Na mesa de bar com amigos, ao servir a cerveja, alguns copos se enchem de uma espuma branca, ela se torna a grande protagonista. Mas já parou pra pensar o que explica tanta espuma que se forma?
Pode parecer “inútil” e que poderia ser “eliminada” desse processo de alguma forma, mas o famoso colarinho tá longe de ser apenas estético. A espuma formada tem propriedade de ser uma espécie de “tampa aromática”, já que vai bloquear o contato da bebida com o oxigênio, segurando os compostos que dão sua característica marcante, mantendo o aroma e sabor, e até mesmo contribuindo para a temperatura.
Pode observar que, uma cerveja sem essa espuma pode parecer menos saborosa. Ou seja, podemos afirmar que a espuma que se forma pode ser usada como indicador de qualidade. Não percebemos, mas quando bebemos cerveja, o que chega ao copo é resultado do trabalho de várias reações, ISSO É CIÊNCIA!
E quando falamos em ciência muitos podem pensar em assuntos sérios, laboratórios, pesquisas e naquelas matérias escolares difíceis de entender. Mas você já imaginou aprender ciência bebendo uma cerveja com seus amigos em um bar?
Pois bem, essa é a proposta do Pint of Science, projeto que visa divulgar assuntos científicos de forma leve e descontraída, aproximando a comunidade acadêmica da população que não tem contato com o meio científico.

História
No ano de 2012, dois neurocientistas do Imperial College, renomada universidade britânica, avançaram com uma ideia que no ano seguinte se tornaria o Pint of Science que conhecemos. A princípio, o projeto inicial do Dr. Michael Motskin e do Dr. Praveen Paul era convidar pacientes com Parkinson, Alzheimer e outras doenças neurodegenerativas para conhecer o laboratório onde estavam desenvolvendo suas pesquisas.
Esse primeiro encontro no ambiente de trabalho dos cientistas foi um sucesso, mas ainda havia margem para melhora. Foi aí que os pesquisadores pensaram “por que não levar a ciência até as pessoas?” E assim nasceu o Pint of Science. Em 2013, ocorreu a primeira edição em apenas três cidades do Reino Unido. Hoje, o evento é conhecido mundialmente, sendo realizado simultaneamente em mais de 25 países.
O Pint of Science é um evento diferente de qualquer outro, e o que o torna tão especial é a democratização do conhecimento. Com o lema “Um Brinde à Ciência”, o objetivo é estabelecer um diálogo descontraído e informal, em que o pesquisador sai do ambiente de trabalho formal e vai a um bar apresentar seu trabalho.
Isso mostra que a ciência é acessível para todos, permitindo que o público faça perguntas e discuta sobre temas relevantes de diversas áreas do conhecimento. Além de proporcionar essa experiência única, o evento quer inspirar jovens estudantes e promover o interesse pela ciência e tecnologia, contribuindo para o desenvolvimento da educação científica no país.
O Pint em Maringá

Alguns anos atrás, o Pint of Science chegou ao Brasil. Com um pouco mais de 250 mil habitantes, a cidade de São Carlos, no interior de São Paulo, foi a primeira a receber o evento em solo nacional. Hoje, o Brasil se tornou o país com mais cidades a receber o Pint of Science no mundo, com expectativa de ter aproximadamente 213 municípios sediando o evento este ano.
Em 2025, o Paraná foi o estado com a maior participação de cidades, 31 no total. De acordo com o coordenador regional sul do festival, Eduardo Inocente Jussiani, o Paraná conta com uma sólida rede de universidades e centros de pesquisa, fator que contribuiu para a expressiva participação do Estado no evento.
Desde 2018, Maringá está na lista extensa de cidades que recebem o Pint of Science, que começou no Brasil 11 anos atrás. Em nossa cidade, a comissão organizadora conta com 36 membros da UEM e da Unicesumar, e a divulgação de informações do evento em Maringá é feita pelo Instagram do Nupélia (Núcleo de Pesquisas em Limnologia, Ictiologia e Aquicultura) da Universidade Estadual de Maringá.
A coordenadora geral da edição do evento em Maringá, professora Carla Simone Pavanelli, destaca a importância de mostrar que a ciência está presente no dia a dia das pessoas, mesmo quando elas não percebem, “a ideia é fugir da linguagem técnica e trazer uma comunicação mais leve, envolvente e próxima das pessoas.”

Os números mostram que essa proximidade já é realidade, na edição passada, o evento totalizou mais de 270 pessoas beneficiadas, e a meta para esse ano é superior. Com o apoio da Assessoria de Comunicação Social (ASC) da UEM na divulgação, a organização espera atingir um público maior, englobando toda região metropolitana de Maringá.
Em 2026, haverá novidades! Para conhecer melhor o público que frequenta o evento, a organização está implementando um formulário. Como forma de incentivo ao preenchimento da pesquisa, quem responder às perguntas participará do sorteio de brindes exclusivos. Não é obrigatório preencher, caso não participe da pesquisa, você poderá aproveitar a programação normalmente.
3 dias de muita ciência
Essa vai ser a maior edição do planeta e da história, contando com mais de 100 cidades pelo mundo. Em Maringá, o Pint of Science vai seguir o calendário mundial do evento, ocorrendo nos dias 18, 19 e 20 de maio.
Além dos três bares que já sediaram no ano passado com ótimas palestras – Atari Bar, Hórus Cervejaria e RedCor Cervejaria -, outros locais também vão reunir um público que quer se conectar com a ciência: Don Beer, Bar Apenas Bar e Caravelha.

Vale lembrar que toda a estrutura do Pint of Science funciona de forma colaborativa. O evento é totalmente gratuito, e o único gasto é com o próprio consumo do bar. Os organizadores e palestrantes atuam de forma voluntária, com o objetivo de socializar e levar conhecimento ao público.
Existe uma curadoria, mas a comissão possui liberdade para escolher os temas, desde que o foco seja a divulgação científica. “Além da formação acadêmica, a gente procura pessoas que saibam se comunicar bem com o público”, destaca a professora.
A ideia de receber espaços não acadêmicos para receber ciência tem foco de divulgar para a sociedade a Ciência produzida por instituições acadêmicas de Maringá. E não são palestras tradicionais, são conversas mais curtas, dinâmicas e abertas à interação com o público.
Esperamos te ver nos dias 18, 19 e 20 de maio, no bar mais próximo de você!
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Texto: Bernardo Vená e Guilherme Nascimento dos Santos
Revisão de texto: Ana Paula Machado Velho
Arte: Nathália Montalvão
Supervisão de arte: Hellen Vieira
Edição Digital: Guilherme Nascimento
A pesquisa que mencionamos contribui para os seguintes ODS:

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