Museus de ciências miram investimento e recursos humanos

A imagem é uma ilustração artística que retrata ciência, educação, cultura e arquitetura. Mostra salas de aula, auditórios, apresentações musicais, exposições, árvores, livros e interações sociais. Elementos como o domo geodésico, murais informativos e o prédio do MUDI (Museu Dinâmico Interdisciplinar) indicam ambientes acadêmicos. A arquitetura remete à Catedral de Maringá. A paleta em tons quentes sugere dinamismo e criatividade. A arte é assinada por Lucas Higashi para o projeto Conexão Ciência, destacando a integração entre saber científico, natureza, arte e sociedade.
Carta de Maringá apresenta balanço final do V Encontro Nacional da ABCMC e reforça o papel das instituições museais na popularização do conhecimento

compartilhe

Pela primeira vez numa cidade do interior, o Encontro Nacional da Associação Brasileira de Centros e Museus de Ciências (ABCMC) chega a quinta edição, realizada no Museu Dinâmico Interdisciplinar (Mudi), da Universidade Estadual de Maringá (UEM), em parceria com o Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação – NAPI Paraná Faz Ciência. Durante três dias, o evento contou com a participação de mais de 200 inscritos vindos de 13 estados e representando 45 instituições, centros e museus de ciências. 

Foram apresentados 135 trabalhos nas modalidades oral e sessão de pôsteres, abordando temas como itinerância, acervo, curadoria, práticas inclusivas, comunicação digital,  formação docente, ações comunitárias e voluntariado. Toda a programação e atividades podem ser acessadas, na íntegra e com tradução em Libras, no canal do Youtube da ABCMC.

A imagem mostra um grande grupo de pessoas reunidas para uma foto coletiva em um auditório. Elas estão sorrindo e olhando para a câmera. Ao fundo, há um telão com o logotipo do 5º Encontro Nacional da Associação Brasileira de Centros e Museus de Ciência, com formas geométricas em verde, vermelho e laranja. À direita do telão, há três bandeiras em mastros (do Brasil, do estado de São Paulo e outra institucional). A maioria das pessoas usa crachás pendurados no pescoço, indicando participação no evento. As roupas são variadas, mas predominam camisetas claras e casuais. Algumas pessoas estão sentadas no chão, outras ajoelhadas e muitas em pé, formando várias fileiras para caber na foto. O clima parece alegre e descontraído, com muitas expressões de felicidade.
Evento reuniu gestores, professores e alunos de todo o país na Universidade Estadual de Maringá (UEM), além de grande audiência na transmissão ao vivo no canal da ABCMC no Youtube (Foto/Camila Lozeckyi)

A professora da UEM, Débora de Mello Sant’Ana, coordenadora do V Encontro e, que també m representa a Fundação Araucária, enfatizou aos participantes o esforço da ABCMC e dos profissionais da área com a popularização da ciência para a realização do evento. “Nosso compromisso é a valorização da memória científica e a construção de políticas públicas que reconheçam os museus e centros de ciência como espaços vivos de aprendizagem, inclusão e cidadania”, afirmou.

Para Débora, é uma satisfação realizar o encontro na cidade de Maringá, no coração do Paraná. “Nossa cidade é reconhecida por sua qualidade de vida, planejamento urbano e compromisso com a educação e com a cultura.  É uma cidade que respira inovação e que acolhe com generosidade iniciativas voltadas à ciência, à inclusão e à formação cidadã”, comemorou.

A cerimônia final do evento, conduzida pela presidente da ABCMC, Andréa Fernandes Costa, concentrou-se na escolha da sede para o próximo Encontro Nacional a ser realizado em ano par, retomando assim o padrão pré-pandemia. Apresentaram-se, então, o Museu Paraense Emílio Goeldi em conjunto com Planetário do Pará, e o paulistano Museu Catavento como candidatos.

