Transformando a educação no Brasil

PET Letras, da Unicentro, transforma a literatura em ponte entre universidade e comunidade

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Minhas primeiras lembranças de vida são com livros. Na minha perspectiva de criança, eu enxergava as enormes estantes de casa como GIGANTES! E, nelas, incontáveis livros que eu adorava folhear mesmo sem entender nada. Assim começou uma amizade de décadas entre eu e a literatura.

Com incentivo, a leitura se tornou um hábito que fui gostando cada vez mais. Lembro dos clássicos da literatura brasileira infantil, como “O Menino Maluquinho”, de Ziraldo, e “Marcelo, Marmelo, Martelo”, de Ruth Rocha. Com eles, a minha imaginação ia longe! Inclusive, adorava andar pela casa com uma panela na cabeça.

A transformação social que a leitura pode criar, desenvolvendo grandes personalidades, é gigante, mas parece não ser prioridade para muita gente. Cada vez mais vemos estudos sendo divulgados sobre o hábito da leitura ter diminuído, como se ler por prazer agora, entrasse em uma competição com as redes sociais pela atenção.

Além de ser uma fonte de aprendizado, a leitura nos ajuda a expandir nosso conhecimento e a ter um desenvolvimento cognitivo, combatendo o analfabetismo funcional.

Essa transformação ocorre em uma sala de aula de uma escola pública de Guarapuava, onde alunos do 6º ano do Ensino Fundamental nadam contra a maré através de um projeto chamado “Leia, criança”. Nele, jovens estudantes são apresentados ao infinito universo dos livros.

É graças ao Programa de Educação Tutorial de Letras (PET Letras), da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), em Guarapuava, no Paraná, que os alunos são instruídos ao letramento literário desde cedo em um ambiente de escuta, diálogo e criação. Isso faz despertar o olhar sensível e o entendimento dos sentidos por meio de atividades lúdicas, leitura orientada e outras experiências, favorecendo o desenvolvimento cognitivo, emocional e social das crianças.

Com ações integradas entre petianos (participantes do PET), escolas e comunidade, a iniciativa põe em prática uma frase que me marcou bastante: “a leitura é um exercício da liberdade”, já que nos proporciona o poder de viajar entre incontáveis mundos por diversas perspectivas, através da imaginação.

  • A imagem mostra uma televisão de tela grande fixada na parede de uma sala, provavelmente em um ambiente escolar ou de apresentação. Na tela está sendo exibido um cartaz do projeto “Leia, Criança!”, com uma ilustração colorida de duas crianças lendo um livro juntas, cercadas por elementos lúdicos e estrelas, reforçando a temática da leitura infantil.
Ao redor da televisão há cortinas claras cobrindo as janelas, e a iluminação do ambiente reflete na tela. Abaixo da TV é possível ver um equipamento eletrônico apoiado em uma pequena prateleira, possivelmente um computador ou dispositivo de mídia utilizado para exibir o conteúdo.
  • A imagem mostra um grupo de estudantes reunidos dentro de uma sala de aula, posando para uma foto coletiva. A maioria das crianças veste camisetas brancas com a palavra “Visconde” estampada, combinadas com calças cinzas.
O ambiente é uma sala de aula, há um quadro verde, uma tela de projeção, um relógio na parede e um ventilador, além de armários escolares. Na parte frontal da imagem aparecem mesas com cadernos, estojos e garrafas de água.
  • A imagem mostra uma sala de aula com estudantes sentados em suas carteiras individuais, distribuídas em fileiras. Alguns alunos estão escrevendo ou desenhando em cadernos e folhas, enquanto outros olham para a câmera e sorriem. Um estudante ao fundo faz um gesto com as mãos levantadas, mostrando um momento descontraído durante a atividade. Sobre as mesas é possível ver estojos, cadernos e materiais escolares, sugerindo que estavam realizando uma tarefa ou exercício.

Sobre o Programa de Educação Tutorial

Lançado em 2005 e popularmente conhecido como PET, o Programa de Educação Tutorial concede bolsas a estudantes da graduação e professores tutores nas instituições de educação superior de todo o Brasil. Desde então, os três pilares da educação universitária, ensino, pesquisa e extensão, são fortalecidos e promovidos de forma integrada.

