Do alto rendimento à inclusão: o esporte transforma

A imagem apresenta uma colagem de fotografias de crianças, jovens e adultos em atividades aquáticas, incluindo natação, hidroginástica e exercícios com pesos. As pessoas aparecem sorrindo e interagindo na piscina, transmitindo alegria, inclusão, superação e bem-estar. A fotografia é segurada por uma mão ilustrada, em um cenário que remete ao ambiente de uma piscina. As cores vibrantes, os contornos e os desenhos decorativos conferem um estilo artístico e descontraído à composição, que destaca a importância da atividade física, da convivência e da saúde para pessoas de diferentes idades.
Os projetos “Natação para Todos” e “Cuidando de Quem Cuida”, da UEL, mudam as vidas de pessoas com deficiência e de suas cuidadoras

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Há exatos 50 anos, o Brasil conquistava a sua primeira medalha na história dos Jogos Paralímpicos. Você pode até achar que o país demorou muito para alcançar esse feito, mas, na verdade, foi muito rápido, afinal, a primeira edição do evento aconteceu apenas em 1960, quase uma década depois dos primeiros Jogos Olímpicos da Era Moderna.

Nas Paralimpíadas de Toronto 1976, no Canadá, a dupla de brasileiros Robson Sampaio de Almeida e Luiz Carlos da Costa foram medalhistas de prata na modalidade Lawn Bowls, formavam uma dupla. O começo de uma linda trajetória até a mais recente Paralimpíada, em Paris 2024, que consagrou a melhor campanha brasileira da história, com um total de 89 medalhas.

25 ouros, 26 pratas e 38 bronzes. Esse também foi o maior número de ouros para o Brasil em uma única edição. Além disso, conseguimos a nossa melhor colocação até então, terminando em 5º lugar no quadro geral de medalhas.

Infelizmente, muitas pessoas nem ficam sabendo da grandiosidade de nossas participações, prendendo a atenção apenas aos Jogos Olímpicos. Se você ainda tem dúvidas sobre a história dos Jogos Paralímpicos, confira esse vídeo especial sobre o tema:

É de encher de orgulho como o Brasil é uma potência nos esportes paralímpicos, não é mesmo?

Isso se deve – e muito – a diversas organizações que atuam na promoção dessas modalidades, como a Associação Desportiva Para Deficientes (ADD). A entidade foi fundada em 1996, pelo professor de educação física Steven Dubner e a administradora Eliane Miada. Nos Jogos Paralímpicos de Paris 2024, a ADD foi responsável por levar seis atletas, todos do atletismo, que trouxeram quatro medalhas para casa. 

A imagem é um cartaz informativo sobre os atletas da ADD nas Paralimpíadas de 2024, na modalidade de atletismo. O cartaz tem formato vertical, com fundo azul intenso e textura de pequenos pontos mais escuros. Ao redor, há uma moldura bege-clara com pontinhos decorativos. Na parte superior, o título “Atletas da ADD” aparece em letras grandes, em uma fonte cursiva, inclinada e estilizada, na cor bege. Logo abaixo, está escrito “nas Paralimpíadas de 2024”, em letras brancas, com o ano “2024” destacado em amarelo. Em seguida, uma faixa azul-escura traz o texto “(Modalidade: Atletismo)”, em branco. A parte central apresenta seis atletas, representados por fotografias recortadas de seus rostos, contornadas por uma borda grossa bege-clara. Cada rosto está associado a uma medalha ilustrada, com fita azul e medalhas em tons de bronze e dourado. Na primeira fileira, há quatro atletas, distribuídos da esquerda para a direita: Yeltsin Jacques: homem de pele clara, cabelo curto e escuro, sorrindo. Abaixo, seu nome aparece em letras brancas, seguido das provas “1.500m classe T11” e “5.000m classe T11”. Ao lado de seu rosto, há duas medalhas sobrepostas: uma dourada, com um brilho em forma de estrela, e outra de bronze; Antônia Keyla da Silva: mulher negra, com os cabelos escuros presos em um coque, sorrindo. Abaixo, aparecem seu nome e a prova “1.500m classe T20”. Uma medalha de bronze está posicionada abaixo de seu rosto; Ariosvaldo Fernandes da Silva (Pará): homem de pele morena, barba escura e óculos esportivos espelhados, com uma faixa ou capacete azul na cabeça. Abaixo, aparecem seu nome e a prova “100m classe T53”. Também está representado com uma medalha de bronze; Vinícius Rodrigues: homem de pele clara, cabelo curto e escuro, barba bem aparada e sorriso. Abaixo, aparecem seu nome e a prova “100m classe T63”. Uma medalha de bronze aparece abaixo de seu rosto. Na parte inferior do cartaz, há outros dois atletas, posicionados lado a lado e centralizados: Vanessa Cristina de Souza: mulher negra, com os cabelos escuros presos para trás e um grande sorriso. Seu nome aparece em duas linhas, em letras brancas. Não há indicação de prova ou medalha visível junto à sua fotografia; Alan Fonteles Cardoso de Oliveira: homem de pele morena, cabelo curto e escuro, sorrindo. Seu nome aparece em duas linhas, em letras brancas. Também não há indicação de prova ou medalha visível junto à sua fotografia. O conjunto tem aparência de uma arte de divulgação esportiva, com os nomes e as provas em destaque, fotografias recortadas e ilustrações de medalhas. O azul predomina no design, enquanto o bege, o branco, o amarelo e o bronze criam contraste e ajudam a organizar visualmente as informações.

