Imagine acordar e ver que todas as árvores desapareceram? A vida como conhecemos não existe mais! Não há nenhuma sombra na calçada, os pássaros perderam as ‘casas’ e o ar está mais seco.
A falta de vegetação afetou o clima. O calor é intenso. O nível de gás carbônico subiu na atmosfera e está cada vez mais difícil de respirar. A terra que antes era segurada pelas raízes das plantas, agora, é levada embora com as chuvas. Áreas que eram verdes, viraram desertos.
O ciclo da água falha. Sem as árvores para puxar e liberar umidade no ar faltam chuvas, mas também quando chove, ocorrem enchentes desastrosas. A extinção é em massa. Os solos são inférteis. A agricultura despencou, já não há mais água, agora há fome. Fim da biodiversidade. Colapso humano!
Chega ser um pesadelo imaginar um mundo assim, já estamos tão acostumados com as árvores no nosso dia a dia, que não paramos para pensar na importância delas para a nossa vida.
E é por isso que nos sentimos tão bem em espaços cheios de árvores, com muitas plantas, como praças e parques. São as áreas verdes que deixam os lugares mais acolhedores, as pessoas ficam mais calmas e a saúde mental melhora.
No Dia da Árvore, celebrado em 21 de setembro, essa relação entre natureza e bem-estar ganha ainda mais atenção. Não é só sobre fazer parte da paisagem, as árvores também transformam espaços de convivência e criam ambientes para dar aquele “relax” na mente.
E foi pensando nessa perspectiva que surgiu o projeto de extensão “Revitalização dos jardins e áreas verdes e Institucionalização de um roteiro de Educação Ambiental para visitantes”, na Universidade Estadual do Paraná (Unespar), unidade de São Basílio, campus de União da Vitória.
A iniciativa, que tem como objetivo revitalizar as áreas verdes da universidade, reconstrói espaços que não estavam sendo bem aproveitados, trazendo vida para o ambiente e para quem está ali todos os dias.
O coordenador responsável pelo projeto é o biólogo e professor Clóvis Roberto Gurski. Ele contou que a ideia nasceu a partir da mobilização de estudantes para recuperar os espaços verdes do campus e acabou se transformando numa ação multidisciplinar.
Projeto Revitalização dos jardins e áreas verdes e institucionalização de um roteiro de educação ambiental para visitantes no Campus São Basílio/Unespar (Foto/Arquivo pessoal) Projeto Revitalização dos jardins e áreas verdes e institucionalização de um roteiro de educação ambiental para visitantes no Campus São Basílio/Unespar (Foto/Arquivo pessoal) Projeto Revitalização dos jardins e áreas verdes e institucionalização de um roteiro de educação ambiental para visitantes no Campus São Basílio/Unespar (Foto/Arquivo pessoal) Projeto Revitalização dos jardins e áreas verdes e institucionalização de um roteiro de educação ambiental para visitantes no Campus São Basílio/Unespar (Foto/Arquivo pessoal) Projeto Revitalização dos jardins e áreas verdes e institucionalização de um roteiro de educação ambiental para visitantes no Campus São Basílio/Unespar (Foto/Arquivo pessoal)
Mãos na Terra
Na prática, o projeto acontece em diversos processos. Primeiro, é realizada a divulgação do formulário de inscrição em grupos de alunos de todo o campus. Em seguida, é feita uma reunião para apresentar e explicar o projeto.
Na próxima etapa, os estudantes extensionistas já iniciam as práticas, a chamada “mãos na terra”. Em datas que são previamente agendadas, eles realizam atividades como o mapeamento georreferenciado das áreas da universidade e o inventário das plantas que existem no ambiente do campus.
Depois, realizam o plantio de novas espécies, tanto nativas quanto ornamentais, também o corte da grama, a retirada de galhos secos, a instalação de mobiliário sustentável, como bancos e áreas de descanso e, por último, eles executam a manutenção dessas áreas.
Outra atividade que eles realizam, mas está em andamento, é a organização de um corredor ecológico em uma pequena parte do campus, onde são realizadas oficinas de Educação Ambiental para crianças. Os estudantes participantes realizam uma capacitação teórica, se tornam monitores ambientais e, assim, recebem os alunos de escolas públicas em visitas guiadas pela universidade.

Nessas visitas, os monitores conduzem a turma pela trilha e apresentam as espécies que aparecem pelo tour. Depois, explicam sobre a ecologia da região de um jeito fácil e acessível. Para isso, usam uma plataforma digital como apoio, a ideia é tornar a explicação mais interativa.
Além disso, está sendo feita a sinalização botânica de todas essas áreas, por meio da instalação de placas educativas e QR Codes, que servirão para a identificação da biodiversidade local e, ao mesmo tempo, a promoção do aprendizado.
“A ideia é que a criança não fique só ouvindo. Ela vê, toca, pergunta, escaneia e aprende com o corpo todo, não só com o caderno”, afirmou Clóvis.
Por ser um projeto de extensão que possui um caráter multidisciplinar, ele inclui estudantes de diferentes cursos. O coordenador relatou que a força desse projeto está justamente nisso.
“Um projeto de àrea verde não é só sobre plantar árvores, envolve biologia, agronomia, design de espaços, comunicação, pedagogia, tecnologia. Quando você reúne estudantes de cursos diferentes, cada um traz uma leitura própria do problema.”
Para ele, o biólogo pensa na espécie certa, o agrônomo no manejo do solo, o time da licenciatura pensa em como transformar aquilo em conteúdo para as crianças e isso enriquece o resultado e forma um profissional muito mais completo, já que ele aprende a trabalhar junto com outras áreas.
