Temos um desafio para você! Consegue nomear um museu que não fala só sobre História ou Arte?
É bem comum nosso pensamento se voltar para o ‘tradicional’ quando a palavra museu é dita. Nossa mente imagina pessoas na frente de um quadro ou escultura, ponderando sobre um possível significado oculto. Mas o universo museológico é amplo e existem vários tipos de museus, que se dedicam diariamente a preservar e expor diferentes áreas do conhecimento humano, natural e científico.
O Dia Internacional dos Museus é celebrado no dia 18 de maio. Por isso, hoje o Conexão Ciência vai te contar um pouco mais sobre um dos protagonistas da Rede de Museus do Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação – Paraná Faz Ciência (NAPI PRFC): o Museu de Ciências Naturais (MCN) da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Referência em exposição e coleção científica de Biologia e História Natural, o espaço fica localizado no prédio central do Setor de Ciências Biológicas, no Centro Politécnico, em Curitiba.

Um museu de conexões
Mais de 150 mil pessoas já andaram por esses corredores, de acordo com números apresentados pelo site oficial do MCN. Com 32 anos completos desde 26 de abril, o museu foi uma iniciativa do professor Euclides Fontoura da Silva Júnior, então diretor do Setor de Ciências Biológicas da universidade. A inauguração, em 1994, foi fruto de um convênio do Setor de Ciências Biológicas da UFPR e do Fundo Nacional para o Desenvolvimento da Educação.
O MCN é sócio fundador da Associação Brasileira de Centros e Museus de Ciência e parte da Rede Paranaense de Coleções Biológicas – Taxonline (NAPI Taxonline) — o único das instituições participantes com coleções variadas, tendo como pilares a pesquisa e extensão. Ele se destaca especialmente por abordar temas relacionados à biodiversidade, com coleções de zoologia, foraminíferos1 e paleontologia. Um acervo constituído por doações e aquisição de materiais nacionais e importados.
É a partir disso tudo que a parte de pesquisa se desenvolve. O vice-coordenador do museu, Rodrigo Reis, conta que “o MCN tem projetos fortes na área de pesquisa vinculados à parte da paleontologia, principalmente vinculado à paleontologia do Paraná. Para a área de foraminíferos, [tem] o laboratório de microbiologia ambiental, que usa projetos com a Petrobrás para identificação e caracterização de bacias de petróleo para análise ambiental, utilizando foraminíferos.”

Pesquisas como a mencionada são só uma palhinha da importância do museu. Sabe o que mais ele tem de surpreendente? A guarda de acervo científico. Essa é uma função que muitos nem devem cogitar, mas o Museu de Ciências Naturais serve como um ‘guarda-volume’. “Todos os projetos científicos envolvendo a área de biodiversidade precisam da guarda do material coletado em uma instituição pública, que são os museus ou as coleções científicas. É o papel importante de fazer a guarda do patrimônio do governo brasileiro, do povo brasileiro”, explica Reis.
Sim, para que o acervo chegue até os olhos do público, as iniciativas precisam ser diversas. O vice-coordenador explicou para o Conexão Ciência que existem dois tipos de exposições: as mais longas, com temática voltada para a história natural e evolução biológica; e as exposições temporárias, cujo tema varia periodicamente. Mas, se você acha que a área de pesquisa central é só biologia, saiba que não é bem assim…
Outra fonte importante é a da própria divulgação científica! Aqui, os pesquisadores se debruçam na percepção do público sobre o museu, para entender como eles interagem com o acervo. Sobre isso, Reis esclarece que o museu é um espaço, essencialmente, de pesquisa, “talvez o espaço que mais represente a indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão dentro de uma universidade”. É a valorização das coleções e do patrimônio universitário, da realização de exposições, oficinas e outras ações de caráter científico, educativo e de lazer na prática.

E, claro, não podemos esquecer do caráter educativo para o ensino básico. Em conjunto com os professores, a iniciativa ocorre através do programa de extensão “Ciência vai à escola”, que fornece educação científica e contribui para a popularização da ciência. Também são realizadas oficinas, cursos, exposições itinerantes, seminários, entre outras atividades para docentes do Ensino Fundamental e Médio e graduandos de cursos variados.
O Museu de Ciências Naturais não é só um. Ele é uma série de conexões científicas entrelaçadas na produção de conhecimento, na divulgação científica e na aprendizagem. É um museu que cria e mantém suas conexões!
Longe da escola, perto do conhecimento
Acho que aqui ficou claro: uma das principais funções de todo museu é, de fato, educar. De aquários à planetários, quem entra neles sai mais interessado e com mais compreensão sobre o mundo. É o educar de forma lúdica, isto é, a expansão da sabedoria para além do que tradicionalmente se entende por educação e aprendizado. No caso de um museu de ciências, é a aproximação da ciência ao cotidiano.
Não pense que a ideia de educar de forma dinâmica é recente. No Brasil, os museus de ciência começaram lá pelo século XIX, com a Corte Portuguesa. Pesquisa e preservação passaram a ser mais valorizadas, trazendo uma leva de investimentos nas áreas de Ciência, Saúde e Artes. Com o tempo, houve mais uma virada, dessa vez com a criação de centros de ciências mais interativos, cuja principal proposta era difundir esse conhecimento para o grande público.
Aliás, quem fez parte desse início não é pouca coisa hoje, viu? O Jardim Botânico (1808), o Museu Nacional do Rio de Janeiro (1818), o Museu Paraense Emílio Goeldi (1868) e o Museu Paulista (1893) são exemplos das primeiras instituições dedicadas a exposições e coleções científicas. Conforme o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), ao longo dos anos outros centros foram aparecendo com incentivo do governo.