Mas a Associação não foca apenas nos atletas de alto rendimento, já que o esporte pode mudar histórias desde os primeiros momentos da vida. Por isso, também foi a instituição pioneira na educação esportiva de crianças com deficiência, ao final da década de 1990.

Pouco depois, em 2001, surgiu um projeto de aulas de natação para crianças com deficiência. A então mestranda em Educação Física e Esportes, pela Universidade de São Paulo (USP), Márcia Greguol, participava da equipe técnica do projeto e se encantou pelas possibilidades geradas com ele. 

Em 2006, após a conclusão do doutorado, Márcia ingressou como professora adjunta do Departamento de Ciências do Esporte (DES), da Universidade Estadual de Londrina (UEL), e não pensou duas vezes em reproduzir o aprendizado na ADD para as novas levas de universitários da área. 

A fotografia mostra três pessoas dentro de uma piscina, em uma atividade aquática. À esquerda está uma mulher adulta, Professora Márcia Greguol, usando touca de natação amarela e maiô preto. Ela está sorrindo para a câmera e segurando as mãos da pessoa que está no centro. No centro está uma pessoa adolescente com deficiência, usando touca preta, óculos ou proteção facial e uma roupa de natação de mangas compridas em tom verde-azulado. Ela está sendo apoiada pelas duas pessoas ao lado. Seu rosto demonstra alegria e ela também parece estar sorrindo. À direita está outra mulher adulta, usando uma touca de natação preta com detalhes azuis e um maiô preto. Ela está sorrindo diretamente para a câmera e mantém uma das mãos próxima à pessoa do centro, participando do apoio. Atrás delas há um espaguete de piscina azul, parcialmente apoiado sobre a água. O cenário é uma piscina grande e coberta, com várias outras pessoas ao fundo realizando atividades aquáticas. A água apresenta muitos reflexos e ondas. A borda da piscina aparece na parte inferior da imagem, revestida de azul.
Professora Márcia Greguol, de touca amarela, com aluno e monitora no projeto “Natação Para Todos” (Foto/Adaptada UEL)

Assim, o projeto de extensão “Natação Para Todos” passou a integrar a piscina do Centro de Educação Física e Esporte (CEFE/UEL), coordenado pela professora Márcia – atualmente, também coordenadora do curso de Educação Física da UEL – e tendo como auxiliares os estudantes do curso. O objetivo é oferecer e aplicar atividades aquáticas gratuitamente para crianças e adolescentes com diagnósticos de deficiência visual, auditiva, intelectual, motora, múltipla ou Transtorno do Espectro Autista (TEA).

A fila de espera é imensa, afinal, o projeto é um dos únicos gratuitos nessa vertente, na cidade de Londrina. Atualmente, eles atendem 64 crianças e adolescentes, focando em casos mais graves e adaptando o meio líquido para o ato de nadar de cada pessoa.

