Aplicativo prepara mulheres para interromper violência

Ilustração em tons de rosa, lilás e verde. À direita, uma mulher aparece de perfil segurando um celular e olhando para a tela. Ao fundo, folhas verdes e grandes flores roxas ocupam a composição. Sobre as folhas, há três mulheres em diferentes situações: uma sentada usando o celular, outra sentada de costas com as pernas cruzadas e uma mulher em pé ao lado de uma criança. Pequenos corações e estrelas decorativas estão espalhados pela imagem. O fundo possui textura pontilhada em degradê lilás. No canto inferior direito está a assinatura “Conexão Ciência | Arte: Lorena Mendonça”.
Em fase de teste, app ‘Eu Decido’ pretende instruir sobre direitos e rotas de fuga para mulheres que desejam romper ciclo de abusos

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A princípio pode parecer estranho, mas quando o assunto é violência contra a mulher, precisamos pensar que a mesma mente e mãos humana que promove as mais variadas formas de violência, também é capaz de produzir ferramentas que podem salvar vidas.

Isto porque a palavra violência refere-se ao uso intencional da força física ou de poder, por ameaça ou ação, contra si mesmo, outra pessoa ou um grupo. Esse comportamento resulta, ou tem alta probabilidade, em lesão, morte, sofrimento psicológico, ou privação. A origem da palavra vem do latim violentia, que significa ‘força, vigor ou o emprego da força em ação’. 

Já o termo tecnologia, que surge da união do grego tekhne que significa ‘técnica, arte ou ofício’, e logia, ‘estudo’, significa a aplicação prática de conhecimentos científicos e técnicos para criar ferramentas, métodos ou processos que resolvem problemas e facilitam a vida humana.

Enquanto os números da violência contra as mulheres explodem no Brasil, homens e mulheres integram, desde 2022, um grupo de pesquisadores da Universidade Federal do Paraná (UFPR) que está testando um aplicativo que busca criar uma tecnologia para dar apoio à decisão e planejamento de segurança para mulheres em situação de Violência por Parceiro Íntimo (VPI). 

O projeto ‘Eu Decido’ vem sendo desenvolvido desde 2018, com uma equipe diversa e multidisciplinar de várias instituições como a Casa da Mulher Brasileira, o Sistema Único de Saúde (SUS) e a Fiocruz; universidades como a Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS), de São Paulo (USP) e do Amazonas (UFAM), capitaneadas pela UFPR. E dos Estados Unidos, a Emory University e a Florida State University, todas com vasta experiência em violência de gênero, saúde, justiça e políticas públicas.

Trata-se de uma ferramenta que permite às mulheres avaliar sua situação com privacidade, receber informações confiáveis e encontrar apoio de forma segura, ajudando-as a tomar decisões mais conscientes sobre sua própria segurança e destino.

A imagem é um infográfico com fundo em tom lilás claro sobre a violência contra a mulher no Brasil. No centro, há uma ilustração estilizada do rosto de uma mulher sem traços faciais, em tom bege, cercado por longos cabelos castanhos que se espalham em curvas por quase toda a imagem, simbolizando a dimensão e o impacto da violência. Sobre o rosto, em letras grandes na cor roxa, está o dado principal: “3.642 mulheres assassinadas em 2024”. Na parte superior, o título diz: “Violência contra a mulher em números no Brasil”, em letras roxas, com a expressão “em números” destacada sobre uma faixa lilás mais clara. Ao redor da ilustração central, caixas retangulares em tom marrom apresentam informações estatísticas: no canto superior direito, lê-se “35,2% aconteceram dentro das residências das vítimas”; logo abaixo, “Faixa etária de 0 a 9 anos (51,9%) e acima dos 70 anos”; e, mais abaixo, “64% ocorreu em contexto doméstico”. No lado esquerdo, aparecem os dados “2.457 eram pretas” e “3,4 mortes a cada 100 mil pessoas do sexo feminino”. Na parte inferior central, outra caixa informa: “De 2014/2024, 46.336 mulheres foram assassinadas no Brasil”. No canto inferior esquerdo está a fonte: “Fonte: Atlas da Violência 2026”. No canto inferior direito aparecem os créditos: “© Conexão Ciência | Arte: Lorena Mendonça”. A composição utiliza tons de lilás, marrom, bege e roxo para destacar os dados e transmitir visualmente a gravidade do tema, reforçando a mensagem de conscientização sobre a violência letal contra as mulheres no país.

