Quando falamos em ciência nas escolas, logo nos vem à memória uma aula tradicional: professora de um lado, alunos do outro. Claro, muitas vezes, íamos até o laboratório para uma aula mais prática. Porém, nunca além disso, e é compreensível, professores com planos de aulas a cumprir, pouco tempo e nem sempre o interesse da turma colabora.
Foi por isso que, quando soube da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência algo me chamou muita atenção: um lugar próprio para os alunos aprenderem e desenvolverem experiências. O conhecimento científico que parecia distante da minha realidade de estudante, é um caminho eficiente para quem está na Educação Básica da Rede Estadual de Ensino do Paraná.
Os 200 Clubes financiados pela Fundação Araucária são distribuídos em 31 dos 32 Núcleos Regionais de Educação do Paraná. Eles são um dos projetos do Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação – NAPI Paraná Faz Ciência que é gerido pelos articuladores Débora Sant’Ana, da Universidade Estadual de Maringá (UEM), e Rodrigo Reis, da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
O NAPI nasceu com um grande propósito de melhorar a cultura científica do Paraná. Conforme Débora, é por meio da divulgação científica que a ciência pode ser popularizada para todo mundo, inclusive, sendo apoiada pelas escolas. Neste sentido, a Rede de Clubes desempenha o papel de reforçar essa cultura, já que o intuito é aumentar o interesse dos estudantes pela ciência e pelas carreiras científicas.
São aproximadamente cinco mil estudantes e, em média, 300 professores nesta grande rede que beneficia escolas, docentes e alunos. Com possibilidade de bolsas para os professores coordenadores dos clubes, a participação de alunos e escolas em feiras de ciências e a promoção de uma formação continuada. Além disso, há um investimento total de R$ 23,5 milhões para ser utilizado em 30 meses de projeto.
A implantação dos clubes aconteceu em 2024, mas em fase mais burocrática, da execução dos convênios. Este ano, muitos planos estão se concretizando de forma efetiva. Uma das novidades é a compra de material e contratação de serviços necessários para as atividades dos clubes.
Débora explica que tudo ainda é muito inovador para todas as instâncias, “por exemplo, o processo de compras, está começando a acontecer conforme as possibilidades. Isso porque são compras públicas que estão sendo feitas pelas universidades e fundações de apoio dessas instituições, logo é um processo burocrático. Mas, é um momento muito rico para os clubes de ciências com possibilidade de recurso financeiro para execução de projetos”.
Do ínicio ao impacto

A Rede de Clube surgiu da vivência e do diálogo que os professores tiveram no Ciência Viva de Portugal. Neste ambiente, eles perceberam que essa Rede é o motor indutor do que eles chamam de movimento social pela ciência. Segundo o professor Rodrigo, eles já tinham a previsão de ter os clubes de ciência quando idealizaram o NAPI Paraná Faz Ciência, mas era de uma maneira muito mais simples. Após a visita a Portugal, a situação se alterou, porque ficou nítida a potência deste projeto.
Os clubes de ciências são espaços que oferecem aos alunos autonomia e protagonismo. Segundo a professora Débora, diferentemente do ambiente cotidiano de sala de aula com prazos e processos avaliativos formais, a ideia da Rede de Clubes é desenvolver competências e habilidades em torno do trabalho em equipe, liderança, organização do tempo e habilidade de observação.
A possibilidade dos clubes de desenvolverem soluções para problemas locais ou regionais, é um outro benefício. Conforme Débora, “um problema que impacta a vida deles de alguma maneira, eles podem, de forma ativa, contribuir, estudar ou compreender”.
Em relação aos professores, ser coordenador de um clube é uma oportunidade de trabalhar a iniciação científica na escola. Também é uma maneira dos educadores terem mais autonomia, “porque nós estamos falando de um projeto desenvolvido pelo professor com os alunos a partir das propostas que eles pensaram também. Então isso é muito gratificante para um professor que nem sempre tem oportunidade de fazer alguma coisa diferente também voltado para a comunidade”, explica a professora da UEM.
O professor Rodrigo acrescenta que a chance de participar da Rede de Clubes foi facilitada pela definição de uma carga horária para os educadores, além de uma bolsa-auxílio – embora não seja a principal motivação, pelo valor simbólico se comparado ao trabalho gerado por um clube –, porém, ainda assim é uma forma de valorizar esse tipo de atividade pedagógica.
Segundo Reis, “isso veio da vivência que tivemos em Portugal, lá havia esta contrapartida do Ministério da Educação para os professores. Foi identificado a importância desse espaço e incentivo como chave determinante para que eles se engajem ainda mais nessas iniciativas”.
Os articuladores sinalizam que para ambos envolvidos, alunos e professores, há o ganho com as universidades. Com parceria, pontos de referência, acesso aos cursos de formação continuada e trocas com os profissionais que estão para apoio. Segundo a professora Débora, este é um benefício também para a própria universidade que recebe os clubistas, porque se retroalimenta e possibilita perceber o cotidiano da educação.
Fortalecimento da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência

A ideia inicial da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência pela Fundação Araucária e pela Secretaria de Estado da Ciência Tecnologia e Ensino Superior (SETI) se expandiu, e com a seleção em um edital do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), por meio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), foi possível abrigar mais clubes de ciência, nos moldes do projeto da Rede de Clubes, porém nomeados de Rede de Clubes Paraná Faz Ciência ‘Maker’.
Os 45 clubes ‘makers’ (fazedores, em tradução aproximada) são realizados com atividades ainda mais práticas. Em geral, eles têm bolsas para uma parte dos estudantes e em relação à temática, a expectativa é que tenham o envolvimento de robótica ou de assuntos mais técnicos, como prototipagem e execução de modelos. Outro clube de ciência via CNPq é a Rede de Clubes Paraná Faz Ciência Meninas, que acolhe projetos desenvolvidos por meninas e mulheres.
Para Débora e Rodrigo, a estruturação da Rede de Clubes possibilitou e potencializou a capacidade do Paraná de captar recursos em outros editais para fortalecer e ampliar mais essa Rede. Ao todo, já se contabilizam 292 clubes. “A gente tenta uniformizar ao máximo os processos para que todos eles façam parte de uma mesma rede. Mas, como cada recurso vem de uma fonte diferente que tem editais e regras, elas acabam tendo algumas diferenciações”, explica Débora.
Em relação a estrutura dos clubes, há muitas pessoas envolvidas, que prestam apoio e acompanham a Rede de perto. Entre elas, articuladores em universidades que fazem a coordenação geral das ações; professores orientadores responsáveis por dar apoio diretamente aos professores e estudantes clubistas; há a supervisão de uma equipe pedagógica e administrativa; um grupo de profissionais de comunicação dedicado à divulgação; sem contar o grupo de pós-doutorandos responsáveis pela gestão e a pesquisa realizada pelos integrantes da Rede. Não podemos deixar de citar os estudantes de Iniciação Científica (IC) e do Programa Institucional de Bolsas de Extensão (PIBEX), que apoiam os Clubes enquanto aprendem a atuar no mundo da popularização da ciência.
Além disso, são doze instituições envolvidas no projeto: Universidade Federal do Paraná (UFPR), Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Universidade Estadual de Londrina (UEL), Universidade Estadual de Maringá (UEM), Universidade Estadual do Centro Oeste (UNICENTRO), Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE), Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP), Universidade Estadual do Paraná (UNESPAR), Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA), Instituto Federal do Paraná (IFPR) e Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS).

Se você ficou interessado e quer saber mais sobre a Rede de Clubes, não deixe de ouvir o podcast “Conexão Rede de Clubes Paraná Faz Ciência”. Lá, você encontrará informações mais detalhadas da história desta rede, das experiências de professores e alunos, além dos benefícios de fazer parte desse espaço científico na Educação Básica!
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Texto: Ana Carolina Arenso Barbosa
Revisão de texto: Ana Paula Machado Velho
Arte: Lucas Higashi
Supervisão de arte: Lucas Higashi
Edição Digital: Guilherme Nascimento
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