É um projeto que ensina que não devemos nos prender ao nosso entendimento do que é um ‘nado peito’ ou ‘nado costas’, por exemplo. Cada criança vai ter a sua possibilidade diferenciada e a sua forma de entender cada modalidade. 

“A gente atende, por exemplo, crianças com paralisia cerebral tão grave que se alimentam por sonda. Então, elas talvez não tenham a autonomia para executar os nados exatamente como conhecemos. Mas, ainda assim, é possível fazer uma série de movimentações no ambiente aquático com elas, manipulando objetos, movimentando o corpo, tendo contato com outras pessoas… E, no fim, a ideia é que todo mundo se divirta e se beneficie das propriedades da água”, conta a coordenadora. 

  • A fotografia mostra uma criança sendo carregada e apoiada por um adulto dentro de uma piscina. Em primeiro plano estão duas pessoas. Atrás está uma criança, usando uma touca de natação preta e uma roupa de banho azul-escura. Ela está sorrindo e olhando para a câmera. Na frenete da criança está um homem adulto, que a envolve com os braços e parece sustentá-la enquanto ambos estão dentro da água. O rosto do adulto aparece ao lado da cabeça da criança. Ele também está sorrindo e parece estar se divertindo com a situação. O corpo da criança fica parcialmente apoiado sobre o adulto, em uma posição que lembra uma brincadeira de "cavalinho" dentro da piscina. Os braços e as pernas da criança estão espalhados sobre a água. Ao fundo há muitas outras pessoas na piscina, incluindo adultos e crianças realizando atividades de natação. Algumas usam toucas coloridas. Também é possível ver objetos de piscina, como espaguetes e pranchas. A piscina é ampla, com água azul-clara e bastante movimento.
  • A fotografia mostra uma piscina coberta, vista de perto e de frente para três pessoas que estão dentro da água. No centro está uma criança, usando uma touca de natação preta e óculos de natação escuros. Ela está sorrindo bastante e olhando diretamente para a câmera. A criança está com o corpo parcialmente submerso, com os braços estendidos para a frente e as mãos dentro da água. À esquerda da criança há uma mulher adulta, também dentro da piscina, usando touca de natação azul-clara e um maiô preto. Ela está muito próxima da criança, aparentemente dando apoio a ela. A mulher sorri amplamente para a câmera. À direita está outra mulher adulta, usando touca de natação preta e roupa de natação preta. Ela está ao lado da criança, sorrindo para a câmera e fazendo um gesto de positivo com uma das mãos. A água da piscina ocupa praticamente todo o fundo da fotografia, em tons de azul-turquesa, com muitos reflexos e pequenas ondas. No canto inferior esquerdo aparece a borda da piscina, revestida com azulejos azul-escuros com rejunte claro.
  • A imagem mostra uma criança sendo apoiada por um homem adulto dentro de uma piscina. A criança está na frente, usando uma touca de natação azul estampada e uma sunga azul-escura. Ela está sorrindo, com a cabeça inclinada levemente para o lado e olhando para a câmera. Atrás dela está um homem adulto, com barba e bigode, usando uma touca de natação azul. Ele está segurando a criança pela região do tronco, mantendo-a apoiada e segura dentro da água. O homem também sorri diretamente para a câmera e faz um gesto de positivo com a mão esquerda. A criança levanta uma das mãos para cima, com a palma voltada para a câmera, enquanto o outro braço fica apoiado pelo adulto. A água chega aproximadamente à altura do peito dos dois. Ao fundo há outras pessoas nadando na piscina, algumas crianças e adultos, mas aparecem menores e menos destacados. A piscina tem paredes revestidas com azulejos azul-claros e uma faixa azul-escura próxima à borda.
  • A fotografia mostra duas pessoas em primeiro plano dentro de uma piscina, aparentemente durante uma aula ou atividade de natação. No centro-esquerdo está uma criança, de pele escura, usando uma touca de natação branca com estampa preta, que lembra listras de zebra. A criança também veste uma roupa de banho colorida, predominantemente em tons de rosa e roxo. Ela está dentro da água, com o corpo parcialmente submerso, e olha diretamente para uma mulher que está à sua frente. Sua expressão parece alegre e envolvida na interação. À direita está uma mulher adulta, provavelmente uma instrutora. Ela usa uma touca de natação branca, com detalhes coloridos, e um maiô preto. Seu corpo está voltado para a criança e ela mantém os braços próximos ao corpo da criança, aparentemente segurando-a ou dando suporte durante o exercício. As duas estão próximas, quase frente a frente, e parecem conversar ou interagir durante a atividade. A postura da adulta é de apoio e acompanhamento. No fundo, no lado esquerdo, há outra mulher usando touca azul-clara e roupa de natação escura, parcialmente submersa na piscina. Ela está sorrindo e observa a atividade. A piscina é ampla, com água azul-clara e muitas ondulações causadas pelo movimento das pessoas. A parte inferior da imagem mostra o fundo da piscina, revestido com azulejos azuis, enquanto outras pessoas aparecem mais ao fundo.

