Para Sorrir com Saúde, hábitos saudáveis são essenciais

Ilustração infantil com uma dentista negra, de cabelos cacheados e usando jaleco branco, examinando os dentes de um menino. Ela segura um instrumento odontológico próximo à boca da criança, que veste camiseta azul e sorri mostrando os dentes. Ao fundo, há círculos grandes em tons de laranja, amarelo, verde e azul, além de pequenas ilustrações de dentes. Na lateral direita, aparece o crédito vertical: “© Conexão Ciência | Arte: Any Veronezi”.
Projeto leva conhecimentos para além das clínicas e promove saúde e bem-estar de forma integral para a comunidade externa

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Você tem ou já teve medo de ir ao dentista? Para muitos, “medo” pode não ser a palavra certa, mas a insegurança do consultório e dos equipamentos odontológicos pode causar uma certa aflição, principalmente, para crianças.

Aliás, o Brasil é o país com o maior número desses profissionais no mundo! De acordo com a publicação Demografia da Odontologia no Brasil em 2026, do Ministério da Saúde, contamos com mais de 665 mil profissionais de saúde bucal.

A formação desses profissionais na Universidade Estadual de Maringá (UEM), em período integral por cinco anos, visa preparar os estudantes para trabalharem no Sistema Único de Saúde (SUS) e reconhecer as diversidades sociais em seu território de atuação. Inclusive, isso é o que justifica a existência do projeto de extensão “Sorrir com Saúde”, que completa 18 anos de atuação em 2026.

O projeto nasceu associado às atividades de estágio do curso de Odontologia da UEM, que possui mais de mil horas de atividades práticas que precisam ser realizadas fora da universidade. A proposta é aproximar os estudantes da realidade da população e levar conhecimentos e ações de saúde bucal a pessoas que nem sempre têm acesso facilitado aos serviços odontológicos.

  • A primeira fotografia registra uma ação educativa de saúde bucal conduzida por estudantes ou profissionais devidamente paramentados com jaleco branco, máscara facial e touca descartável. Ao redor de mesas brancas de plástico, crianças sentadas realizam atividades interativas, colorindo folhas de papel com desenhos temáticos e interagindo com dois grandes modelos lúdicos de dentes em papelão: um deles com expressão sorridente e outro com feição triste, que vai sendo preenchido com figuras que representam alimentos prejudiciais aos dentes, como doces e lanches.
  • A segunda imagem retrata uma demonstração prática e individualizada em um ambiente infantil decorado com balões lilases e adesivos de parede. Nela, um profissional de saúde, usando jaleco branco, óculos de proteção, máscara e touca na cor vinho, orienta de forma inclinada e atenciosa um menino de camiseta vermelha, que observa atentamente um painel horizontal com representações de dentes e manchas amareladas, tendo ao fundo um modelo anatômico de arcada dentária vermelha sobre a mesa.
  • A terceira imagem destaca uma instrução técnica direta de escovação, onde uma profissional uniformizada com jaleco branco, touca descartável e máscara rosa segura um macromodelo articulado de arcada dentária. De costas para a câmera, uma menina de camiseta rosa manuseia uma escova de dentes infantil de cerdas amarelas diretamente sobre os dentes do modelo, reproduzindo os movimentos corretos sob a supervisão e o olhar atento da facilitadora.
  • A quarta fotografia volta a retratar a dinâmica em grupo na mesa de atividades, mostrando o envolvimento direto das crianças no momento da escolha dos elementos. Os monitores uniformizados seguram os dois grandes recortes dentários, enquanto uma das crianças, sentada com lápis de cor e folhas de desenho à sua frente, estende a mão para selecionar uma das peças coloridas de papel que diferenciam hábitos saudáveis de práticas que favorecem o surgimento de cáries.
  • A quinta imagem oferece um plano fechado e aéreo sobre a mesa de atividades, focando nos dois modelos lúdicos de dentes recortados. O dente sorridente aparece preenchido com ilustrações de alimentos saudáveis e itens de higiene, como maçã, banana, cenoura, uva, pêssego, morango e fio dental, enquanto o dente triste está coberto por desenhos de alimentos açucarados e ultraprocessados, como sorvete, hambúrguer, rosquinha e manchas pretas que simulam cáries, cercados por caixas de lápis de cor e desenhos temáticos sendo coloridos pelas mãos das crianças ao redor.