A imagem mostra duas mulheres sorrindo em um auditório. A mulher à esquerda tem cabelos castanhos, veste um vestido preto e branco com um casaco azul escuro e segura dois livros e alguns papéis na mão; a mulher à direita tem cabelos curtos grisalhos, usa óculos, está vestida com uma camiseta preta com a estampa "5º Encontro Nacional Associação Brasileira de Centros e Museus de Ciência" e um blazer preto. Ela segura um microfone na mão direita e está com o braço esquerdo sobre o ombro da outra mulher. Ao fundo, vê-se uma mesa de auditório com cadeiras verdes, livros, copos de água e um projetor exibindo a palavra "Obrigada!" junto a endereços de e-mail. À direita, há duas bandeiras: a do Brasil e uma bandeira estadual.
A presidente da ABCMC, Andréa Fernandes Costa (à esquerda), recebeu de Débora Mello de Sant’Ana exemplares do guia Espaços de Divulgação Científica no Estado do Paraná e Plantas Medicinais (Foto/Maysa Ribeiro)

Por comum acordo entre os presentes, a definição foi de que em 2026 o museu paraense receberá a sexta edição do Encontro Nacional e, em 2028, assim que a reforma interna for concluída no Museu Catavento, o evento irá para São Paulo. Com esta ponderação, o Encontro passa, então, do Sul (Maringá) para o Norte (Belém) do país, e na sequência segue para uma outra região: a Sudeste (São Paulo).

Houve também a proposição da chamada Carta de Maringá, com sugestões endereçadas às universidades brasileiras, aos ministérios federais, ao Fundo Nacional para Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) e às agências de fomento, contendo~, em especial, a recomendação para uma robusta Política Nacional de Popularização da Ciência. 

Entre as propostas contidas na Carta, estão a garantia de financiamento para a continuidade das ações e, assim, assegurar recursos materiais e humanos para que sejam cumpridos os objetivos de ampliação da cultura científica no país. Sem deixar de considerar critérios de balanceamento entre as regiões contempladas e a equidade, por meio de ações afirmativas para a área.

Interiorização de museus

Andréa Fernandes Costa, na palestra de abertura, enfatizou que é fundamental diminuir as desigualdades em relação à presença de museus pelo país, melhorar a acessibilidade e mecanismos de inclusão, bem como pensar na itinerância como estratégias para alcançar novos públicos. 

“É preciso pensar em levar para o interior o que tem nas capitais, levar para o interior e que encontro no litoral. Mas, é preciso olhar também para a realidade das capitais e pensar uma distribuição menos desigual. Essa população, que, a princípio, com números absolutos, tem uma boa oferta de museus, também encontra dificuldade de acessar esses equipamentos, porque eles tendem a se concentrar nas regiões mais ricas das cidades, nos bairros menos habitados”, alertou.

A imagem mostra uma mesa de conferência com oito pessoas sentadas, aparentemente compondo uma mesa de abertura ou debate em um evento acadêmico. Todas estão posicionadas atrás de uma longa bancada de madeira clara, com microfones e garrafas de água à frente. À direita, uma mulher está em pé em um púlpito com o logotipo da UEM (Universidade Estadual de Maringá), aparentemente mediando ou fazendo uma fala. Ao fundo, há quatro bandeiras hasteadas: a primeira com listras vermelha, amarela e branca com um brasão, seguida das bandeiras do Brasil, do Paraná e outra institucional. No canto esquerdo da imagem, há um tripé com câmera filmando. Em primeiro plano, vemos pessoas sentadas no auditório assistindo à mesa, algumas com celulares na mão. O ambiente é uma sala de conferências com iluminação clara, clima formal e acadêmico. Uma guitarra apoiada no canto esquerdo sugere que pode ter ocorrido uma apresentação musical no evento.
Integrantes da mesa de abertura, da esquerda para direita: Rodrigo Reis, articulador do NAPI Paraná Faz Ciência; Rafael da Silva, pró-reitor de Extensão e Cultura da UEM; Débora de Mello Sant’Ana, articuladora do NAPI Paraná Faz Ciência; reitor da UEM, Leandro Vanalli; Renê Wagner Ramos, diretor da Rede Paranaense de Museus Universitários (Remup), no evento representando o Secretário de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná, Aldo Nelson Bona; Andrea Fernandes Costa, presidente da ABCMC; e Celso Ivam Conegero, diretor do Mudi (Foto/Any Veronezi)

Outro gargalo a ser enfrentado pelo segmento é a escassez de recursos humanos e financeiros para atividades cotidianas dos espaços museais, o que impede a abertura de novos locais e a implantação de projetos de itinerâncias, que levam partes do acervo a localidades onde não há museus.

