O que os oceanos têm a ver com o agro?

Ilustração colorida mostra uma paisagem rural à beira de um corpo d’água. O céu apresenta tons de rosa e laranja, com nuvens brancas e um pássaro amarelo voando ao centro. À esquerda, a água azul ocupa parte da cena, com um peixe visível próximo à superfície. A margem forma um pequeno barranco de terra marrom que desce até uma faixa de areia clara. À direita, um campo verde se estende com uma vaca branca malhada de preto pastando. Um caminho claro corta a vegetação em direção à água. No primeiro plano, há flores coloridas e plantas variadas, compondo um ambiente campestre e tranquilo.
Na 52ª Expoingá 2026, o Mudi expõe aos visitantes muita ciência interativa, educação ambiental e o agronegócio como modelo sustentável

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Pode confessar! O título da matéria deixou você confuso, ou no mínimo intrigado. Afinal, é para se pensar mesmo: qual seria a conexão da produção de leite ou de alimentos, nas fazendas do interior do Brasil, com os oceanos e a vida marinha?

Antes de resolver esse enigma, é preciso conhecer dois fatos! 

Em 1997, o capitão e oceanógrafo Charles Moore retornava de uma regata de iates (Transpacífica) do Havaí para a Califórnia, quando notou grandes concentrações de detritos plásticos flutuando na superfície do Oceano Pacífico Norte. A ‘descoberta’ passou a ser chamada de ‘Grande Mancha de Lixo do Pacífico’, ‘Sétimo Continente’ ou ‘Continente do lixo’, uma enorme concentração de resíduos, principalmente plásticos e microplásticos que ameaça a vida marinha.

Pouco tempo depois, a reciclagem e a logística reversa de embalagens de agrotóxicos no Brasil ganharam força significativa a partir da Lei Federal nº 9.974, de junho de 2000, que alterou a legislação anterior (Lei 7.802/1989) e tornou obrigatória a devolução das embalagens vazias pelos produtores rurais. A medida transformou o Brasil em uma referência mundial na logística reversa, com sistema que recicla ou dá destinação final correta a quase 100% das embalagens plásticas de insumos agrícolas.

Pronto! Agora fica um pouco mais fácil entender a conexão entre os oceanos e o agro.

E é exatamente para provocar esta reflexão sobre a importância da educação ambiental nas pessoas de todas idades que o Museu Dinâmico Interdisciplinar, da Universidade Estadual de Maringá (MUDI/UEM), participa da 52ª edição da Exposição Agropecuária de Maringá, a Expoingá 2026, evento realizado pela Sociedade Rural de Maringá (SRM). 

Este ano, o evento ocorre de 7 a 17 de maio, no Parque Internacional de Exposições Francisco Feio Ribeiro, com o tema geral  “O agro e as raízes do Brasil”. Segundo os organizadores, o objetivo é apresentar o vínculo entre o campo e a cidade e a base que sustenta a produção de alimentos, geração de empregos, inovação tecnológica e o crescimento nacional. 

Os milhares de visitantes que passarem pelo Pavilhão Branco poderão conhecer a exposição a partir do tema ‘Mudi: Os oceanos e suas conexões com o Agro, com o verde e com a vida’. A mesma temática com enfoque na cultura oceânica foi apresentada ano passado, seguindo o tema da 22ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT), e agora será ampliada para outros eixos. 

A imagem mostra um espaço interno amplo e bem iluminado, semelhante a um hall de exposição ou feira interativa. O teto é branco, com várias luzes embutidas e alguns pontos de iluminação colorida, principalmente em tons de vermelho, que criam um clima tecnológico. O chão é de piso claro, dividido em grandes quadrados. No ambiente, há muitas pessoas circulando, a maioria jovens e adultos, vestindo roupas casuais. Algumas caminham, outras param para observar ou interagir com os experimentos expostos. No centro da cena, há mesas e suportes com objetos e equipamentos, sugerindo atividades interativas ou demonstrações científicas. Um pequeno grupo se concentra ao redor de uma dessas mesas, observando atentamente. À direita da imagem, em primeiro plano, destaca-se uma bandeira vertical alta, branca, com bordas alaranjadas. Nela há ilustrações de um personagem em formato de sapo vestindo jaleco, associado à ciência, e o texto “MUDI – Museu Dinâmico Interdisciplinar”, além de logotipos institucionais na parte inferior. Ao fundo, painéis grandes nas paredes exibem conteúdos científicos e educativos, com gráficos, imagens e textos, incluindo temas como matemática e ciência. Também há estruturas iluminadas em vermelho que parecem fazer parte de uma instalação ou experimento maior. O ambiente transmite a sensação de um evento educativo ou exposição científica interativa, com bastante movimento, curiosidade e engajamento das pessoas presentes.
Com um público diverso em 2025, a Expoingá cria oportunidade para educação ambiental e divulgação da ciência (Foto Mudi)

‘Continente de lixo’

O professor da UEM e diretor do Mudi, Celso Ivam Conegero, explica que “um dos aspectos importantes da ida à Expoingá com essa temática é considerar que o agro brasileiro é um modelo a ser seguido. Por isso, nós estamos convidando a população para fazer uma grande reflexão sobre a relevância da logística reversa de outras áreas, de outros resíduos”. 

