Pode confessar! O título da matéria deixou você confuso, ou no mínimo intrigado. Afinal, é para se pensar mesmo: qual seria a conexão da produção de leite ou de alimentos, nas fazendas do interior do Brasil, com os oceanos e a vida marinha?
Antes de resolver esse enigma, é preciso conhecer dois fatos!
Em 1997, o capitão e oceanógrafo Charles Moore retornava de uma regata de iates (Transpacífica) do Havaí para a Califórnia, quando notou grandes concentrações de detritos plásticos flutuando na superfície do Oceano Pacífico Norte. A ‘descoberta’ passou a ser chamada de ‘Grande Mancha de Lixo do Pacífico’, ‘Sétimo Continente’ ou ‘Continente do lixo’, uma enorme concentração de resíduos, principalmente plásticos e microplásticos que ameaça a vida marinha.
Pouco tempo depois, a reciclagem e a logística reversa de embalagens de agrotóxicos no Brasil ganharam força significativa a partir da Lei Federal nº 9.974, de junho de 2000, que alterou a legislação anterior (Lei 7.802/1989) e tornou obrigatória a devolução das embalagens vazias pelos produtores rurais. A medida transformou o Brasil em uma referência mundial na logística reversa, com sistema que recicla ou dá destinação final correta a quase 100% das embalagens plásticas de insumos agrícolas.
Pronto! Agora fica um pouco mais fácil entender a conexão entre os oceanos e o agro.
E é exatamente para provocar esta reflexão sobre a importância da educação ambiental nas pessoas de todas idades que o Museu Dinâmico Interdisciplinar, da Universidade Estadual de Maringá (MUDI/UEM), participa da 52ª edição da Exposição Agropecuária de Maringá, a Expoingá 2026, evento realizado pela Sociedade Rural de Maringá (SRM).
Este ano, o evento ocorre de 7 a 17 de maio, no Parque Internacional de Exposições Francisco Feio Ribeiro, com o tema geral “O agro e as raízes do Brasil”. Segundo os organizadores, o objetivo é apresentar o vínculo entre o campo e a cidade e a base que sustenta a produção de alimentos, geração de empregos, inovação tecnológica e o crescimento nacional.
Os milhares de visitantes que passarem pelo Pavilhão Branco poderão conhecer a exposição a partir do tema ‘Mudi: Os oceanos e suas conexões com o Agro, com o verde e com a vida’. A mesma temática com enfoque na cultura oceânica foi apresentada ano passado, seguindo o tema da 22ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT), e agora será ampliada para outros eixos.

‘Continente de lixo’
O professor da UEM e diretor do Mudi, Celso Ivam Conegero, explica que “um dos aspectos importantes da ida à Expoingá com essa temática é considerar que o agro brasileiro é um modelo a ser seguido. Por isso, nós estamos convidando a população para fazer uma grande reflexão sobre a relevância da logística reversa de outras áreas, de outros resíduos”.
A proposta é conscientizar o cidadão e cidadã de que cabe a cada um pensar em relação à destinação correta das embalagens plásticas. “É papel do Mudi levar à Expoingá o assunto, despertando nos visitantes o cuidado que devemos ter com o nosso lixo, que acaba indo para os oceanos”, afirma Conegero.

Para o diretor, a ciência pesquisa e continua buscando soluções para quase todos os materiais. “O que falta é, muitas vezes, investimento, boa vontade e, basicamente, investimento para implantarmos a logística reversa, porque têm determinados materiais que para recolher de volta e transformá-lo, ou até neutralizá-lo, é preciso um alto investimento. Então, cabe aos legisladores, aos executivos, trabalhar nesse sentido”, alerta o diretor do Mudi.
Curadoria
Quem for à Expoingá 2026 poderá visitar a exposição do Mudi, onde haverá a apresentação de um oceano limpo e o continente do lixo, além de exemplos de logística reversa com embalagens do agro, que conta com o apoio do Centro de Ciências Agrária (CCA), da UEM.
Segundo o curador da exposição, professor Marcílio Hubner de Miranda Neto, os visitantes poderão conhecer também a coleção de insetos da professora Yoko Terada, com enfoque na polinização, a exposição Dissecando com o olhar e o Caleidoscópio. Os ambientes da Ludoteca e Experimentoteca de Física, Matemativa e Tabagismo também estarão no pavilhão branco.

Novidades
Entre as novidades que irão compor a exposição, o Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação Paraná Faz Ciência (NAPI PRFC) irá levar trabalhos científicos desenvolvidos por alunos que integram a Rede de Clubes Paraná Faz Ciência. Desde 2024, estudantes da Educação Básica participaram dos clubes ciências, que atualmente ultrapassam mais de 300 grupos. Os Clubes selecionados para participar da Expoingá 2026 são aqueles pertencentes ao Núcleo Regional de Educação (NRE) de Maringá.
O Mudi, em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde de Maringá, irá oferecer Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS) aos visitantes da feira. Assim, a comunidade poderá conhecer e experimentar, gratuitamente, atendimento profissional como Auriculoterapia, Reiki, Aromaterapia, Escalda pés, Acupuntura, Barra de Access, Reflexologia, Biomagnetismo e orientação sobre plantas medicinais.
Itinerância
Além da Expoingá, o projeto Muditinerante também participa de outras feiras, como a Expo Umuarama, Expo Cianorte, entre outras atividades fora do museu. Nas itinerâncias, o objetivo é a popularização da ciência e diminuir as desigualdades, já que muitas pessoas não têm em suas cidades um espaço museal.
“Temos que fazer com que a ciência chegue a mais públicos, despertando nos jovens o interesse e, ao mesmo tempo, combatendo a desinformação”, afirma a professora da UEM, Ana Paula Vidotti, coordenadora do Muditinerante. O projeto tem o apoio do programa ‘Itaipu Mais Que Energia’, da Itaipu Binacional, e a parceria da Associação dos Amigos do Mudi (Amudi).
Confira abaixo todos os espaços que formam o acervo do Mudi, no campus sede da UEM, em Maringá/UEM. Se estiver por perto, verifique no site os dias e horários de visitação.

Para ela, a itinerância ajuda a contribuir com uma cultura científica mais inclusiva e relevante, com uma linguagem mais interativa e instigante. “A Expoingá é uma das maiores do Brasil e reúne um público muito diverso, com um fluxo de milhares de pessoas. Esta ação tem um papel estratégico na divulgação da ciência, criando uma oportunidade fundamental para a educação não formal”, enfatiza Ana Paula.
Mais do que despertar o interesse pela ciência, a presença do Mudi numa feira popular cria oportunidades e reforça a ideia de que o conhecimento científico não é exclusivo. “Não é só negócios e entretenimento. É um ambiente bem potente de educação e formação do cidadão para o conhecimento científico, ferramentas poderosas que levam ao desenvolvimento de tecnologias inovadoras que a sociedade prescinde para se devolver”, finaliza Ana Paula.
Para saber mais sobre a participação do Mudi na Expoingá 2026, fique atento ao site e as redes sociais do museu e nos conte tudo. Queremos saber o que você achou!
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Texto: Silvia Calciolari
Revisão de texto: Ana Paula Machado Velho
Arte: Hellen Vieira
Supervisão de arte: Hellen Vieira
Edição Digital: Guilherme Nascimento
A pesquisa que mencionamos contribui para os seguintes ODS:

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