“O museu é insubstituível no estágio mais importante do processo cognitivo, que é justamente o início,  saindo da diferença para a vontade de aprender, abrindo portas e janelas para o conhecimento”, expressou Andrea.

Já a palestra “Museus de Ciências em espaços virtuais: democratização e desafios” foi ministrada por Frieda Maria Marti. A professora falou sobre o impacto das redes sociais e mídias na vida humana e na sociedade, trazendo conceitos como midiatização e plataformização. A partir deles, Marti abordou os desdobramentos ocasionais, como os sociopolíticos (a privatização da regulação do discurso público e a amplificação algorítmica de conteúdos extremistas e desinformação), bem como os econômicos, culturais e cognitivos (capitalismo de vigilância, algoritmo, ação do espaço público e formação de bolhas informacionais).

Além disso, ela focou na desinformação, como prefere denominar: as fake news. “Este discurso falso está ocupando cada vez mais espaço nas redes, em especial potencializadas pela extrema direita, o que pode ocasionar em deslegitimação da imprensa e da ciência, discursos de ódio, criação de realidades paralelas e teorias da conspiração. Tudo isso vem impactando até mesmo os museus de ciência”, alertou.

Vozes das comunidades

Durante o evento, foram realizadas mesas-redondas com pesquisadores e gestores que compartilharam suas experiências. Segundo os organizadores, a discussão democratiza o diálogo, potencializa a construção de uma ciência mais plural, a obtenção de recursos e cria possibilidades e oportunidades de formação de novas pessoas para o mercado de trabalho ou para pesquisa para fazer e ciência.

A professora e pesquisadora Josiane Kunzler, do Museu de Astronomia do Rio de Janeiro, mediou a discussão sobre a interiorização, a partir da proposta de se levar museus para o interior do país como estratégia para a afirmação de identidade do território que ele abrange, refletindo a cultura local, e até regional.

A imagem mostra uma mesa-redonda com sete pessoas sentadas atrás de uma bancada curva de madeira com o logotipo da UEM (Universidade Estadual de Maringá). À frente da mesa, há copos e garrafas de água. No canto direito, sobre a bancada, há um arranjo de flores amarelas. No fundo, um telão projeta a identidade visual do 5º Encontro Nacional da Associação Brasileira de Centros e Museus de Ciência, com formas geométricas coloridas em verde e laranja. Ao lado direito do telão, há quatro bandeiras hasteadas: a primeira com listras vermelha, amarela e branca com brasão, seguida das bandeiras do Brasil, do Paraná e uma institucional. No canto esquerdo, um homem de camiseta preta faz interpretação em Libras, de pé em frente a um painel verde (fundo chroma key). Há também uma câmera filmando próxima a ele. Algumas pessoas do público aparecem sentadas no primeiro plano. O ambiente é um auditório com iluminação suave, clima formal e voltado para discussões acadêmicas.
Participaram da mesa Guilherme Frederico Marranghello, pesquisador, professor e diretor do planetário da Universidade Federal do Pampa, Hugo José Message, do Museu da Biodiversidade (MuBio), da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), Itamar Soares Oliveira, representando os espaços museais da Serra da Capivara, no Piauí, Laércio Ferracioli, pesquisador sobre abordagens inovadoras no Ensino de Ciências e Física no Espírito Santo, e Lúcia Santana, que integra a ABCMC (Foto/Carlisle Ferrari)

“Os planetários completam 100 anos de existência no mundo, em 2025, e são espaços de encantamento e aprendizado não só sobre Astronomia e Física, mas também outras ciências, tornando um equipamento importante de popularização da ciência”, afirma Guilherme Frederico Marranghello. O planetário inflável coordenado pelo professor tem sido uma iniciativa exitosa para a divulgação científica, no Rio Grande do Sul. “Capacitamos professores com conteúdo e para operar o equipamento e a cada três meses ele fica numa região. Assim, conseguimos suprir a carência de centros e museus de ciências no interior”, completa.