A proposta é conscientizar o cidadão e cidadã de que cabe a cada um pensar em relação à destinação correta das embalagens plásticas. “É papel do Mudi levar à Expoingá o assunto, despertando nos visitantes o cuidado que devemos ter com o nosso lixo, que acaba indo para os oceanos”, afirma Conegero.

A imagem mostra um espaço interno amplo e muito movimentado, semelhante a uma feira ou exposição científica. O ambiente é bem iluminado por várias luzes no teto, que é branco e possui fileiras de luminárias. O chão é claro, formado por grandes placas quadradas. O local está cheio de pessoas de diferentes idades, incluindo crianças, jovens, adultos e idosos, todas vestidas de maneira casual. Muitas caminham pelo corredor central, enquanto outras param para observar as atrações. À esquerda, há um grupo reunido em torno de uma mesa ou exposição; um adulto segura uma criança no colo enquanto ambos olham para o que parece ser uma demonstração interativa. No centro e ao fundo, a multidão se concentra em frente a um grande painel ou instalação com imagens coloridas, possivelmente uma tela ou exposição visual. Mais ao fundo, vê-se ainda mais pessoas, indicando que o evento é bastante popular e cheio. À direita, há uma área com plantas, simulando um pequeno ambiente natural, com iluminação verde destacando folhas e elementos decorativos. Algumas pessoas estão paradas ali, observando com atenção. Também é possível ver painéis grandes nas paredes com temas científicos e educativos, incluindo um painel com o título “Matemativa” e outro com imagens do planeta Terra e vida marinha. Em primeiro plano, à direita, uma mulher passa caminhando, olhando levemente para baixo, segurando um objeto na mão. No geral, a cena transmite um ambiente dinâmico, educativo e interativo, com grande participação do público e diversas atrações voltadas à ciência e ao conhecimento.
Representação do ‘Continente do lixo’ volta à Expoingá para reforçar a educação ambiental (Foto/Mudi)

Para o diretor, a ciência pesquisa e continua buscando soluções para quase todos os materiais. “O que falta é, muitas vezes, investimento, boa vontade e, basicamente, investimento para implantarmos a logística reversa, porque têm determinados materiais que para recolher de volta e transformá-lo, ou até neutralizá-lo, é preciso um alto investimento. Então, cabe aos legisladores, aos executivos, trabalhar nesse sentido”, alerta o diretor do Mudi.

Curadoria

Quem for à Expoingá 2026 poderá visitar a exposição do Mudi, onde haverá a apresentação de um oceano limpo e o continente do lixo, além de exemplos de logística reversa com embalagens do agro, que conta com o apoio do Centro de Ciências Agrária (CCA), da UEM. 

Segundo o curador da exposição, professor Marcílio Hubner de Miranda Neto, os visitantes poderão conhecer também a coleção de insetos da professora Yoko Terada, com enfoque na polinização, a exposição Dissecando com o olhar e o Caleidoscópio. Os ambientes da Ludoteca e Experimentoteca de Física, Matemativa e Tabagismo também estarão no pavilhão branco.

A imagem mostra uma atração interativa em um espaço interno amplo e iluminado, semelhante a uma feira ou exposição científica. No centro da cena há um grande equipamento metálico colorido, formado por estruturas circulares e hexagonais em tons de amarelo, azul, vermelho e preto, lembrando um giroscópio humano. Dentro do equipamento, uma mulher participa da atividade. Ela está vista de costas, em pé sobre uma pequena plataforma, presa pelos pés em suportes e com um aro acolchoado azul ao redor da cintura para segurança. Usa camiseta laranja com mangas pretas e calça escura. Seus braços estão erguidos, segurando barras superiores amarelas, em uma posição que sugere equilíbrio e preparação para girar. Ao lado esquerdo e direito do equipamento, dois monitores ou facilitadores, também usando camisetas laranja, ajudam a movimentar a estrutura segurando as barras laterais. A monitora à esquerda está em pé, olhando para a participante, enquanto o monitor à direita parece empurrar ou ajustar a estrutura. Ao redor da atração há uma área delimitada por correntes amarelas e pretas, separando o público do equipamento. Muitas pessoas observam a atividade ao fundo, incluindo adultos, jovens e crianças, formando uma plateia curiosa. A iluminação do ambiente mistura luz branca com forte tom esverdeado vindo de refletores, que colore a cena e o equipamento. O chão é claro, de placas quadradas, e o teto branco possui várias luzes embutidas. A atmosfera transmite diversão, curiosidade e aprendizado, típica de uma atividade prática de ciência ou física aplicada ao movimento e equilíbrio.
Sempre sucesso em todas as participações do Mudi, o Giroscópio Humano também estará nesta edição da Expoingá (Foto/Mudi)

Novidades

Entre as novidades que irão compor a exposição, o Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação Paraná Faz Ciência (NAPI PRFC) irá levar trabalhos científicos desenvolvidos por alunos que integram a Rede de Clubes Paraná Faz Ciência. Desde 2024, estudantes da Educação Básica participaram dos clubes ciências, que atualmente ultrapassam mais de 300 grupos. Os Clubes selecionados para participar da Expoingá 2026 são aqueles pertencentes ao Núcleo Regional de Educação (NRE) de Maringá.