O programa está regulamentado pela Lei nº 11.180/2005 e na Portaria do Ministério da Educação (MEC) nº 976/2010. O PET ajuda a formar profissionais críticos, reflexivos e comprometidos, em grupos de até doze estudantes de graduação orientados por um professor tutor. 

Os mais de 10 mil bolsistas do país, de instituições públicas ou particulares,  desenvolvem ações que articulam conhecimento acadêmico e compromisso social e transformam o meio em que vivemos. No caso do PET Letras, da Unicentro, a inscrição para participação pode ser feita após a abertura do edital pela Pró-Reitoria de Ensino da Unicentro. Vale destacar que o graduando deve manter boas notas para permanecer no programa.

Universidade em movimento

Para a professora tutora do PET Letras, Níncia Cecília Ribas Borges-Teixeira, pesquisadora na área de Letras da Unicentro, a literatura nunca foi apenas objeto de estudo, mas sim, a ponte entre a teoria e a prática. No caso do PET Letras, pode ser vista como uma das pontes entre a universidade e a comunidade.

“Nosso objetivo é fortalecer a leitura literária, o pensamento crítico e a formação de leitores em diferentes faixas etárias”, destaca.

À frente do PET Letras da Unicentro, ela coordena um conjunto de ações que, ao mesmo tempo em que instruem os estudantes a pesquisar, a ensinar e a organizar projetos, transformam a leitura em formação crítica e cidadã.

Em um cenário em que o acesso à leitura e à universidade ainda é desigual, ações como as do PET Letras democratizam o conhecimento e aproximam diferentes gerações por meio da literatura. Além do “Leia, Criança”, o PET conta com as ações “Entre Linhas e Leituras”, clube do livro aberto à comunidade; “Memórias em Poemas”, oficina de escrita com a terceira idade; e “Literashow” e “ESCREVA!!”, que são voltados à preparação de vestibulandos e estudantes da rede pública para o ingresso no ensino superior.

A imagem é um infográfico com fundo amarelo e um padrão repetido de livros abertos em tom mais claro. O estilo é ilustrado, com aparência de anotações em papel e setas desenhadas à mão, como se fosse um mapa de ideias.
No topo está o título, em fonte grande e preta: “Objetivos principais do PET Letras em 2026:” Abaixo, aparecem seis objetivos, cada um acompanhado de um papelzinho numerado (1 a 6) e conectados por setas curvas, formando um fluxo visual entre os tópicos.
No rodapé está o crédito: © Conexão Ciência | Arte: Madu Tenório
No geral, a imagem comunica de forma visual e didática os principais objetivos do PET Letras para 2026, usando uma estética de planejamento criativo e acadêmico.

O PET como experiência coletiva transformadora

A doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Letras da Unicentro, Andriele Aparecida Heupa, ressalta que o PET é um espaço de pertencimento e construção coletiva, não apenas acadêmico.

Ela teve a oportunidade de ingressar no PET Letras no último ano de graduação e considera a participação como muito decisiva e produtiva em sua história. Lá, pôde desenvolver trabalho em equipe, diálogo e escuta nas oportunidades que teve de atuar em oficinas de Latim/Estudos Latinos, por exemplo, para ajudar alunos com dificuldade.

Além de ser um ótimo campo para seu desenvolvimento intelectual, Andriele julgou que a participação no PET agregaria em seu currículo, já pensando no ingresso para o mestrado. E mais: a bolsa recebida foi super bem-vinda para auxiliar nas despesas de transporte e moradia.

Andriele aconselha aos graduandos que entrem no PET quanto antes!

“O crescimento, tanto acadêmico quanto pessoal e profissional, é enorme. Você consegue aprender coisas novas, ter desafios, mas com eles você vai aprendendo, melhorando, se aprimorando, e percebendo em que área você tem mais afinidade, em que área você quer atuar, porque dentro das Letras são muitos caminhos a seguir”, enfatiza a doutoranda.

Em 2023, já atuando como professora no Colégio Estadual do Campo de Palmeirinha, levou o PET Letras para apresentar um projeto de extensão vinculado, com o tema “Pedagogia dos Sentidos e Letramento Midiático para o Empoderamento Feminino”.