Já Lucia Santana contou a atuação nos grupos de pesquisa em Comunicação, Memória, Educação e Museus na Amazônia e Etnoecologia Amazônica, além de compartilhar sua experiência com o que ela chama de ‘pontos de memória’. “Tenho feito um movimento diferenciado, indo escutar as vozes das comunidades amazônicas e que vivem em diferentes situações, especialmente em comunidades de mulheres, como elas organizam seu patrimônio cultural”. Nesta pesquisa, Lucia enfatiza que considera museus  terreiros, escolas, um ponto de cultura, ampliando o conceito de museus e suas tipologias. “Desta forma, nós temos um museu cheio de novidades, como cantou Cazuza”, pontua.

‘Ciência Móvel’

Em outra mesa-redonda sobre Experiências de Itinerância na Interiorização dos Centros e Museus de CIências, o articulador do NAPI Paraná Faz Ciência e coordenador do  Laboratório Móvel de Divulgação Científica (LabMóvel), da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Rodrigo Arantes Reis, destacou a Rede de Museus Paraná Faz ciência, que nasceu com um mapeamento ativo dos espaços de divulgação científica no estado, identificando 51 centros e museus no Paraná. Essa ação fez surgir o Guia de Espaços de Divulgação Científica do Paraná. “Além disso, contribuiu com o surgimento da colaboração entre algumas instituições. Hoje, a Rede conta com 17 integrantes e se conecta à Rede de Clubes Paraná Faz Ciência, que conta com quase 300 espalhados pelo estado, além das feiras científicas regionais, formando um ecossistema de iniciativas”, informou.

Rodrigo destacou, também, dados da pesquisa de percepção pública realizada pelo NAPI, que revelou que apenas 4% da população do Paraná visitou centros ou museus de ciência no último ano — índice equivalente à média da região Sul, mas abaixo da média nacional (11%). No entanto, quando se incluem atividades itinerantes, o alcance sobe para 17%, mostrando o impacto das ações de interiorização. Entre as principais barreiras à visitação, estão a distância dos museus e a falta de recursos para deslocamento, o que reforça a importância das iniciativas itinerantes.

A imagem mostra um homem fazendo uma apresentação em um auditório. Ele está de pé, segurando um microfone na mão direita e um controle na mão esquerda, aparentando estar explicando algo; usa óculos, tem cabelos curtos e escuros, veste uma camiseta preta com o logotipo do 5º Encontro Nacional da Associação Brasileira de Centros e Museus de Ciência, além de um crachá pendurado no pescoço; ao fundo, há uma projeção na tela com parte do nome da associação e elementos gráficos coloridos em verde e laranja; no canto direito da imagem, parcialmente visível, está uma pessoa sentada atrás de uma mesa, próxima a um arranjo de flores brancas.
Em sua participação, Rodrigo Arantes Reis enfatizou o protagonismo dos centros e clubes de ciências na popularização e divulgação científica (Foto/Carlisle Ferrari)

Ao final, Rodrigo enfatizou que o NAPI Paraná Faz Ciência é uma política que combina capilaridade territorial com diversidade de formatos, e que seu êxito depende tanto de recursos financeiros quanto da articulação entre atores locais. Para ele, a continuidade e ampliação dessas redes podem transformar a relação da população com a ciência, levando conhecimento, curiosidade e engajamento a diferentes territórios do estado.

Educação não formal

Os Centros e Museus de Ciências são espaços de educação não formal, em que o conteúdo é apresentado de forma lúdica e interativa com o objetivo de atrair a atenção e despertar o interesse pela ciência. O V Encontro Nacional da ABCMC promoveu uma intensa troca de iniciativas e experiências de projetos de divulgação científica realizados em diversas regiões do Brasil. Além das apresentações orais, os participantes também puderam expor as pesquisas e projetos bem sucedidos e que reforçam o protagonismo dos museus para a popularização da ciência.

