Desde criança, aprender idiomas sempre foi uma das minhas maiores alegrias. Antes dos 10 anos, eu já estudava inglês de forma autodidata com os livros da Cambridge University Press que ganhei do meu pai. Aos 11, fui apresentada ao alemão na escola, que abriu um novo capítulo na minha trajetória.
No ensino médio, conquistei uma bolsa do governo alemão para um curso na Alemanha. Na faculdade, segui me aventurando por outras línguas, como sueco, coreano, japonês, italiano e espanhol. O alemão, no entanto, continuou sendo meu xodó. Alcancei o nível C1, com mais duas viagens financiadas pelo governo alemão para cursos intensivos, além de fazer amigos de várias nacionalidades e descobrir uma paixão por novas culturas, para além dos idiomas.
Resumindo: EU AMO APRENDER IDIOMAS!!! É com essa energia que quero te mostrar como estudar línguas pode realmente abrir portas. Se você vem adiando o começo, fica por aqui: a minha missão, agora, é te convencer a dar o primeiro passo para aprender um idioma. E, de quebra, você vai ficar sabendo sobre iniciativas incríveis que estão preparando os professores de idiomas no nosso Estado.
Quer ver só? Aprender uma nova língua vai muito além de decorar regras gramaticais ou traduzir frases. A professora do Departamento de Letras Modernas da Universidade Estadual de Maringá (UEM), Josimayre Novelli, explica que o aprendizado precisa ser pensado de forma contextualizada, conectando os idiomas aos usos sociais reais.

“Não podemos ensinar um idioma apenas para a pessoa traduzir um exercício. O aluno precisa entender o contexto social e político por trás das mensagens em outros idiomas”, lembra a professora. Isso amplia a visão crítica e ajuda o estudante a se posicionar como cidadão global, um baita de um benefício!
Outro ponto importante, segundo Novelli, é que o ensino de idiomas precisa acompanhar as novas tecnologias. Ela destaca o papel das metodologias ativas e do letramento digital, que ganharam ainda mais força no pós-pandemia. Plataformas on-line, ferramentas digitais e até a inteligência artificial podem ser usadas para tornar as aulas mais dinâmicas e acessíveis, mas sempre com a mediação do docente.
“Nenhuma tecnologia vai substituir o papel do professor. Precisamos encontrar o equilíbrio entre os recursos digitais e os materiais tradicionais, como os livros didáticos”, ressalta. Ou seja, ao aprender um idioma, você desenvolve muito mais do que habilidades linguísticas: passa a ler textos e contextos com mais olhar crítico e aprimora o discernimento sobre o uso de tecnologias digitais, incluindo as inteligências artificiais.
A professora também aponta que projetos de formação docente, como o Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (Pibid), de Língua Inglesa na UEM, têm sido fundamentais para aproximar os futuros professores da realidade das escolas públicas.
Desde o primeiro ano da graduação, os alunos têm a oportunidade de vivenciar a sala de aula de inglês nas escolas, discutindo temas como inclusão, ensino para crianças, o uso de tecnologias e os desafios de trabalhar com turmas de diferentes contextos sociais.
Falando em desafios, Josimayre destaca que uma das maiores barreiras é fazer com que os alunos da educação básica, principalmente de regiões periféricas, reconheçam a importância de aprender um idioma estrangeiro.
Por outro lado, ela comemora os avanços em termos de acesso. Hoje, a UEM oferece diferentes programas e oportunidades para quem deseja aprender outro idioma. Entre eles estão o Programa de Integração Estudantil (Prointe), com oficinas de inglês instrumental para leitura acadêmica; o Instituto de Língua Japonesa, o Instituto de Línguas (ILG) e o Paraná Fala Idiomas (PFI), que oferece cursos gratuitos e de qualidade em inglês, espanhol e francês. É sobre ele que vamos conversar agora!
O Paraná fala muitos idiomas
Ao aprender uma nova língua, os estudos autodidatas podem ser um pouco intimidadores para algumas pessoas. É por isso mesmo que, desde 2014, o Paraná Fala Idiomas (PFI) oferta cursos nas sete universidades estaduais do Paraná. O PFI integra as ações estratégicas da Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná (Seti) e oferece cursos de Inglês, Espanhol e Francês para a comunidade acadêmica.