“Neste percurso, foram ouvidas mais de 130 pessoas, entre entrevistas e grupos focais, mulheres e profissionais que fizeram várias sugestões a partir da versão 1.0 do app. Este ano, lançamos o 2.0, já melhorado e refinado, com base em todas as sugestões”, explica o idealizador e coordenador do projeto, professor Marcos Claudio Signorelli, da UFPR. O aplicativo está na fase de testagem, que se chama ‘Avaliação de Usabilidade’, e consiste em acompanhar 500 mulheres de todo o Brasil que farão parte da pesquisa. 

Há apenas dois requisitos para participar: ser maior de 18 anos e morar no Brasil. O perfil é bem amplo, podendo ser jovem, adulta ou idosa, de qualquer classe social e econômica; indígena, quilombola ou Pessoa com Deficiência (PCD); casadas, divorciadas ou solteiras; mulheres trans também podem participar.

Quem se inscrever vai usar a plataforma ao longo de seis meses, pois trata-se de um estudo longitudinal. A mulher acessa, responde alguns questionários em que se auto-avalia, por exemplo, sobre a saúde mental, tipos de violência como física, psicológica, assédio ou patrimonial, e o risco de feminicídio. Assim, ela obtém um resultado através de um gráfico com as cores verde, amarelo, vermelho e  laranja, que remete ao velocímetro. Os pesquisadores o chamam de ‘violentômetro’.

“A partir dessa auto-avaliação, ela consegue definir um plano de segurança pessoal. O ‘Eu Decido’ ajuda a se preparar para sair de casa emergencialmente, já deixando uma mochila preparada, e onde ir sozinha ou com crianças. Também a prepara para definir a quem ligar no meio da noite ou ir até um equipamento público de Saúde ou Assistência Social, delegacias de polícias, hospitais de referência em violência mais próximos dela”, complementa Signorelli.

Acessibilidade

A plataforma dispõe ainda de um mapa de cada cidade brasileira com os serviços da rede de apoio, além de um telefone clicável, caso a mulher quiser, e puder, marcar um horário para uma consulta ou pedir informação, uma opção a mais além dos canais oficiais. São quase 200 mil estabelecimentos marcados no aplicativo. Basta autorizar o compartilhamento da sua localização e navegar pelo mapa.

E para aumentar a acessibilidade e amplitude do projeto, há audiodescrição para não videntes, com textos em português, espanhol ou inglês, numa linguagem acessível e acolhedora para incluir mulheres imigrantes que estejam em situação de vulnerabilidade para a violência de gênero. 

Foto de retrato profissional mostrando um homem em pé, enquadrado da cintura para cima. Ele está de frente para a câmera, com os braços cruzados e expressão tranquila, transmitindo confiança e seriedade. Tem a cabeça raspada ou sem cabelos aparentes, usa óculos de armação escura e barba curta bem aparada, com bigode conectado ao cavanhaque. Veste uma camisa social de manga longa em tom azul-claro, totalmente abotoada até o colarinho. Ao fundo há uma parede amarela desfocada, sobre a qual aparece a silhueta escura de uma figura humana em movimento, como parte de uma pintura ou decoração. A iluminação é suave e uniforme, destacando o rosto e a parte superior do corpo, enquanto o fundo permanece desfocado, dando destaque à pessoa retratada.
Coordenador do projeto de pesquisa ‘Eu Decido’, da UFPR, Marcos Claudio Signorelli (Foto/Arquivo pessoal)

🎙️ Marcos Claudio Signorelli conta como se interessou pelo tema da violência contra a mulher. Acompanhe!

De acordo com o coordenador do projeto, a ideia é que a mulher decida o que fazer, sem pressão. Deve partir dela sentir se quer procurar ajuda profissional. Outro aspecto importante a ser destacado é que não é obrigatório baixar o aplicativo. Se quiser só olhar e interagir com a versão web, para não deixar nada salvo no celular, é possível acessar a versão que é uma página da internet.