A imagem mostra duas mulheres sorrindo em frente a um painel de pôsteres científicos afixados em uma parede de tijolos. Elas vestem camisetas pretas com detalhes amarelos e o logotipo da Usina do Conhecimento, além de crachás do evento pendurados no pescoço. O pôster central tem o título “A Usina do Conhecimento Toledo-PR: A Percepção dos Visitantes nos Primeiros Meses de Funcionamento” e apresenta gráficos, imagens e textos científicos, com o logotipo do 5º Encontro Nacional da Associação Brasileira de Centros e Museus de Ciência no topo. À esquerda, há outro pôster parcialmente visível, também relacionado à divulgação científica. Ao fundo, vê-se uma porta de madeira com a numeração 205. O clima é informal e acadêmico, sugerindo uma sessão de apresentação de trabalhos em um congresso.
Em 10 meses de funcionamento, a Usina do Conhecimento de Toledo/PR já recebeu mais de 20 mil visitantes de 23 países (Foto/Nicoli Ornaghi)

Um exemplo veio de Toledo, oeste do Paraná, com a Usina do Conhecimento, uma parceria entre a prefeitura municipal e a Universidade Tecnológica Federal do Paraná, que possui um campus na cidade. Alcilene Evangelista da Costa e Karen Hyelmager Bariccatti mostraram a percepção dos visitantes à Usina do Conhecimento, um centro de ciências inaugurado em setembro de 2024 e que já atraiu mais de 20 mil visitantes. 

“A parceria entre a prefeitura e a UTFPR reabilitou o antigo museu municipal, que estava fechado há mais de 10 anos. Agora, atraímos visitantes de todas as regiões e de outros países com um conteúdo preparado para apresentar a ciência de forma interativa para todas as idades”, afirma Alcilene. Na pesquisa feita com os visitantes, a palavra ‘conhecimento’ se destaca, provando que os centros e museus de ciências são importantes para amplificar a ciência.

A imagem mostra uma jovem sorrindo ao lado de um pôster científico afixado em uma parede de tijolos. Ela veste uma camiseta preta com a identidade visual do 5º Encontro Nacional da Associação Brasileira de Centros e Museus de Ciência, um crachá pendurado no pescoço e uma jaqueta preta aberta. O pôster, intitulado “O Impacto da Divulgação Científica em Espaços Não Formais de Educação: Relato de Experiência no Museu Dinâmico Interdisciplinar”, contém seções como Introdução, Metodologia, Resultados, Considerações Finais e Referências, além de gráficos, imagens e logotipos de instituições parceiras, incluindo a UEM. Ao fundo, aparecem partes de outros pôsteres de trabalhos científicos semelhantes. O clima é acadêmico, indicando uma sessão de apresentação de trabalhos durante o evento. Acima do pôster, há um aviso com os dizeres “PEDE-SE EVITE A REMANEJAMENTO/INVERSA” parcialmente visível.
Mudi está completando 40 anos em 2025 e figura entre os 10 museus de mais visitados do Brasil, segundo levantamento do Instituto Brasileiros de Museus (Ibram) (Foto/Nicoli Ornaghi)

Como espaço de ensino, pesquisa e extensão, o Museu Dinâmico Interdisciplinar Mudi/UEM apresentou várias pesquisas e experiências desenvolvidas nas duas sessões de pôsteres. Entre elas está o trabalho de Giovanna Ribeiro Ferreira Bachesk, que apurou as sensações de adolescentes entre 14 a 18 anos, que visitaram pela primeira vez um museu de ciências, no caso o Mudi, sendo medo, nojo, surpresa, incrédulo, maravilhado e alegria.

“Através de um formulário, pudemos constatar várias emoções diferentes em cada ambiente, na mesma pessoa. No Mudi, os visitantes observam as exposições e participam de experimentos que despertam curiosidades e transformam receios em aprendizado aplicados ao cotidiano!, explica Giovanna.