Atualmente, a Associação Brasileira de Centros e Museus de Ciência (ABCMC) é a responsável por estimular e apoiar a ampliação do número dessas instituições no país. De acordo com o guia mais recente publicado pela ABCMC, existem 268 organizações desse tipo mapeadas no Brasil. Só no Sul, seriam pelo menos 44 instituições com foco em disponibilizar ciência para o público. Contudo, esses dados são de 2015, o que significa que podem estar desatualizados.
Já no Paraná, alguns centros de ciência e tecnologia, como o MCN, recebem amparo da Rede de Museus do NAPI Paraná Faz Ciência. “A gente tem museus com características muito diferentes: museus municipais, estaduais, museus que fazem parte de instituições de ensino, como o museu da UFPR, por exemplo. Então, a ideia é aproximar as ações dos espaços e os espaços das ações [do NAPI PRFC]”, esclarece Dhiego Cunha da Silva, pesquisador e articulador da Rede.

Os centros e museus do estado foram catalogados no livro “Espaços de Divulgação Científica do Estado do Paraná”, disponível para leitura no formato de e-book. Na Rede de Museus do Paraná, há 16 participantes. Com foco em entender melhor o público que visita esses locais, Silva indica que está sendo realizado um movimento de pesquisa de perfil e opinião. O estudo é validado pelo Observatório de Museus e Centros de Ciência e Tecnologia (OMCC&T).
Para garantir melhores resultados, alguns dos espaços que integram a Rede também funcionam como museu laboratório. É o caso do MCN. “Muitos desafios acabam sendo comuns entre todos os museus, seja uma questão de visitação, uma questão de acervo […] e aqui no museu da UFPR a gente consegue experimentar algumas possíveis soluções. Algumas dão bem certo, outras a gente tem que dar uma revalidada ou uma repensada”, conta Silva.
O pesquisador ainda destaca a importância das ações de itinerância, que é quando os museus levam exposições para diferentes locais, como cidades, eventos ou até mesmo escolas. Como exemplo, Silva cita o LabMóvel ZikaBus, projeto vinculado ao Laboratório Móvel de Educação Científica da UFPR; e o Mudi Itinerante, do Museu Dinâmico Interdisciplinar (MUDI), que pertence à Universidade Estadual de Maringá (UEM).

Finalizando nossa visita guiada
Percebe-se que a história dos museus de ciência é marcada por laços estreitos entre ensino, pesquisa e extensão. Isso também significa que estão em constante movimento, acompanhando o progresso da humanidade e os avanços pelo mundo. O Museu de Ciências Naturais da UFPR, por exemplo, foi reinaugurado há pouco tempo, após reformas que focaram na modernização do espaço.
Como vice-coordenador, Reis explica: “O museu sofreu uma adequação com a estrutura de uma área de exposições de curta duração, onde estão entrando as exposições temporárias, vinculadas aos programas de pós. Mas, também, [sofreu] uma revitalização, uma reestruturação da sua área expositiva. Com os recursos da universidade, fizemos a reabertura do espaço expositivo. Tirou a parede e deixou o espaço mais amplo, e trouxe algumas vitrines novas, onde o material está sendo exposto e reconstruído.”
A ideia por trás disso? Ampliar a interatividade com o museu e melhorar a linguagem, ou seja, tomar medidas que atraiam cada vez mais o público para visitar um espaço tão importante quanto esse. Por isso, para além da revitalização, no mês de maio os visitantes vão poder prestigiar uma nova exposição temporária sobre Saúde Única. Fiquem atentos, pois essa mostra dura apenas quatro meses!
É mesmo ‘um grande capital acadêmico e simbólico’, como o MCN é descrito no site do museu. A programação de exposições fica disponível na plataforma, que conta também com publicações próprias e outras informações sobre a instituição. A entrada é gratuita, mas visitas em grupos ou guiadas precisam ser agendadas através do e-mail biomuseu@ufpr.br. O museu abre de segunda a sexta-feira, exceto em feriados, das 9h às 12h e de 13h30 às 17h30.
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Texto: Isabella Abrão e Carlisle Ferrari
Revisão de texto: Ana Paula Machado Velho
Arte: Any Veronezi
Supervisão de arte: Hellen Vieira
Edição Digital: Guilherme Nascimento
Glossário
- Foraminíferos – Microrganismos simples e pequenos que possuem uma concha ou carapaça. ↩︎
A pesquisa que mencionamos contribui para os seguintes ODS:

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