A professora Márcia explica que o objetivo do projeto nunca foi oferecer terapia, mas que, inevitavelmente, isso acaba acontecendo. Muitas famílias atendidas têm essa única oportunidade do momento da natação para oferecer algo de viés terapêutico para os filhos. É um respiro na semana para que a criança saia de casa e se conecte com uma atividade diferente e prazerosa. 

O projeto atende crianças e adolescentes que necessitam do uso diário de cadeiras de rodas e muletas, bem como passam a semana deitados em camas hospitalares, sendo o momento da piscina algo especial para que eles tenham outra percepção dos seus corpos e suas capacidades. 

Os atendimentos, por requererem uma atenção diferenciada, acabam sendo no sistema de um-para-um, ou seja, com certa individualização. Isso permite oferecer o melhor acompanhamento para cada participante, adaptando o procedimento às suas necessidades e possibilidades, bem como promovendo segurança dentro da piscina. No entanto, no final das aulas, os monitores sempre acabam desenvolvendo atividades em grupo, criando momentos de integração e partilha entre as crianças e os adolescentes. 

Cada aluno tem a sua ficha técnica, onde são anotadas informações sobre controle respiratório, flutuação, propulsão de perna, propulsão de braço e critérios específicos visualizados durante as aulas. O registro permite analisar a evolução e adaptação de cada um dos participantes, mas claro, não há “certo ou errado” nessas avaliações, com as particularidades sendo respeitadas. 

  • A fotografia mostra três pessoas dentro de uma piscina, em uma atividade aquática. No centro está uma criança, deitada horizontalmente sobre a água, com o corpo parcialmente submerso. A criança está sem camisa e usa uma roupa de banho azul-escura. Suas pernas estão estendidas para a frente, em direção à parte inferior da imagem, e os pés ficam próximos à superfície da água. Os braços estão dobrados sobre o peito. Atrás da criança, uma mulher adulta a segura e oferece apoio para mantê-la na posição. A mulher usa uma touca de natação vermelha e um maiô escuro. Seu rosto está próximo ao da criança e ela olha para ela com uma expressão tranquila e atenta. À direita está um homem adulto, dentro da piscina, acompanhando a atividade. Ele está sem camisa, usa uma roupa de banho escura e tem uma tatuagem visível no lado esquerdo do peito. Ele olha em direção à criança e à mulher. A água ocupa praticamente toda a fotografia e é azul-clara, com muitas ondulações e reflexos de luz. No fundo, na parte superior da imagem, aparecem parcialmente outras pessoas dentro da piscina.
  • A imagem mostra uma criança pequena dentro de uma piscina, sendo segurada e orientada por uma mulher adulta. A criança está no lado esquerdo e ocupa o primeiro plano. Ela usa uma touca de natação preta e uma roupa de banho clara com desenhos ou estampas. Está com o corpo dentro da água, aproximadamente até a altura do peito. A criança olha diretamente para a mulher à sua frente. Sua boca está levemente aberta e sua expressão é bastante concentrada, como se estivesse prestando atenção à orientação recebida. A mulher está de costas para a câmera, no lado direito da imagem. Ela usa uma touca de natação preta com uma faixa clara e escrita, além de um maiô preto. Seus cabelos aparecem parcialmente na região da nuca. A mulher mantém uma mão apoiada na região do ombro ou peito da criança, enquanto a outra mão está próxima ao rosto da criança, como se estivesse fazendo um gesto de orientação ou chamando sua atenção. As duas estão próximas uma da outra, estabelecendo contato visual. Ao fundo, a piscina continua por toda a imagem. Existem outras pessoas na água, mas elas aparecem desfocadas, criando profundidade. A borda da piscina pode ser percebida na parte superior, com uma faixa de azulejos.
  • A fotografia mostra uma criança dentro de uma piscina realizando uma atividade com uma prancha, acompanhada de perto por um adulto. Em primeiro plano, no lado esquerdo, está uma criança, vista principalmente de costas e de perfil. Ela usa uma touca de natação preta e uma roupa de banho preta de mangas compridas. A criança está próxima à borda da piscina. Atrás dela está um homem adulto, parcialmente visível. Ele está muito próximo da criança e mantém uma das mãos junto ao corpo dela, aparentemente oferecendo apoio e segurança. Na frente dos dois há uma prancha de natação retangular, inclinada em direção à borda da piscina. A prancha tem uma estrutura azul e amarela e possui desenhos coloridos em sua superfície. A criança está segurando ou manipulando essa prancha com as mãos. A borda da piscina fica no lado direito e na parte inferior da fotografia, revestida com azulejos azul-escuros. Ao fundo há uma piscina grande e várias outras pessoas praticando atividades aquáticas. É possível ver adultos e crianças, além de diversos equipamentos de piscina, como espaguetes e pranchas.