A imagem mostra uma mulher negra de meia-idade, com cabelos curtos e óculos de grau, sorrindo e olhando diretamente para a câmera. Ela veste uma jaqueta preta e uma camiseta escura por baixo. Em sua roupa, há um crachá de identificação com a inscrição "AMANDA S. SILVA". A jaqueta tem uma estampa branca com a frase "SEU CIÊNCIA E UM HUMOR PARA SE" (a última palavra está cortada). ​A mulher está em pé, com as mãos nos bolsos da calça, ao lado de um pôster científico que está pendurado em uma parede de tijolos à vista. O pôster, intitulado "INSETOLÂNDIA: ESTRATÉGIAS LÚDICAS PARA A APROXIMAÇÃO DE CRIANÇAS À CIÊNCIA", contém texto em colunas e pequenas imagens, além de logotipos na parte inferior. A iluminação é difusa, e o ambiente parece ser um espaço de evento ou conferência, possivelmente em uma universidade ou centro de pesquisa.
Através de atividades lúdicas, crianças observam e ouvem os sons de diversos insetos em atividades no Museu Ciência e Vida em Duque de Caxias, no estado do Rio de Janeiro (Foto/Nicoli Ornaghi)

Do Rio de Janeiro, Katy de Andrade, do Museu Ciência e Vida (MCV), trouxe detalhes sobre a Insetolândia, oficina para alfabetização científica e consciência ambiental de crianças. “A mediação dos educadores ambientais possibilitou a construção coletiva de conhecimento, estimulando perguntas e promovendo reflexões críticas sobre o impacto ambiental da perda de biodiversidade de insetos”, explica.

Visitas Técnicas

Como atividade no V Encontro Nacional, os participantes fizeram visitas técnicas aos centros e museus de ciências que são vinculados à UEM: Coleção Biológica de Ictiologia, Herbário da UEM, Laboratório de Arqueologia, Etnologia e Etno-História (LAEE), Museu Dinâmico Interdisciplinar (Mudi), Museu de Geologia e Planetário da UEM.

  • A imagem mostra três mulheres em uma bancada de laboratório, curvadas sobre uma amostra biológica. A amostra, que se parece com uma alga ou musgo, é marrom-esverdeada e está envolta em um papel branco. A mulher à esquerda, com uma blusa azul escura, segura o papel com as duas mãos, enquanto as outras duas mulheres observam. A mulher do centro, com uma blusa azul-clara estampada com a frase "Coisas de Menina", segura um objeto pequeno e preto na mão direita e olha para a amostra. A mulher à direita, com uma blusa listrada nas cores vermelho e preto, usa óculos e também olha atentamente. As três usam crachás de identificação pendurados no pescoço. O ambiente ao fundo sugere ser uma cozinha ou laboratório, com azulejos brancos nas paredes, prateleiras e caixas de papelão.
  • A imagem mostra três mulheres em volta de uma mesa branca, observando atentamente um material vegetal colocado sobre um papel. À esquerda, uma delas, de blusa azul de manga comprida, segura o papel e olha para a planta. No centro, outra mulher, de óculos e camiseta lilás estampada com a frase "COISAS DE MENINA", segura um celular, aparentemente registrando ou pesquisando algo sobre o material. À direita, uma terceira mulher, de óculos e blusa listrada em preto e vermelho, também observa com interesse. O ambiente parece ser um laboratório ou sala de atividades, com bancadas de azulejo ao fundo, papéis, caixas e materiais de apoio. O clima é de estudo e investigação, possivelmente em uma oficina ou atividade científica, como o manuseio de exemplares de herbário.
  • A imagem mostra um grupo de pessoas em um espaço interno com teto e paredes em laranja e branco. Uma rampa, também laranja, com cartazes colados nela, desce do andar superior no lado esquerdo. Nos cartazes, há fotos de pessoas e textos sobre questões indígenas. Um cartaz, em particular, pergunta: "Índio ou Indígena?". Um grupo de cerca de 10 pessoas está de pé, no centro da sala, ouvindo a fala de duas pessoas à frente do grupo, que parecem ser os guias ou palestrantes. Há um grande painel na parede, à direita, com a frase "CONHEÇA E APRENDA SOBRE O MUNDO VIAJANDO..." em letras pretas. O ambiente é iluminado por luz natural que entra por janelas altas. As pessoas vestem roupas casuais e parecem participar de uma visita guiada.
  • A imagem mostra um grupo de pessoas em um museu de geologia, com várias vitrines de vidro exibindo minerais e rochas. No centro da foto, há uma vitrine com o aviso "Atenção - não apoiar". À esquerda, dois homens conversam, um de camisa azul e o outro de camisa xadrez. Ambos usam crachás. À direita, outro homem, de costas para a câmera, veste uma camiseta preta da marca Hurley com uma estampa de aranha verde. Ele segura uma sacola de tecido branca na mão direita e observa uma das vitrines. O piso é de cimento queimado. O ambiente parece ser um espaço de exposição com mesas e prateleiras cheias de amostras, e as pessoas parecem estar participando de uma visita guiada ou evento.
  • A imagem mostra um grupo de cerca de 14 pessoas, de diferentes idades, posando para uma foto em frente a um edifício em forma de cúpula geodésica, de cor vermelha. A base do edifício é pintada com a imagem de um rosto, parecendo o de um cientista ou astrônomo, e as portas estão no centro. No gramado, em frente à cúpula, há duas réplicas de robôs, C-3PO e R2-D2, da série de filmes 'Star Wars'. As pessoas estão em pé, sorrindo, e algumas usam crachás. O dia está ensolarado e o céu, azul. O local parece ser um planetário ou observatório, e a visita é provavelmente um evento educativo ou cultural. O gramado está aparado e o fundo mostra árvores e mais paisagem.