Além dos muros da universidade
Em vigência desde 1º de maio de 2026, o projeto tem estimativa de duração até 2028, de modo que ainda está em suas fases iniciais de execução.
O coordenador explicou que as primeiras transformações esperadas são a recuperação estética e ecológica das áreas inativas, para que o ambiente universitário possa ser reconstruído e ressignificado. Posteriormente, aguarda-se que esses espaços sejam ocupados pela comunidade acadêmica e que crescentemente aumente o interesse dos estudantes em participar do projeto como monitores ambientais.
“Aos poucos, começa a se perceber uma mudança na relação das pessoas com o campus. Ele deixa de ser só um lugar de passagem entre uma aula e outra e passa a ser um lugar de convivência, de estudo ao ar livre, de descanso”, contou ele.
Para a Unespar, o projeto é um ganho institucional muito grande. Por meio dele, o patrimônio é valorizado, porque transforma áreas que antes eram ociosas em lugares ativos, colocando o campus todo como referência de sustentabilidade urbana na região.
Já para os estudantes envolvidos, a iniciativa oferece uma formação muito além do conteúdo acadêmico, proporciona a possibilidade do participante colocar em prática tudo aquilo que viu em sala de aula e vivenciar, de fato, o que foi estudado. Isso gera um protagonismo entre os alunos, já que muitos se destacam e se desenvolvem com essas atividades.
Clovis relatou que os momentos mais marcantes costumam ser aqueles em que ele acompanha um estudante que começou tímido apenas ajudando no plantio, terminando o ciclo conduzindo uma turma de crianças pela trilha, explicando com segurança o nome das espécies e respondendo perguntas.
“Ver esse aluno virar protagonista, sair da posição de espectador para a de multiplicador de conhecimento, é o que traduz o impacto real do projeto”, explicou o professor.
Já com as crianças, ele diz que é sempre especial quando uma delas para diante de uma placa, escaneia o QR Code e sai com um olhar diferente sobre uma árvore que, antes, era só mais uma entre milhares.
“Já é uma pequena vitória”, comemora Clóvis.
E para a comunidade externa, o projeto “derruba os muros” da universidade. Escolas e moradores passam a ter acesso a um espaço de qualidade e aprendem sobre o meio ambiente da própria região, podendo enxergar a Unespar como algo próximo, aberto e útil. Isso fortalece o vínculo entre Academia e sociedade, que é o coração da extensão universitária.
Desafios e perspectivas para o futuro
Um dos principais desafios para que o projeto continue funcionando é a manutenção contínua das áreas restauradas. As plantas precisam de cuidado e acompanhamento frequente para continuarem se desenvolvendo. Já o mobiliário precisa ser conservado e a sinalização, muitas vezes, precisa ser reposta. Tudo isso exige dedicação e compromisso do time. Não é à toa que o projeto prevê mutirões periódicos e ciclos rotineiros de manutenção para vencer esse obstáculo.
Outro desafio é a renovação da equipe que acompanha as atividades. Constantemente, estudantes se formam e saem, sendo preciso, regularmente, capacitar novos monitores, para que assumam as responsabilidades.
Também há a dificuldade de conciliar as agendas das escolas visitantes com a rotina acadêmica. Para que ocorram visitas, é preciso organizar os roteiros conforme a disponibilidade dos monitores e com os demais afazeres da universidade, o que, por vezes, atrapalha a realização e a ocorrência de mais passeios.
Além disso, o projeto também não conta com um financiamento específico para continuar ativo, o que dificulta a realização de algumas ações. A equipe precisa sempre buscar alternativas e contar com a criatividade e a participação da comunidade para manter as atividades em funcionamento.
Apesar das dificuldades, o projeto tem a intenção de expandir e atender mais escolas. A equipe também deseja consolidar a trilha educativa sinalizada e a plataforma digital dos QR Codes com mais conteúdos, para que isso se torne uma marca do campus.
“O horizonte é bem promissor”, disse o professor.
Portanto, o projeto pretende transformar o modelo de monitoria em algo escalável, fazendo com que a experiência desenvolvida no Campus São Basílio possa ser reproduzida em outras instituições. A longo prazo, a expectativa é fortalecer o campus como um polo regional de educação ambiental e alfabetização científica, aproximando o conhecimento produzido na universidade para a comunidade.
O professor Clóvis deixou uma mensagem para os estudantes que têm vontade de integrar projetos de sustentabilidade como este, incentivando a participação e como desenvolver isso. “Comecem! Não esperem ter tudo! Orçamento, estrutura, equipe perfeita. Um projeto de extensão ambiental nasce de um olhar atento para o que já existe ao redor, uma área esquecida, uma espécie ameaçada, uma escola sem acesso à natureza. A universidade tem o dever social de estar de portas abertas, e a preservação ambiental só faz sentido quando envolve as pessoas, não só as plantas. Reúnam gente de cursos diferentes, ouçam a comunidade, capacitem os estudantes com carinho, e lembrem-se: preservar o meio ambiente é, no fundo, preservar para nós mesmos. Todo esforço, por menor que pareça, planta uma semente que outros vão colher.”
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Texto: Vitória Luiza Gomes de Oliveira Pimentel e Miriam Cauneto Pinheiro
Supervisão de Texto: Ana Paula Machado Velho
Arte: Lorena Mendonça
Supervisão de arte: Hellen Vieira
Edição Digital: Guilherme Nascimento
A pesquisa que mencionamos contribui para os seguintes ODS:

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