O Mudi, em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde de Maringá, irá oferecer Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS) aos visitantes da feira. Assim, a comunidade poderá conhecer e experimentar, gratuitamente, atendimento profissional como Auriculoterapia, Reiki, Aromaterapia, Escalda pés, Acupuntura, Barra de Access, Reflexologia, Biomagnetismo e orientação sobre plantas medicinais. 

Itinerância

Além da Expoingá, o projeto Muditinerante também participa de outras feiras, como a Expo Umuarama, Expo Cianorte, entre outras atividades fora do museu. Nas itinerâncias, o objetivo é a popularização da ciência e diminuir as desigualdades, já que muitas pessoas não têm em suas cidades um espaço museal. 

“Temos que fazer com que a ciência chegue a mais públicos, despertando nos jovens o interesse e, ao mesmo tempo, combatendo a desinformação”, afirma a professora da UEM, Ana Paula Vidotti, coordenadora do Muditinerante. O projeto tem o apoio do programa ‘Itaipu Mais Que Energia’, da Itaipu Binacional, e a parceria da Associação dos Amigos do Mudi (Amudi).
Confira abaixo todos os espaços que formam o acervo do Mudi, no campus sede da UEM, em Maringá/UEM. Se estiver por perto, verifique no site os dias e horários de visitação.

A imagem é um infográfico com fundo azul e detalhes em amarelo claro, organizado em formato de grade com 12 quadros ilustrados. No topo, há o título escrito em letras grandes e desenhadas à mão: “12 ambientes para visitar no Mudi”. Abaixo do título, aparecem doze caixas retangulares arredondadas, dispostas em quatro linhas e três colunas. Cada caixa contém um desenho simples em traço azul e um nome escrito em laranja, indicando diferentes espaços ou atrações. Na primeira linha, à esquerda, há o desenho de um crânio humano representando o “Teatro Anatômico”. No centro, aparecem um pássaro e um macaco em uma árvore, indicando “Educação ambiental”. À direita, há desenhos de insetos, como borboletas, com o nome “Coleção Entomológica Yoko Terada”. Na segunda linha, à esquerda, há uma concha e uma estrela-do-mar, representando “Origem e Evolução da Terra e da Vida”. No centro, aparecem um planeta com anel e uma lua, indicando “Experimentoteca e ludoteca da Física”. À direita, há recipientes de laboratório, como um béquer, com o título “Laboratório de Química”. Na terceira linha, à esquerda, há um móvel com formas geométricas, representando a “Ludoteca de Matemática”. No centro, há um desenho estilizado de um cérebro com expressão pensativa, indicando “Segundo Cérebro”. À direita, há o símbolo de proibido sobre um cigarro, representando “Tabagismo”. Na última linha, à esquerda, há elementos culturais, como um cesto e um objeto artesanal, indicando “Povos Originários do Paraná”. No centro, há folhas e ramos, representando o “Horto de Plantas Medicinais”. À direita, há a figura de uma pessoa dentro de um equipamento circular, indicando “Giroscópio Humano”. Na parte inferior da imagem, aparece o crédito: “© Conexão Ciência | Arte: Hellen Vieira”.

Para ela, a itinerância ajuda a contribuir com uma cultura científica mais inclusiva e relevante, com uma linguagem mais interativa e instigante. “A Expoingá é uma das maiores do Brasil e reúne um público muito diverso, com um fluxo de milhares de pessoas. Esta ação tem um papel estratégico na divulgação da ciência, criando uma oportunidade fundamental para a educação não formal”, enfatiza Ana Paula.

Mais do que despertar o interesse pela ciência, a presença do Mudi numa feira popular cria oportunidades e reforça a ideia de que o conhecimento científico não é exclusivo. “Não é só negócios e entretenimento. É um ambiente bem potente de educação e formação do cidadão para o conhecimento científico, ferramentas poderosas que levam ao  desenvolvimento de tecnologias inovadoras que a sociedade prescinde para se devolver”, finaliza Ana Paula.

Para saber mais sobre a participação do Mudi na Expoingá 2026, fique atento ao site e as redes sociais do museu e nos conte tudo. Queremos saber o que você achou! 

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Texto:
Silvia Calciolari
Revisão de texto: Ana Paula Machado Velho
Arte: Hellen Vieira
Supervisão de arte: Hellen Vieira
Edição Digital: Guilherme Nascimento

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Biologia

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