Atividades Culturais

Os participantes do V Encontro Nacional da ABCMC que estiveram em Maringá assistiram a peça do Grupo de Teatro Científico da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), conhecido por seu projeto de extensão que utiliza peças teatrais para divulgar a ciência. Foi apresentado o espetáculo “Coração em Chagas”, que aborda a doença de Chagas e a vida do cientista Carlos Chagas. O enredo também explora como fatores sociais e culturais podem influenciar no surgimento de doenças.

A imagem mostra uma apresentação teatral com cinco artistas no palco. Eles vestem figurinos coloridos e detalhados, com predominância de vermelho, branco e bege, lembrando roupas antigas com babados e sobreposições. Dois artistas, à esquerda, estão sentados em caixas de madeira; o primeiro toca um instrumento de percussão (provavelmente um cajón). Ao centro, duas pessoas estão em pé, cantando ou atuando, com expressões marcantes. À direita, uma artista toca violão enquanto canta. O fundo é coberto por um grande tecido claro com uma colagem colorida ao centro, iluminada por luz rosa. O cenário é simples, mas a iluminação cria um clima dramático e artístico.
O grupo é formado por membros da comunidade acadêmica e externa da UEPG (Foto/Camila Lozeckyi)

Após a última edição remota do Encontro da ABCMC, em plena pandemia, em 2022, este ano, houve uma confraternização entre alguns participantes que estiveram no RedCor Cervejaria e Fábrica Bar, local que sempre apoia iniciativas de popularização da ciência, como o Pint Of Science, na cidade.

A imagem mostra um grande grupo de pessoas reunidas em um ambiente interno que parece ser um bar ou restaurante temático, com mesas e cadeiras de madeira distribuídas pelo espaço. Todos estão posicionados para uma foto coletiva, muitos sorrindo, levantando os braços, fazendo sinais de paz ou segurando copos. No fundo, há uma grande bandeira preta com um símbolo vermelho e a palavra “Cervejaria” (parte de um nome maior), além de escudos redondos decorativos nas paredes, sugerindo uma temática medieval ou viking. As mesas têm copos, garrafas, pratos com petiscos e sacolas, indicando um encontro social, possivelmente um evento ou confraternização. A iluminação é aconchegante, com luzes amareladas. O clima geral é de descontração e celebração, com uma diversidade de pessoas aparentando estar em um momento animado e amigável.
Como é tradição em eventos científicos, confraternização faz parte da estratégia de conectar pessoas de diversos lugares e promover trocas e vivências (Foto/Guilherme Nascimento dos Santos)