“Eu sempre explico para os monitores que não podemos deixar nosso ensino preso dentro de uma caixinha. Que um nado deve começar de um jeito e terminar de outro ou que um critério de nado deve ter um resultado específico, por exemplo. Às vezes, em alguns momentos, determinadas habilidades vão ser mais difíceis e outras, talvez, nem sejam alcançadas. Mas, dentro da possibilidade de cada um, nós analisamos se o aluno está em um estágio iniciante ou intermediário, ou mesmo se já consegue fazer alguma execução de forma independente”, explica Márcia. 

E os benefícios para os alunos vão desde aqueles que são óbvios para até os inesperados. Há melhorias na resistência respiratória, no tônus muscular, na coordenação motora, na postura e no equilíbrio. Mas as mães também relatam grandes melhoras no desempenho escolar, na percepção cognitiva, na sociabilidade e na própria relação em família. 

Inclusive, para além de olhar para essas crianças e adolescentes com deficiência, a equipe do projeto passou a olhar para as pessoas ao redor de cada uma delas. O que motivou a criação, em 2023, de mais um projeto de extensão especial para as mães de crianças e adolescentes com diagnóstico severo do TEA, também coordenado pela professora Márcia.

O “Cuidando de Quem Cuida” oferece e aplica exercícios físicos gratuitamente, na academia do CEFE/UEL. Atualmente, são atendidas cerca de 20 mães e, enquanto praticam musculação, os filhos são atendidos por monitores em um espaço separado, onde desenvolvem atividades funcionais. 

