Maria Karolina. 

O protótipo inovador da bateria de íon-sódio (SIBs) é resultado de estudos, desde 2018,  do conhecimento acumulado na linha de pesquisa do professor Aldo, somado ao que ela construiu em seus anos de estudos no laboratório do GQM/UFPR.

A imagem mostra um homem adulto dentro de um laboratório científico. Ele está em pé, usando um jaleco branco de pesquisador, e olha diretamente para a câmera com uma expressão séria e concentrada. O homem segura, com uma das mãos, um frasco de vidro de laboratório em formato cônico, contendo um líquido transparente. Com a outra mão, ele aponta para o frasco, como se estivesse mostrando ou explicando o conteúdo. Ao redor dele há uma bancada de laboratório comprida, cheia de equipamentos e materiais usados em experimentos, como frascos de vidro, copos de laboratório, tubos, suportes metálicos e pequenos recipientes com substâncias coloridas. Alguns aparelhos e utensílios científicos também estão espalhados pela mesa. O ambiente é claro, organizado e bem iluminado. No fundo da sala é possível ver portas de madeira com pequenas janelas de vidro e prateleiras com mais materiais e equipamentos. O cenário transmite a ideia de um local de pesquisa ou ensino científico, onde são realizados experimentos e estudos químicos.
Professor e coordenador do Grupo de Química de Materiais, da Universidade Federal do Paraná (Foto/Marcos Solivan/SUCOM-UFPR)

Em 2023, já havia sido publicado um artigo no periódico da Royal Society of Chemistry, que destacava a composição obtida com a nanoarquitetura. O texto ressalta que “os dispositivos resultantes oferecem um desempenho eletroquímico robusto, mantendo a segurança, o baixo custo e a compatibilidade ambiental, contando com a água como solvente e o sódio como portador de carga, ambos abundantes e não tóxicos. Além disso, o uso mínimo de materiais ativos apoia o desenvolvimento de dispositivos leves, sistemas de armazenamento de energia de alta eficiência e escaláveis, alinhados com os dispositivos futuros que exigem transparência e flexibilidade”. Desde então, a pesquisa ganhou robustez e relevância, tanto que já foi dada entrada na requisição da patente pelo grupo.

“O material que a gente sintetizou tinha esse potencial para ser aplicado em bateria. Mas além disso, o trabalho teve uma grande repercussão agora porque foi onde a gente conseguiu fazer um protótipo e tudo mais”, avalia Maria Karolina.

O próximo passo é continuar a explorar os potenciais do filme fino. “Temos um longo caminho ainda de estudos para viabilizar o projeto em termos de mercado. Entramos na fase de acrescentar células fotoelétricas para verificar se a bateria de íon-sódio, além de armazenar, é capaz de gerar energia”, adianta a pesquisadora.

Uma fotografia em plano médio e ambiente interno mostra cinco pessoas, quatro mulheres e um homem, posando para a foto em um laboratório de química ou biologia. Todos estão de jalecos brancos. O homem, mais alto que as demais, está no centro da imagem. Ele tem cabelos grisalhos curtos e veste uma camisa azul por baixo do jaleco, calça bege e sapatos pretos. À esquerda do homem, há duas mulheres. A que está mais à esquerda tem cabelos castanhos presos, usa óculos de armação escura e luvas azuis. A mulher ao lado dela tem cabelos escuros longos e usa óculos. À direita do homem, há outras duas mulheres. Ambas têm cabelos escuros presos e usam óculos. A mulher mais à direita tem um leve sorriso. O laboratório possui bancadas brancas com tampos de azulejos beges. Sobre as bancadas, veem-se diversos equipamentos de laboratório, como béqueres, frascos e recipientes plásticos. Ao fundo, há prateleiras com livros e pastas, uma porta de madeira escura e janelas com esquadrias de metal. O chão é de cerâmica clara. A iluminação é artificial e uniforme.
Integrantes do GQM/UFPR, da esquerda para a direita: Patrícia Araujo, pesquisadora de pós-doutorado, Ana Paula Cardoso, estudante de mestrado, professor José Aldo Gorgatti Zarbin, Maria karolina Ramos e Maria Caroline Sohn Gomes, estudante de doutorado (Foto/Marcos Solivan/SUCOM-UFPR)

Reconhecimento

Em dezembro de 2025, o professor José Aldo Zarbin recebeu, pelo conjunto da pesquisa, o Prêmio Paranaense de Ciência e Tecnologia, na categoria “Pesquisador”, na área de Ciências Exatas e da Terra. Organizado pela Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná (Seti), o prêmio, que está em sua 38ª edição, é voltado para pesquisadores e cientistas vinculados às instituições públicas e privadas de ensino superior e de pesquisa, além de inventores independentes e jornalistas que atuam nos meios de comunicação de todo o estado.

À época da premiação, o professor afirmou que, “sempre que a gente pode receber qualquer tipo de reconhecimento pelo trabalho que fazemos é bastante positivo, então, fiquei muito satisfeito”.

A trajetória de Zarbin na Química é bem similar a de Maria Karolina. Ainda no Ensino Médio e logo no primeiro semestre da graduação em Química, em 1986, pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a paixão aflorou e traçou o destino na academia do atual pesquisador e docente da UFPR.

“Lembro que antes de entrar na graduação, uma multinacional fazia uma propaganda na televisão que tinha como mote ‘a Química a serviço da vida’. Eu achava a coisa mais bacana”, lembra o professor. O interesse pela nanociência se aprofunda à medida que as pesquisas avançam. “A minha tese de doutorado é a primeira em Química, no Brasil, que tem o prefixo nano, lá em 1997”. 