Todos os detalhes do aplicativo foram pensados a partir da experiência de cada um dos pesquisadores com o tema da violência contra a mulher, mesmo de forma transversal ou multidisciplinar, durante as trajetórias na universidade. O próprio Signorelli fez uma pesquisa etnográfica em uma UBS em Matinhos, cidade do litoral do Paraná. Ao entender o problema da violência de gênero como um caso de saúde pública, e não de segurança como muitos ainda insistem em abordar, ele pode aprofundar seus estudos e participar de várias ações e iniciativas que contemplavam a questão.

“Trabalhei muito em parceria com a rede intersetorial, promovendo capacitações, cursos, oficinas para profissionais da rede, tanto da área da Saúde quanto da Assistência Social, da Justiça, em todos os municípios da região do litoral do Paraná. Em 2017, fui fazer esse pós-doutorado na Austrália, na Universidade de Melbourne, para me reciclar, capacitar e conhecer outras realidades”, recorda o professor.

Foi a partir desta experiência que ele teve contato com a proposta do aplicativo, que já estava acontecendo em vários países. “Pensei: vamos trazer essa proposta para o Brasil”, afirma. A própria criadora do projeto, a professora Nancy Glass, da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, apoiou a versão brasileira desde o início.

Mulheres reais

A vice-coordenadora do projeto Eu Decido, pós-doutoranda pela UFPR, Acácia M. Pereira de Lima, atua na Saúde Coletiva há cerca de duas décadas. Assistente social de formação, iniciou sua trajetória científica ainda na graduação e, desde então, desenvolve pesquisas voltadas à epidemiologia social e crítica, à avaliação de intervenções em saúde e às desigualdades sociais, articulando abordagens quantitativas e qualitativas para compreender problemas complexos de saúde pública.

A imagem é um infográfico com fundo lilás claro e uma borda grossa em roxo escuro. Folhas verdes e elementos decorativos em tons de rosa ocupam os cantos da composição, dando um aspecto leve ao material. No topo, em destaque, está o título “Princípios e diretrizes da tecnologia”, escrito em letras grandes na cor roxa, com a palavra “tecnologia” sobre uma faixa lilás mais escura. Abaixo do título, cinco ícones ilustram as principais funções da tecnologia no enfrentamento da violência contra a mulher. À esquerda, o desenho de uma mulher sem traços faciais acompanha o texto “Avaliar e quebrar o risco de violência”. No centro, um ícone de celular com um cursor ao lado representa a ação “Acessar informações sobre direitos às vítimas de violência”. À direita, a figura de uma pessoa usando óculos aparece junto ao texto “Conhecer estratégias de proteção”. Na parte inferior esquerda, outro rosto feminino estilizado, com um pequeno laço na altura do pescoço, acompanha a frase “Informar exemplos de planejamento de segurança”. Na parte inferior direita, a ilustração de uma mulher usando um cocar indígena representa a diretriz “Encontrar serviços de Saúde, Justiça, Segurança e Assistência Social”. No canto inferior esquerdo está a indicação da fonte: “Fonte – APP ‘Eu Decido’”. No canto inferior direito aparecem os créditos: “© Conexão Ciência | Arte: Lorena Mendonça”. A combinação de ilustrações simples, cores suaves e textos objetivos reforça a proposta educativa do infográfico, destacando como a tecnologia pode contribuir para orientar, proteger e facilitar o acesso de mulheres em situação de violência a informações e serviços de apoio.

“A temática de violência aparece no meu mestrado, quando tive uma aproximação maior ao definir como população de estudo as mulheres trabalhadoras do sexo (MTS), focando no uso da profilaxia após exposição ao HIV e episódios de violência sexual a partir de um estudo de abrangência nacional, com 4.188 MTS, coordenado pela Fiocruz”, diz Acácia. Nos últimos três anos, ela viveu no Paraná, onde trabalhou no Departamento de Saúde Coletiva, ao qual está vinculada até o momento no segundo pós-doutorado.

O grande desafio do projeto nesta etapa de teste do aplicativo, segundo a vice-coordenadora, é ampliar a usabilidade para mulheres de diferentes perfis, principalmente em áreas mais remotas, com barreiras de acesso, mulheres que comumente não são contempladas nesses processos. 

“Ainda produzimos muito conhecimento a partir de referenciais centrados no Norte Global. Quando falamos em violência de gênero, muitas vezes partimos da ideia de uma mulher universal, geralmente branca e com maior escolaridade, o que invisibiliza outras realidades”, esclarece Acácia.   