  • A fotografia mostra uma mulher adulta realizando um exercício em um aparelho de musculação, enquanto um homem a acompanha. A mulher está no centro-esquerdo da imagem, de perfil. Ela usa uma camiseta azul, shorts ou bermuda preta, meias brancas e tênis pretos. Seu cabelo está preso para trás. Ela está diante de um aparelho de musculação com cabos e polias. Com as duas mãos, segura uma barra ou pegador conectado a um cabo, realizando um movimento de exercício para os braços. Atrás e ao lado dela está um homem jovem, usando óculos, camiseta preta e calça ou bermuda esportiva vermelha. Ele está inclinado para a frente e mantém os braços estendidos em direção à mulher, aparentemente orientando ou supervisionando o movimento, sem necessariamente tocá-la. No lado direito aparece parcialmente outra pessoa usando uma camiseta azul. O aparelho ocupa boa parte do lado esquerdo da fotografia e possui uma estrutura metálica vertical, cabos, pesos e barras. O chão é escuro, típico de uma academia. A parede ao fundo é bege e relativamente simples.
  • A fotografia apresenta uma academia grande e bastante movimentada, vista de uma área ampla do espaço. No primeiro plano, no lado direito, aparece uma grande máquina de musculação inclinada, de estrutura clara, com a palavra “PHYSICUS” escrita em uma das barras. A máquina possui vários pesos, barras e apoios. Um homem está sentado ou posicionado atrás dela, visto principalmente de costas. No centro da imagem há várias pessoas realizando diferentes atividades. Uma mulher de camiseta azul e shorts pretos está em pé segurando um peso próximo ao corpo. Ao lado dela há um suporte com muitos halteres pequenos de várias cores. Mais ao centro, um homem usando camiseta laranja está agachado ou sentado próximo a um equipamento, aparentemente realizando ou preparando um exercício. Ao fundo há outras pessoas treinando em aparelhos de musculação. Algumas estão em pé, outras sentadas e algumas parecem estar conversando ou recebendo orientação. No lado esquerdo aparece parcialmente um homem usando camiseta preta e calça esportiva, próximo a um banco de exercícios. O espaço é cercado por grades metálicas, e ao fundo é possível perceber que a academia fica dentro de um grande complexo esportivo. Há uma quadra esportiva atrás das grades, com uma grande rede e uma estrutura semelhante a uma cesta de basquete. Diversos equipamentos estão espalhados pelo ambiente: barras, anilhas, bancos, aparelhos de musculação, halteres e pesos. O piso é preto e emborrachado.
  • A fotografia mostra uma mulher adulta realizando exercício com dois halteres dentro de uma academia. Ela está no lado direito e em primeiro plano. Está sentada em um banco de musculação, com o corpo voltado para a frente. Usa uma regata esportiva clara, com detalhes em rosa e verde, calça preta e tênis. Ela segura um pequeno halter azul em cada mão, mantendo os dois braços estendidos para a frente, aproximadamente na altura dos ombros. A posição sugere que ela está realizando uma elevação dos braços. Seu cabelo está preso em um coque no alto da cabeça e ela olha para a frente com uma expressão concentrada. Atrás dela há uma mulher de camiseta cinza, também envolvida em alguma atividade física. Mais ao fundo, no centro, há um homem jovem usando camiseta cinza e shorts claros, segurando algumas folhas de papel e olhando para elas. No lado esquerdo aparece parcialmente um homem usando camiseta laranja, também realizando algum exercício. O ambiente está cheio de equipamentos de musculação. No centro há uma grande máquina metálica com barras e pesos. No chão, em primeiro plano, existe um step de exercícios, formado por uma plataforma preta com laterais em azul. A academia tem piso preto emborrachado e iluminação mais escura.

Essas mães, diariamente, exigem muito do próprio físico, auxiliando no transporte e deslocamento de seus filhos e necessitam de um corpo forte e resistente. Muitas delas relatam que acabam desenvolvendo problemas de coluna, nos ombros e joelhos, tornando fundamental que também deem atenção para a própria saúde. 

Infelizmente, muitas negligenciam esse aspecto, em detrimento da saúde dos próprios filhos. Por isso, o projeto chega com a missão de oferecer o protagonismo a essas mulheres, avaliando sua aptidão física, composição corporal, capacidade cardiorrespiratória, qualidade de vida, força, flexibilidade e, até mesmo, nível de depressão. 

“O foco é saúde e não estética, mas, muitas dizem que começaram a se olhar mais, dar mais atenção para si próprias, pensando na autoestima e começaram a cuidar mais da alimentação. Além disso, elas também criaram vínculos entre si, formando uma grande rede de apoio e a amizade é uma das coisas que a gente mais percebe que colabora na melhora da qualidade de vida”, comenta a coordenadora. 

Márcia conta que os monitores percebem as melhorias conforme realizam o acompanhamento, com as mães desenvolvendo mais força e resistência física, diminuindo dores no corpo e, o mais importante, enxergando-se para além da maternidade atípica. 