Com uma equipe pequena e predominantemente feminina, o projeto participa de ações promovidas pela Secretaria Municipal de Saúde de Maringá, além de atuar em escolas, centros de educação infantil, instituições como a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), locais de longa permanência para idosos e outros espaços públicos e privados. Também existem parcerias com municípios da região, como Sarandi e Marialva.

Para a professora Tânia Harumi Uchida, que participa do projeto desde que era aluna da graduação, juntamente com a coordenadora do projeto, a professora Mitsue Fujimaki, o Projeto Sorrir com Saúde representa uma experiência de extensão universitária que aproxima a formação acadêmica da realidade da comunidade. “A riqueza e a fortaleza do nosso projeto estão na proximidade que temos, que permite ao aluno compartilhar suas experiências conosco e com a sociedade.”

Para Bruna Maria de Lima, aluna do terceiro ano de Odontologia e integrante do projeto, as experiências proporcionadas pela extensão modificaram sua maneira de compreender o atendimento odontológico: “As vivências do projeto me fizeram mudar a forma como eu percebi que devia tratar aquele paciente”, diz. 

O infográfico, com fundo de papel quadriculado e estilo de caderno escolar, aborda a pergunta "Como funciona a escovação supervisionada?". A explicação se divide em três etapas sequenciais, acompanhadas por ilustrações em traços infantis. A primeira etapa é a de acolhimento e orientação, na qual os profissionais se apresentam, explicam às crianças o procedimento que será realizado e constroem um clima de segurança e confiança, ilustrada pela figura de uma criança sorridente. A segunda etapa envolve atividades para o período de espera, momento em que as crianças participam de dinâmicas educativas sobre saúde bucal enquanto aguardam sua vez, representada por uma criança segurando um lápis e um desenho de dente. Por fim, a terceira etapa consiste na escovação supervisionada propriamente dita, quando o profissional acompanha as crianças até o escovódromo ou banheiro para orientar a escovação individual, com uma ilustração que mostra um profissional ensinando a criança a higienizar os dentes.
Ensinar técnicas de higiene bucal, como orientar alguém a escovar os dentes corretamente, é uma parte de outros hábitos do cotidiano que favorecem o surgimento de problemas de saúde. Por isso, o projeto de extensão trabalha com uma concepção mais ampla de saúde, falando sobre bons hábitos como alimentação e atividade física.

Segundo a aluna, o contato com crianças também permite compreender melhor suas necessidades e comportamentos. Em vez de esperar que elas cheguem ao consultório, os estudantes vão até os espaços em que elas estão, o que pode facilitar a interação e a participação nas atividades. 

Durante muito tempo, segundo Tânia, a formação odontológica esteve concentrada principalmente nos procedimentos técnicos como extrair dentes, fazer restaurações, tratar canais ou remover placa bacteriana e tártaro. Atualmente, as Diretrizes Curriculares Nacionais para os cursos da área da saúde defendem uma formação que prepare o profissional para compreender também o território em que atua e as necessidades da população.

Como exemplo dessa mudança de perspectiva está o Tratamento Restaurador Atraumático (ART), tema de um livro produzido pelo projeto, em 2018. “A técnica ART consiste na remoção do tecido cariado e na restauração do dente com cimento de ionômero de vidro, um material que libera flúor e contribui para o controle da cárie. Além de possibilitar o atendimento em locais mais próximos da comunidade, a estratégia pode diminuir o medo que algumas crianças associam ao consultório odontológico, especialmente por causa da injeção e do barulho do ‘motorzinho’ odontológico”, explica Tânia.