O Conexão Ciência preparou um vídeo que explica o conceito de nanociência, sua história e aplicações na atualidade. Dê um play!

Docente na UFPR desde 1998, Zarbin coordena o Grupo de Química de Materiais e também uma rede de pesquisadores de 26 instituições em todo o Brasil, o INCT de Nanomateriais para a vida, que recebe financiamento do CNPq desde 2023, e passará a ter fomento da Fundação Araucária a partir de 2026. Os Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCT) são estruturas de pesquisa que desenvolvem projetos em rede de maneira articulada, com foco na solução de problemas nacionais e em estudos em áreas estratégicas do conhecimento.

O Nanomateriais para a vida (NanoVida) que tem como objetivo preparar novos nanomateriais para resolver problemas que impactam diretamente a vida do cidadão comum nas áreas de energia, meio ambiente e de diagnóstico. Com recursos da Fundação Araucária, será possível fortalecer grupos de excelência reconhecidos nacionalmente, aprimorando a infraestrutura de pesquisa, a formação de recursos humanos e a capacidade de inovação dos INCTs instalados no Paraná.

Sinergismo entre materiais

O prefixo ‘nano’ vem do grego ‘anão’. Na ciência, o ‘n’ é símbolo usado para representar o tamanho 10−9  ou 0,000000001, que é igual a um milionésimo de milímetro. Assim, quando você ler ou ouvir algo com esse prefixo, saiba que se está tratando de algo extremamente minúsculo, ou seja, a nível atômico. Este é o princípio básico da nanotecnologia para a construção de estruturas e novos materiais a partir dos átomos.

O doutorado de Zarbin, defendido em 1997, na UNICAMP, sob orientação do professor Oswaldo Alves, foi baseado em nanocompósitos, que é uma mistura entre dois materiais, no caso era um vidro e um polímero, ou um vidro e uma partícula de óxido. Já no pós-doutorado, seu mentor foi Daniel Mario Ugarte, professor da Unicamp que na época era pesquisador do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM).

“O professor Daniel era o brasileiro que estava trabalhando com nanotubos de carbono, uma nova forma de carbono, que foi descoberta em 91. Com ele me apaixonei completamente por aquilo, tendo a certeza que eu precisava trabalhar com nanoestrutura de carbono”, reforça.

A imagem apresenta um infográfico com fundo em tons de verde e azul, com textura granulada. Na parte superior, centralizado e em letras grandes pretas, está o título: “Desenvolvimento tecnológico a partir da Nanociência”. Abaixo do título aparecem três faixas horizontais alongadas, com cantos arredondados e cor verde-clara, organizadas em formato de etapas ou fluxo. A primeira faixa, posicionada mais acima e levemente inclinada, contém o texto: “Formação de filme fino e eletrodeposição usando nanotubos de Carbono (CoCNTs) como precursor para obter o nanocompósito de Hexacianoferrato de Cobalto (CoHCF)”. A segunda faixa aparece logo abaixo, também horizontal e ligeiramente deslocada, com o texto: “Reação para produzir nanocompósito de Óxido de Grafeno reduzido, Nanopartículas de Óxido de Cobre e Dissulfeto de Molibdênio (rGO/CuxO/MoS2)”. A terceira faixa fica na parte inferior do conjunto e traz o texto: “Deposição do hidrogel de Álcool Polivinílico, Cloreto de Sódio e Ácido Bórico (PVA/NaCl/H3BO3) no conjunto do dispositivo de bateria”. No canto inferior esquerdo está escrito “Fonte: GQM/UFPR”. No canto inferior direito aparece o crédito “© Conexão Ciência | Arte: Lucas Higashi”. O conjunto visual sugere uma sequência de etapas de desenvolvimento tecnológico baseada em Nanociência.

E é na nanoarquitetura que a bateria de íon-sódio desenvolvida no Paraná encontra sua inovação. “Recém contratado na UFPR, mesmo sem estrutura e apoio de agora, tive a oportunidade de ser um dos primeiros a trabalhar com um tema muito quente”, enfatiza o professor.

Com o seu grupo já minimamente organizado, Zarbin foi um dos primeiros a sintetizar nanotubos de carbono no Brasil. “A gente fez um nanotubo que era diferente, e a diferença é que podia ser usada por bem”, salienta o pesquisador.

Na tese de doutorado de Maria Karolina, sob orientação de Zarbin, foi desenvolvida uma nanoarquitetura com três materiais distintos, criando um filme fino envolvendo nanoestruturas de carbono, que possibilitou a criação de um protótipo de bateria de íon sódio flexível, transparente, extremamente fina e leve, impermeável, além de ser sustentável e de baixo custo. Como sabemos, o lítio usado nas baterias de celulares é um metal raro, que no processo de extração produz sérios impactos ambientais. Por isso, a bateria de íon-sódio é a promessa de uma solução  eficiente energeticamente, ambientalmente e econômica. E não explode, como as de íon-lítio.

“Essa foi a história da minha vida, em que a ciência é uma coisa fantástica. Acho até que o mais fascinante da ciência é o seguinte: você tem um foco, um objetivo, vai fazendo experimentos, vai obtendo respostas que muitas vezes você não esperava. Porém, as respostas te abrem novos caminhos e a gente vai caminhando de mãos dadas com a ciência, sempre”, finaliza Zarbin.

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Texto:
Silvia Calciolari
Revisão de texto: Ana Paula Machado Velho
Edição de vídeo: Luiza da Costa
Arte: Mariana Muneratti e Lucas Higashi
Edição Digital: Guilherme Nascimento

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