  • A fotografia mostra um grupo grande de aproximadamente 15 pessoas reunidas para uma foto, dentro de uma academia ou centro esportivo. As pessoas estão organizadas em duas fileiras. Algumas estão em pé na parte de trás, enquanto outras estão sentadas ou agachadas na frente. Todas estão voltadas para a câmera, e a maioria está sorrindo. Na parte de trás há homens e mulheres com roupas esportivas variadas, como camisetas, regatas e calças ou shorts. No lado direito, um homem alto usa uma camiseta amarela e faz um gesto de positivo com uma das mãos. No centro do grupo há uma jovem usando uma blusa rosa, próxima de outras pessoas. Na frente estão várias pessoas sentadas ou agachadas. Há mulheres e homens usando roupas esportivas de diferentes cores. Uma mulher no lado direito veste uma camiseta azul-turquesa. No centro, um homem usa uma regata vermelha, sentado com os joelhos dobrados. O ambiente é uma academia ampla, com piso escuro e diversos aparelhos de musculação. Ao fundo e nas laterais existem estruturas metálicas, equipamentos de exercício e uma parede que parece ter uma área de escalada, com pequenas peças coloridas fixadas nela.
  • A imagem mostra uma quadra esportiva coberta, onde várias pessoas participam simultaneamente de exercícios e atividades físicas. No primeiro plano, no centro da imagem, há uma mulher de costas para a câmera, usando uma camiseta rosa, calça legging preta e tênis. Ela está posicionada sobre uma escada de agilidade, um equipamento colocado no chão formado por duas tiras compridas pretas e vários degraus amarelos. Mais à frente, uma pessoa está deitada de barriga para baixo sobre um colchonete vermelho, aparentemente realizando algum exercício. Ao lado dela há um homem usando uma regata vermelha, agachado e acompanhando a atividade. No centro mais ao fundo, uma mulher de camiseta azul segura uma bola amarela nas mãos. À esquerda há outras pessoas fazendo exercícios: uma mulher de roupa verde segura pequenos pesos ou halteres, enquanto outra pessoa utiliza pesos semelhantes. Há vários cones de treinamento pretos e amarelos espalhados pela quadra, delimitando áreas para os exercícios. Também existem pequenos pesos e equipamentos esportivos no chão. A quadra é grande, com piso de madeira clara e marcações esportivas brancas. Uma rede de vôlei atravessa horizontalmente a cena. Ao fundo podem ser vistas outras pessoas praticando esportes e algumas cestas de basquete.

Para além dos projetos de extensão, a docente também coordena o Grupo de Estudos e Pesquisa em Atividade Física e Deficiência (GEPAFID), que, por meio de intervenções práticas, investiga o impacto de diferentes atividades físicas e esportivas em indicadores de saúde de Pessoas com Deficiência (PCDs).

O grupo também tem o propósito de disseminar informações sobre a aptidão física e a prática de atividade física e esportiva de PCDs para a comunidade em geral, enfatizando a importância do processo de inclusão social entre a população e dos Esportes Adaptados para PCDs.

Todos os monitores do “Natação para Todos” e do “Cuidando de Quem Cuida” fazem parte do GEPAFID, conectando diretamente a teoria à prática. São desde alunos da graduação, desenvolvendo iniciações científicas, até doutorandos, no processo de elaboração de suas teses. 

“Trabalhar ou não com pessoas com deficiência, hoje em dia, não é uma opção, graças a Deus! Você vai lidar com esse público nas escolas, nas academias, nos clubes, nos condomínios… Então, por isso, minha maior preocupação nos dois projetos é desenvolver nos alunos uma formação mais humana, mais voltada pro olhar ao outro e que eles saiam capacitados para lidar com diversidade, que é algo que eu acho que falta tanto na área de saúde”, afirma a coordenadora dos projetos. 

As aulas do “Natação para Todos” acontecem às terças-feiras, das 9h às 10h ou das 13h às 14h, bem como nas quintas-feiras, das 13h às 14h. Já as aulas do “Cuidando de Quem Cuida” ocorrem de segunda e quarta-feira, das 9h às 10h. Caso você tenha interesse em participar, entre em contato pelo Instagram dos projetos: @adaptada.uel.

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Texto:
Mariana Manieri Pires Cardoso
Revisão de texto: Ana Paula Machado Velho
Edição de vídeo: Anna Júlia Proença
Arte: Lorena Mendonça
Supervisão de arte: Hellen Vieira
Edição Digital: Guilherme Nascimento

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