Por um mundo livre do consumo de tabaco!

Ilustração em tons de azul sobre o combate ao tabagismo. A imagem mostra várias pessoas, incluindo jovens e adultos, cercadas por flores, estrelas, corações, pássaros e outros elementos decorativos. Algumas figuras aparecem fumando, enquanto outras interagem com plantas e símbolos naturais. O contraste entre as pessoas, a fumaça e a natureza reforça uma mensagem de conscientização sobre os impactos do cigarro e a importância de uma vida mais saudável.
Projeto Antitabagismo desenvolvido no Mudi/UEM se propõe a evitar que mais crianças e adolescentes sejam vítimas do cigarro eletrônico

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Desde que o mundo é o mundo que conhecemos e vivemos, a história da humanidade tem se confundido com a história do tabaco e seus derivados. Do rapé, passando pelo charuto e narguilé, até os Dispositivos Eletrônicos para Fumar (DEFs), essa substância sempre foi ‘vendida’ como uma ideia que representa glamour, charme e sucesso. E mais: atualmente, como escape para problemas, ansiedade e frustrações.

Se voltarmos no tempo, a partir de 1500, período dos grandes descobrimentos e da colonização européia na África e na Ásia, vemos que foi nesta época que o tabaco se difundiu por todos os continentes. O toque inicial veio com o botânico francês Jean Nicot, que estudou e atribuiu propriedades medicinais à planta. Pela relevância, a planta acabou sendo batizada com seu nome e ficou conhecida cientificamente como Nicotiana tabacum

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o consumo do tabaco deixa um rastro de doenças e mortes evitáveis que pavimenta o caminho dos mais de 1,1 bilhão de fumantes em todo o mundo. Deste total, 80% vivem em países de baixa e média renda, onde o fumo tem aprofundando as desigualdades sociais e econômicas.

Pesquisas apontam que o tabaco é responsável pela morte de mais de 7 milhões de pessoas por ano no planeta. Isto, sem contar os mais de 1,2 milhão de mortes como resultado de não-fumantes expostos ao fumo passivo. 

Só não é pior porque, há décadas, os cientistas vêm alertando para os riscos à saúde causados pela dependência da nicotina, substância psicoativa altamente viciante que atua de forma rápida no sistema nervoso central, sendo a principal responsável pela dependência do fumo e de outros produtos derivados do tabaco. A ciência começou a relacionar o tabagismo com o câncer de pulmão e o aumento da mortalidade de forma definitiva no início da década de 1950, por meio de estudos pioneiros conduzidos por Richard Doll e Austin Bradford Hill, no Reino Unido, e por Ernst Wynder e Evarts Graham, nos Estados Unidos. 

Para conter a queda nas vendas a partir da divulgação dos estudos, a indústria adotou estratégias que foram do negacionismo sobre os impactos do cigarro na saúde, financiamento de ciência falsa e ocultação de dados sobre vício, além de ‘garantir’ que os cigarros com filtro e as versões ‘Light’ eram opções seguras.

A imagem é um infográfico vertical, com fundo vermelho-escuro texturizado. Na parte superior, em letras grandes e brancas, aparece o título: “FUMAR OU NÃO FUMAR DEIXOU DE SER UMA QUESTÃO!”. À esquerda, há uma grande ilustração em tons de cinza que lembra a silhueta de um pulmão ou de uma via respiratória. No canto superior direito, aparece o mapa do Brasil em cinza, parcialmente coberto por uma mão que segura uma lupa sobre a região Sudeste. No centro e à direita, quatro informações são apresentadas em letras brancas, cada uma acompanhada por um círculo cinza. A primeira diz: “173 mil pessoas/ano ou 477/dia morrem por tabagismo no Brasil”. A segunda informa: “50 doenças evitáveis relacionadas ao fumo”. A terceira afirma: “R$ 45 bilhões/ano custos indiretos por perda de produtividade e morte prematura”. A quarta diz: “R$ 67,2 bilhões/ano custos médicos associados”. Na parte inferior esquerda está a indicação “Fonte: ACT Promoção da Saúde”. No canto inferior direito, em letras pequenas, aparece “© Conexão Ciência | Arte: Lorena Mendonça”.

Já imaginou como seria a vida sem o tabaco? Muita gente já projetou esse cenário e segue pesquisando e trabalhando para livrar as futuras gerações da dependência da nicotina.

Tanto é verdade que, para marcar a importância do movimento antitabagismo, em 1986, foi instituído no Brasil a data de 29 de agosto como o Dia Nacional de Combate ao Fumo, com o objetivo principal de conscientizar a população sobre os riscos à saúde. 

Desde então, há leis regulando o consumo para menores de 18 anos (1996), além de proibir o consumo em locais fechados e públicos (2014), a propaganda de produtos com nicotina e a produção e a comercialização e consumo de DEFs (2024). Nestes termos, mesmo que tardiamente, o país tem seguido a tendência mundial de combate ao tabagismo, inclusive com tratamento oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS). 

Porém, especialistas dizem que ainda há muito o que alcançar, mesmo em países que aprovaram leis severas que proíbem o consumo de cigarros. Este ano, o Reino Unido e as Maldivas aprovaram proibições geracionais que impedem a venda de tabaco para os nascidos a partir de 2009 e 2007, respectivamente, mesmo quando forem adultos. 

Ainda assim, a indústria do tabaco não dorme no ponto. Quanto mais se avança em políticas públicas antitabagistas e na conscientização da população para os efeitos nocivos do cigarro, mais o setor fumeiro inova na busca de novos e fiéis ‘consumidores’. E o prejuízo só aumenta para os cofres públicos. Dados de 2025, do Instituto Nacional de Câncer (Inca), apontam que, para cada R$ 1 de lucro para os fabricantes, o sistema de saúde público gasta R$ 5 com doenças relacionadas ao fumo, muitas delas evitáveis.