Por meio de uma abordagem transversal e multidisciplinar, o objetivo é levar a tecnologia para mulheres reais e que respondem a esses níveis alarmantes de violência, ou apresentam uma prevalência muito maior de violência, considerando diferentes marcadores sociais, como raça, território, deficiência, orientação sexual e identidade de gênero.

“A ideia é chegar a mulheres em locais mais remotos, que também são vítimas de violência. A gente pensa nas mulheres quilombolas, indígenas, sejam elas em aldeias urbanas ou rurais, ou aldeias mais tradicionais, as ribeirinhas, com deficiência e as mulheres pretas, especialmente”, acrescenta a pesquisadora.  

Após a fase de escuta ativa e observação, a inovação da tecnologia é ser formatada num contexto de ameaça e ocorrência de feminicídio, onde apenas uma a cada sete mulheres que sofrem violência procura um serviço de saúde. E mais: dados do IBGE também reforçam o aumento do uso ampliado de smartphones e demais tecnologias pela população.

“Além de oferecer ferramentas para o planejamento de segurança, buscamos ampliar o conhecimento das mulheres sobre a rede de proteção e os serviços disponíveis. O ‘Eu Decido’ foi desenvolvido com base nos princípios da autonomia, do sigilo e da confidencialidade, reduzindo barreiras como o medo do julgamento e fortalecendo o acesso à rede intersetorial de enfrentamento à violência”, enfatiza Acácia.

Foto de retrato mostrando uma mulher em pé, enquadrada aproximadamente dos joelhos para cima, posicionada diante de uma parede lisa em tom claro. Ela está voltada para a câmera e sorri de forma acolhedora, transmitindo simpatia e confiança. Tem cabelos escuros presos para trás, deixando o rosto totalmente visível. Usa brincos grandes de argola dourada e um colar delicado no pescoço. Veste um blazer rosa-claro de corte social, abotoado na parte frontal, sobre uma blusa clara. Seus braços permanecem relaxados ao lado do corpo. A iluminação é suave e uniforme, sem sombras marcantes, destacando o rosto e as roupas. O fundo simples e sem elementos decorativos direciona toda a atenção para a pessoa retratada, conferindo à imagem um aspecto profissional e elegante.
Acácia Pereira de Lima, vice-coordenadora do APP ‘Eu Decido’ (Foto/Arquivo pessoal)

🎙️ Acácia Pereira de Lima esclarece o que significa viver e reconhecer a ‘violência por parceiro íntimo’. Ouça agora!

Diferentemente de abordagens centradas exclusivamente na mudança de comportamento individual, o aplicativo integra estratégias de reconhecimento da violência, planejamento de segurança e fortalecimento da autonomia, preparando a mulher para buscar ajuda quando considerar que esse é o momento mais seguro.

Toda a formatação do projeto que resultou na versão 2.0 do app ‘Eu Decido’ teve a participação de um Comitê Consultivo, composto por representantes de diferentes regiões do país. A maioria é de mulheres que representam tanto a esfera acadêmica, como movimentos sociais, profissionais da rede de Saúde, gestoras e pessoas que possam influenciar na tomada de decisão dentro desse contexto. 

“O Comitê Consultivo nos apoia no aprimoramento científico e estratégico do projeto, contribuindo para que a plataforma seja disponibilizada ao final da pesquisa e gere evidências capazes de subsidiar sua incorporação às políticas públicas de enfrentamento à violência contra as mulheres”, adianta a pesquisadora.

Além de orientar e instrumentalizar as mulheres em vulnerabilidade, o aplicativo também irá subsidiar gestores e servidores da Saúde na elaboração de políticas públicas para enfrentar este cenário.