O infográfico, mantendo o mesmo estilo visual de folha quadriculada, detalha o "Passo a passo do Tratamento Restaurador Atraumático (TRA)" ao longo de quatro fases ilustradas. O procedimento começa com o preparo, realizado em um ambiente acolhedor e familiar para o paciente, como a própria escola ilustrada em um dos desenhos, preparando a estrutura dentária com cuidado e suavidade. Em seguida, ocorre a remoção, etapa na qual os dentes passam por limpeza e a cárie amolecida é retirada de maneira delicada utilizando exclusivamente instrumentos manuais, sem agulhas e sem o ruído de brocas ou "motorzinho", simbolizado por um desenho de seringa com sinal de proibição. A terceira fase é a restauração, momento em que o dente é preenchido com um material liberador de flúor contra novas cáries, o qual é moldado suavemente pela pressão do dedo do próprio profissional. O ciclo se encerra na finalização, momento em que o paciente conclui a sessão sorridente e livre de traumas, conforme retratado na ilustração de um rosto feliz, com a única recomendação de aguardar uma hora para se alimentar.
O ART foi pensado para situações em que o atendimento odontológico pode ser realizado fora do consultório tradicional. Em vez de levar a criança até uma clínica, o profissional pode realizar o procedimento em ambientes como escolas, creches ou outros espaços comunitários.

O livro produzido pelo projeto funciona como um guia para profissionais de saúde que desejam implementar o ART em seus municípios. O material foi desenvolvido em parceria com a Secretaria de Estado da Saúde do Paraná (SESA) e está disponível gratuitamente para consulta e download aqui.

Tânia destaca que muitas pessoas dependem do SUS para conseguir atendimento odontológico, já que o tratamento particular pode ter um custo elevado. Ela também chama atenção para uma mudança histórica na forma de tratar os problemas dentários no país. Durante muito tempo, diante de uma dor de dente, a extração era frequentemente utilizada como solução. Hoje, a perspectiva é priorizar a prevenção, o tratamento e a preservação dos dentes.

A imagem mostra uma atividade de atendimento odontológico infantil em um ambiente que parece ser uma clínica-escola ou ação de extensão. Uma criança está deitada em uma maca enquanto um profissional, utilizando máscara, luvas e proteção para os cabelos, realiza um procedimento em sua boca. Ao lado, duas profissionais também paramentadas acompanham o atendimento, enquanto uma mesa reúne materiais e instrumentos utilizados nos procedimentos. A cena transmite um contexto de cuidado, ensino e atenção à saúde.
Uma das características do projeto é justamente sair do ambiente tradicional do consultório. Em eventos e ações de saúde, estudantes conversam diretamente com a população, apresentam informações e desenvolvem atividades educativas. Em outros contextos, a equipe realiza ações de promoção e prevenção em locais onde as pessoas já estão inseridas no cotidiano (Foto/Sorrir com Saúde)

A professora cita o Brasil Sorridente, política pública que ampliou o acesso da população brasileira à atenção odontológica pelo SUS. Para ela, porém, não basta haver recursos ou profissionais: a gestão também é determinante para que os serviços funcionem adequadamente. Uma atenção à saúde qualificada depende de pessoas preparadas para administrar os serviços, coordenar equipes e compreender as necessidades de cada território.

Entre as dificuldades que envolvem tratar de saúde pública com orçamento baixo ou quase inexistente, iniciativas de extensão como o “Sorrir com Saúde” ajudam a aproximar os futuros profissionais dessa realidade, ainda durante a graduação. Depois de quase 20 anos, a proposta central do projeto permanece a mesma: colocar a saúde como prioridade. Isso porque falar sobre saúde bucal também envolve alimentação, prevenção, acesso aos serviços, políticas públicas, formação profissional e as condições de vida da população.

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Texto:
Guilherme de Souza
Revisão de texto: Ana Paula Machado Velho
Arte: Any Veronezi
Supervisão de arte: Hellen Vieira
Edição Digital: Guilherme Nascimento

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