  • A imagem mostra um grupo de jovens reunidos em frente a um muro com um grafite colorido escrito “Palmeirinha!”. A pintura tem estilo urbano, com letras grandes em azul e amarelo, além de desenhos que remetem à cultura hip-hop, como um personagem com boné e elementos gráficos ao redor.
Ao todo, cerca de 13 pessoas aparecem na foto, a maioria adolescentes ou jovens adultos. Parte do grupo está sentada ou agachada no chão, enquanto alguns permanecem em pé nas laterais. Eles usam roupas de frio, como jaquetas, casacos e moletons, sugerindo um dia mais frio.
O ambiente é o espaço externo de uma escola, com piso de cerâmica e uma parede pintada em dois tons, bege na parte inferior e branco na parte superior.
  • A imagem mostra uma sala de aula durante uma apresentação. Na frente da sala, Emilly e Jaqueline, duas mulheres estão em pé ao lado de uma tela de projeção. Elas parecem estar conduzindo uma atividade ou palestra para os alunos. Ambas usam coletes claros, possivelmente de um projeto ou programa institucional.
No projetor, aparece um slide azul com o título: “Mulheres na Luta — 150 anos em busca de liberdade, igualdade e sororidade.” Abaixo do título há uma ilustração com várias mulheres, representando diversidade e mobilização social.
Em frente à apresentação, há vários estudantes sentados em carteiras escolares, vistos de costas, prestando atenção. Alguns usam casacos de inverno, sugerindo um dia mais frio.
  • A imagem mostra uma sala de aula durante uma atividade ou apresentação educativa.
Na frente da sala há duas mulheres conduzindo a apresentação. Uma delas está sentada à mesa do professor usando um notebook, provavelmente controlando os slides projetados. A outra está em pé ao lado da tela de projeção, observando o conteúdo exibido. Ambas usam coletes claros, possivelmente identificando participação em algum projeto educacional ou universitário.
No centro da sala há uma tela de projeção com um slide exibindo uma história em quadrinhos em tons de verde e azul. Os quadrinhos parecem abordar temas sociais ou históricos, com personagens e diálogos ilustrados.
Os estudantes estão sentados nas carteiras, de frente para a apresentação. A maioria usa casacos e moletons, sugerindo clima frio. Um dos alunos veste um moletom com a palavra “Ramones” escrita nas costas

Compromisso com a comunidade

Buscando ampliar o impacto social do PET, uma outra iniciativa é o “Aulas abertas”, que por meio de uma tutoria através do canal do YouTube chamado Trollendo, democratiza o acesso à conteúdos literários de livros cobrados nos vestibulares das universidades do Paraná e na prova do ENEM.

“O PET contribui para uma formação integral, que ultrapassa a dimensão exclusivamente acadêmica”, reforça a professora Nincia, que acredita que com esses projetos seja uma forma eficaz de aproximar a comunidade da Universidade.

Seja qual for o projeto, a missão do PET Letras é construir pontes entre teoria e prática, entre sonho e realidade, criando possibilidades para as pessoas e transformando os acadêmicos que fazem parte do programa.

Assim como eu fui transformado pela leitura, o projeto “Leia, criança” não se trata apenas de formar leitores assíduos. Trata-se de formar pessoas capazes de imaginar outros mundos e de transformar o mundo em que vivem.

A foto é uma selfie tirada por um rapaz que está à frente, no canto direito da imagem. Ele está sorrindo e segurando a câmera enquanto várias outras pessoas aparecem atrás dele, também olhando para a foto.
O grupo está sentado e em pé ao redor de uma mesa retangular, que possui alguns objetos como celulares, papéis, um caderno aberto, garrafas de água e um frasco de álcool em gel. As pessoas parecem descontraídas e sorrindo, sugerindo um momento de convivência ou encontro coletivo.
Alunos do PET Letras reunidos (Foto/Arquivo pessoal)

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Texto:
Guilherme Nascimento dos Santos e Gustav Bartmann
Revisão de texto: Ana Paula Machado Velho
Arte: Maria Eduarda Tenório
Supervisão de arte: Lucas Higashi
Edição Digital: Guilherme Nascimento

A pesquisa que mencionamos contribui para os seguintes ODS:

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