  • Fotografia de grupo mostrando sete pessoas em pé, lado a lado, posando para a câmera em um ambiente de evento ou congresso. Todas usam crachás de identificação pendurados no pescoço e sorriem, transmitindo um clima de integração e cordialidade. Ao fundo há um grande painel amarelo decorado com formas geométricas em tons de laranja, branco e vermelho, além de parte de uma palavra escrita em letras grandes. Da esquerda para a direita, aparece uma mulher com cabelos escuros e lisos, vestindo macacão preto sem mangas; ao lado dela, uma mulher de cabelos cacheados usa um vestido verde longo. Em seguida, há um homem de óculos, com barba curta, usando camisa xadrez em tons de vermelho e branco e calça clara. Ao centro, uma mulher de óculos veste blazer branco sobre blusa clara e bermuda marrom, segurando uma bolsa escura. Ao seu lado está uma pessoa de cabelos curtos e cacheados, usando blazer azul-escuro e calça da mesma cor. A sexta pessoa é uma mulher de cabelos cacheados avermelhados, usando blusa preta e calça clara. À direita, uma mulher de cabelos longos trançados veste camiseta branca e calça escura com listras finas.
  • Fotografia de uma reunião realizada em uma sala ampla e bem iluminada. Cerca de dez pessoas estão sentadas em cadeiras giratórias ao redor de mesas organizadas em formato de “U”, voltadas para o centro do ambiente. Os participantes acompanham uma apresentação e parecem envolvidos em uma discussão ou atividade de trabalho. Sobre as mesas há diversos documentos impressos, cadernos, celulares e garrafas de água de diferentes cores. Na parte central ao fundo da sala, uma mulher usando roupa em tom alaranjado está sentada e parece conduzir ou participar ativamente da conversa. Ao seu lado há um monitor exibindo um slide com blocos coloridos de texto. À direita da imagem, um homem de óculos e cabeça sem cabelos aparentes está sentado de frente para o grupo, também participando da reunião. O ambiente possui paredes claras, piso de cerâmica branca e teto com luminárias embutidas. Uma porta amarela se destaca ao fundo, e acima dela há uma pintura colorida mostrando pessoas reunidas em um momento de convivência. A cena transmite uma atmosfera de colaboração, planejamento e troca de conhecimentos entre os participantes.
  • Grupo de dez pessoas posa sorrindo em um amplo saguão de evento, ao redor de um estande roxo escrito EU DECIDO. oito pessoas estão em pé e duas agachadas à frente. Todas usam crachás de identificação e vestem roupas que variam entre trajes sociais e casuais. O estande exibe o logotipo da organização e um QR Code na parte frontal, além de alguns materiais informativos sobre o balcão. Ao fundo, há paredes claras, portas, janelas e iluminação natural, transmitindo um ambiente organizado, acolhedor e de encontro profissional.

Comunicação da ciência

Mas como fazer o aplicativo ‘Eu Decido’ chegar a mulheres de todas as regiões do país? 

É aqui que entra um diferencial do projeto de pesquisa. Ao entender que a divulgação de um estudo requer a expertise de um profissional habilitado na área, a coordenação do projeto definiu que toda a estratégia de comunicação seria feita com a ajuda de jornalistas. Assim, o perfil escolhido teria que ter experiência na área da Saúde. 

Assim, Aline de Oliveira Gonçalves, jornalista por formação e atualmente pós-doutoranda em Saúde Coletiva pela UFPR, entra no projeto, trazendo na bagagem a pesquisa de doutorado sobre violência obstétrica, realizada na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), campus Curitiba.

“Ter a participação de jornalistas é justamente para vencer os desafios dessa etapa do projeto, que é angariar a participação de muitas mulheres, centenas de mulheres na testagem da plataforma. Neste contexto, estamos construindo juntos as estratégias com uma equipe multidisciplinar para sensibilizar as mulheres a participarem”, explica Aline. 

Foto em formato de selfie mostrando uma mulher em primeiro plano, ocupando a maior parte da imagem. Ela sorri diretamente para a câmera, transmitindo uma expressão amigável e acolhedora. Tem cabelos escuros, cacheados e na altura dos ombros, usa óculos de armação escura e um brinco discreto em uma das orelhas. Ao fundo, vê-se um ambiente interno que lembra um prédio institucional ou de atendimento ao público, com piso claro, teto rebaixado com iluminação fluorescente e divisórias. À esquerda da imagem há um painel azul com diversos ícones relacionados à saúde e a frase “Ministério da Saúde”, que aparece invertida por causa do efeito da câmera frontal. A iluminação é uniforme e destaca o rosto da mulher, que aparece em foco, enquanto o fundo está levemente desfocado.
Aline de Oliveira Gonçalves, pós-doutoranda da UFPR (Foto/Arquivo pessoal)

🎙️ A jornalista Aline de Oliveira Gonçalves explica como o ‘Eu Decido’ pode beneficiar todas as mulheres, até mesmo aquelas que ainda não vivem uma relação de risco de violência. Saiba mais!