Mais recentemente, o Programa também passou a ofertar, em parceria com a Fundação Araucária, o curso de Português como Língua de Acolhimento, para receber pesquisadores ucranianos nas instituições de ensino paranaenses.
A jornalista do PFI, Nadine Sansana, explica que o objetivo do Programa é promover a internacionalização das Universidades do Paraná, com foco no desenvolvimento científico e tecnológico.
Ela destaca que o domínio de idiomas é importante para participar de programas de mobilidade internacional e para a formação de professores que ofertam disciplinas em outra língua. A iniciativa também articula parcerias com outros países, promovendo ações conjuntas de capacitação e qualificação.
O PFI é um sucesso e um exemplo maravilhoso de como o ensino de idiomas pode ser democrático. Em 2024, mais de 3.500 membros da comunidade acadêmica concluíram cursos de inglês, espanhol ou francês. Em 2025, somente no primeiro semestre, mais de 4.200 vagas foram ofertadas.

O estudante de Comunicação e Multimeios da UEM, Gustav Bartmann, foi um dos contemplados pelos cursos do Paraná Fala Francês neste ano. Ele já estudava o idioma por meio de um aplicativo gratuito e não hesitou em se inscrever ao ver o edital do programa. Empolgado, ele destaca a qualidade das aulas e dos professores, que o têm preparado bem para realizar o sonho de fazer um intercâmbio acadêmico.
Ficou interessado no Programa? Para participar do PFI, é preciso fazer parte da comunidade acadêmica, tanto como aluno de graduação ou pós quanto como professor ou agente universitário, de uma das sete universidades estaduais do Paraná. Os cursos são semestrais, com inscrições e testes de nivelamento no início de cada semestre. As informações são divulgadas no Instagram: @paranafalaidiomas.oficial.
Se você não faz parte da comunidade acadêmica, uma opção gratuita é o portal Aprenda Mais, do Governo Federal, que oferece cursos online e de curta duração de idiomas. Outra dica é usar aplicativos de aprendizado para manter a constância nos estudos e revisar conteúdos já aprendidos.
Seu cérebro ama aprender um idioma
Aprender um novo idioma não traz só mais oportunidades acadêmicas e sociais. Também faz muito bem para o cérebro! A professora da UEM e especialista em neurociência e comportamento, Débora Sant’Ana, explica que esse processo estimula a chamada neuroplasticidade. Ou seja, ao estudar uma nova língua, criamos novas conexões entre os neurônios e deixamos o cérebro mais ativo e fortalecido. A memória e a concentração também melhoram.

Além disso, aprender um idioma pode ajudar a retardar doenças neurodegenerativas como o Alzheimer. Segundo a professora, pesquisas recentes mostram que pessoas bilíngues desenvolvem uma espécie de “reserva cognitiva”, que ajuda o cérebro a criar caminhos alternativos para compensar os efeitos da demência.
Na hora de escolher qual idioma aprender, vale pensar em alguns pontos importantes. Quais são seus objetivos? Fazer intercâmbio, viajar pelo mundo, crescer profissionalmente? E quais são os destinos dos seus sonhos? Descubra que idiomas são falados por lá. Se a ideia for apenas aprender por prazer, escolha aquele com o qual você mais se identifica e se diverte estudando. O importante é se sentir bem com a escolha e aprender com propósito. E pra te inspirar, olha só os dez idiomas mais falados no mundo… quem sabe algum deles te conquista!

Com esse tanto de benefícios, não tem mais como adiar o aprendizado de um idioma novo, hein? Tô de olho! Ah, e se você se interessa por esse tema, tenho que indicar a matéria do C² “A incrível jornada do Português: descubra os caminhos do idioma”. Não deixe de conferir!
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Texto: Luiza da Costa
Revisão de texto: Ana Paula Machado Velho
Arte: Lucas Higashi
Supervisão de arte: Lucas Higashi
Edição Digital: Guilherme Nascimento
A pesquisa que mencionamos contribui para os seguintes ODS:

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