Na ocasião, o grupo Abaecatu do Museu Dinâmico Interdisciplinar (Mudi/UEM), que este ano completa 20 anos de estrada, mostrou parte do repertório da palestra show que tem como objetivo unir história, ciência e arte para falar sobre temas importantes da formação do país. A vocalista Mari Tenório, servidora e aluna dos curso de Música da UEM, participou da abertura do encontro, momento em que cantou ‘Maringá, Maringá’, música de Joubert de Carvalho, de 1932, que teria inspirado o nome da cidade.

A imagem mostra um bar temático com mesas e cadeiras de madeira ocupadas por várias pessoas que conversam e bebem. Ao fundo, há um pequeno palco onde três músicos se apresentam: dois homens tocam instrumentos de corda (um deles violão) e uma mulher canta ao microfone. O cenário é decorado com escudos redondos vermelhos nas paredes e uma grande bandeira preta com um símbolo vermelho e a palavra “Cervejaria”, reforçando um tema medieval ou viking. Acima do palco, há um telão com um logotipo estilizado em vermelho que lembra runas nórdicas, provavelmente o nome da casa ou do evento. O ambiente está iluminado por luzes amareladas aconchegantes, com reflexos roxos ao fundo, onde se veem grandes tonéis metálicos, típicos de uma cervejaria artesanal. O clima geral é animado e descontraído, com pessoas interagindo nas mesas, algumas observando o show e outras conversando. Parece um evento social ou cultural, possivelmente com temática geek, medieval ou cervejeira.
Integrantes do Abaecatu desenvolvem o projeto “Música, Poesia e Cidadania para falar de Ciência e Cidadania” (Foto/Guilherme Nascimento dos Santos)

Com filas maiores que para o coffe break, os carimbos com ilustrações de Lucas Higashi, bolsista do NAPI Paraná Faz Ciências, foram a sensação durante os três dias do evento. Ele é editor de artes do Conexão Ciência – C², projeto de divulgação científica vinculado ao NAPI Paraná Faz Ciência.

A imagem mostra uma mesa de trabalho com materiais para estamparia. O foco está nas mãos de uma pessoa que segura um carimbo de madeira com a base quadrada e, com a outra mão, pressiona-o sobre uma folha de papel branca, onde já se nota um desenho. Ao lado, em primeiro plano e à direita, há um outro carimbo de madeira com uma base retangular de cor verde. Na mesa, há também uma almofada de tinta laranja, um estojo de plástico preto e outros carimbos espalhados. A pessoa que manipula os carimbos veste uma camisa social branca e uma calça escura, com um relógio de pulso no braço esquerdo. O ambiente é iluminado e parece ser um espaço de oficina ou de evento.
No projeto de divulgação científica Conexão Ciência – C², todas as ilustração são autorais e exclusivas (Foto/Camila Lozeckyi)

Em 2026, nós do Conexão Ciência e do NAPI Paraná Faz Ciència nos encontramos em Belém para o VI Encontro Nacional da ABCMC.

Até lá!

EQUIPE DESTA PÁGINA
Texto:
Silvia Calciolari com a colaboração de Ana Carolina Arenso Barbosa, Ana Elisa Frings
Revisão de texto: Ana Paula Machado Velho
Arte: Lucas Higashi
Supervisão de arte: Lucas Higashi
Edição Digital: Guilherme Nascimento

A pesquisa que mencionamos contribui para os seguintes ODS:

Gostou do nosso conteúdo? Nos siga nas nossas redes sociais: Instagram, Facebook e YouTube.

Edição desta semana

Artigos em alta

Descubra o mundo ao seu redor com o C²

Conheça quem somos e nossa rede de parceiros