Junto com outras duas jornalistas, Jéssica Guanabara e Carolina Barreto, todas as informações estão sendo disponibilizadas em várias mídias e com conteúdos em formatos diversos, especialmente para as redes sociais, sempre levando em consideração o território e aspectos linguísticos de cada região. 

O grupo de comunicadores já desenvolveu produtos como sumários executivos em vários formatos, um mais extenso para enviar a outros pesquisadores e núcleos de pesquisa, além de se valer da comunicação institucional, através de assessoria de imprensa. Contudo, a própria plataforma disponibiliza muitas informações que podem ser acessadas na internet ou no próprio aplicativo.

“A gente tem visto que consegue sensibilizar e conquistar até a participação de outros pesquisadores, que têm algum envolvimento com os nossos processos de pesquisa. Eles se identificam, têm disponibilidade para ouvir e acabam colaborando”, acrescenta a jornalista.

Houve uma atenção especial para ‘traduzir’ os termos em português, a partir da língua inglesa. Por exemplo, usa-se bastante o termo ‘violência por parceiro íntimo’, que não é tão comum no Brasil. “Foi necessário fazer esses recortes, digamos, na tradução, tanto da linguagem científica para a linguagem um pouco mais coloquial, como também cuidar com essas expressões que vêm de línguas estrangeiras do inglês, principalmente”, esclarece Aline. Até porque, na mídia brasileira é mais recorrente usar violência doméstica.

A imagem é um card informativo com fundo em tom lilás claro. No lado esquerdo, há a ilustração de uma mão de pele clara, com unhas longas pintadas de roxo, segurando um celular na posição vertical. Na tela do aparelho aparece o número 180 digitado, acima de um teclado numérico com botões circulares em tons de cinza e lilás. Na parte inferior da tela há um botão redondo com o ícone de um telefone. À direita, em destaque, está o título “Canais oficiais de Ajuda e Denúncia”, em letras grandes na cor roxa, com parte do texto sobre uma faixa lilás mais escura. Abaixo, o conteúdo apresenta três formas de buscar ajuda. O primeiro bloco informa: “Emergências: Ligue 190 (Polícia Militar), disponível 24 horas por dia para situações em que a violência está ocorrendo ou acabou de acontecer.” O segundo diz: “Orientação e Denúncia: Ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher), gratuito, confidencial e funciona 24 horas.” O terceiro orienta: “Atendimento Presencial: Procure a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM). Caso não haja uma na sua cidade, qualquer delegacia de polícia civil pode registrar a ocorrência.” Na parte inferior esquerda está escrito “Fonte – Portal CNJ”. No canto inferior direito aparecem os créditos: “© Conexão Ciência | Arte: Lorena Mendonça”. O conjunto utiliza uma paleta de tons de lilás, roxo, cinza e bege, transmitindo uma identidade visual acolhedora e reforçando o foco na divulgação de canais oficiais de apoio e denúncia para mulheres em situação de violência.

Nesta etapa, a ideia é sensibilizar e buscar parcerias para dar maior visibilidade ao projeto, seja com instituições de ensino superior no país, em eventos relacionados ao tema da violência contra a mulher, como congressos e encontros, e aproveitar datas como 8 de março, Dia Internacional da Mulher.

“A gente usa esses momentos para divulgar o projeto e angariar novas participantes, além de resultar em divulgações, de certa forma, espontâneas, o que aumenta o acesso à plataforma e a participação nos questionários”, afirma a jornalista.

Por fim, vamos recapitular: se você é mulher, tem mais de 18 anos e vive no Brasil, inclusive estrangeiras e mulheres trans, o aplicativo ‘Eu Decido’ está sendo testado para informar e conscientizar sobre as forma de violência de gênero e dar dicas de como romper com o ciclo de violência. Todas podem participar, sem distinção!

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Texto:
Silvia Calciolari
Revisão de texto: Ana Paula Machado Velho
Edição de áudio: Maria Eduarda Tenório
Arte: Lorena Mendonça
Supervisão de arte: Hellen Vieira
Edição Digital: Guilherme Nascimento

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