Universidades em ação

Nesta história, é aqui que entra o papel fundamental das universidades na pesquisa, projetos de extensão, capacitação e formação de novos professores para o Ensino Básico.  O foco é evitar a experimentação e conscientizar crianças e adolescentes, no ambiente escolar, para os riscos à saúde física e mental que a dependência ao tabaco provoca no organismo.

“Quando estamos avançando em projetos e atividades de prevenção, a indústria já está lançando outro. A gente tem a sensação de sempre estar enxugando gelo, mas não desistimos, nunca”, afirma o professor de Anatomia Humana, da Universidade Estadual de maringá (UEM), Celso Ivam Conegero, coordenador do Museu Dinâmico interdisciplinar (Mudi), vinculado à universidade. 

A imagem mostra um homem sentado em um ambiente que parece ser uma exposição ou espaço de divulgação científica. Ele está no centro da fotografia, sentado de frente para a câmera, com o corpo levemente inclinado para a direita. É um homem de aparência madura, com cabelos curtos grisalhos e penteados para trás, usa óculos de armação escura e veste uma camisa de manga longa, em tom verde-claro acinzentado, com os botões fechados. Ele está com as mãos apoiadas próximas ao colo e usa calça em tom marrom ou bege. Ao fundo, há paredes nas cores verde e branca, com diversos cartazes, fotografias e painéis informativos. À esquerda, destaca-se um grande painel branco com a palavra “TABAGISMO” em letras grandes vermelhas e, abaixo, a frase “DA PREVENÇÃO AO TRATAMENTO”, em letras pretas. Na parte inferior do painel aparecem logotipos de instituições que apoiam a exposição. À direita, há um grande painel escuro com imagens de folhas e informações sobre a “MANCHA DE ALTERNARIA”, causada pelo fungo Alternaria alternata, acompanhado de um texto sobre os impactos da indústria do tabaco e suas emissões de gás carbônico. No chão há grandes placas quadradas em tons alternados de bege e cinza.
Professor Celso Ivam Conegero no ambiente do Projeto Antitabagismo do Mudi (Foto/Acervo Mudi)

O Mudi é um dos únicos museus universitários no país que mantém, há mais de duas décadas, um ambiente exclusivo para o Projeto Antitabagismo. “Meu envolvimento com a temática começou quando era graduando de Biologia e estagiário, bem no início do Centro Interdisciplinar de Ciências (CIC), que originou o Mudi. No Laboratório de Anatomia Humana, nós tínhamos no nosso acervo pulmão de fumante e de não fumante. Então, comecei a mostrar isso para os visitantes e me envolver com as questões relacionadas ao tabagismo”, relembra Conegero.

Com o apoio da Aliança de Controle do Tabagismo e Promoção da Saúde ACT Promoção da Saúde, na exposição permanente, e de Itaipu Binacional para as ações de itinerância, o idealizador do Projeto Antitabagismo do Mudi/UEM recorda o que o levou a ser uma das maiores referências em estratégias e ações no enfrentamento ao tabaco. 

“Começamos a levar esse acervo e fazer pequenas intervenções nas escolas de Maringá e região. Então, a gente viu uma grande demanda e uma oportunidade fantástica de realizarmos atividades de prevenção para conscientizar as crianças a não iniciarem com o hábito do tabagismo e, também, mostrar para os fumantes o estrago que o tabaco ocasiona no corpo humano”, conta o professor.  

A partir do interesse e volume de solicitações de escolas, o grupo de professores envolvido na criação do Museu começou a ofertar cursos de capacitação e especialização nas Ciências Biológicas, com disciplinas sobre o Tabagismo, para professores na Rede Estadual de Educação do Paraná. 

“No início dos anos 2000, nós começamos a perceber que o trabalho de prevenção estava muito forte e inúmeras pessoas começaram a procurar a Universidade pedindo ajuda para parar de fumar. A prevenção a gente tava dando conta. Mas, e o tratamento?”, diz Conegero. 

  • A imagem mostra um auditório amplo, com muitas pessoas sentadas em cadeiras azuis, acompanhando uma apresentação. O público ocupa principalmente o lado esquerdo e a parte central da sala, formando várias fileiras. São homens e mulheres de diferentes idades, muitos segurando cadernos, papéis ou celulares, aparentemente fazendo anotações ou registrando o evento. No lado direito, próximo à frente do auditório, há dois homens em pé, voltados para o público, aparentemente conversando ou realizando uma apresentação. Um deles veste camisa azul-clara e calça escura; o outro usa roupas escuras. Atrás deles há uma mesa ou balcão de madeira, com formato curvo, onde aparece em letras grandes a sigla “UEM”. Sobre o balcão há alguns objetos, incluindo uma garrafa e outros materiais. Ao lado direito do balcão há uma cadeira e uma planta ornamental. A imagem transmite a cena de um simpósio ou evento acadêmico, com um grande público atento a uma apresentação relacionada ao tema do tabagismo.
  • A imagem mostra um grupo de pessoas reunido em um espaço interno de exposição ou divulgação científica sobre os impactos do tabagismo. No centro da cena, um homem de cabelos curtos e grisalhos, vestido com camisa polo cinza-escura e calça preta, está de perfil, voltado para a direita, aparentemente falando e fazendo gestos com as mãos. À direita, outro homem, de cabelos curtos e claros, veste uma camiseta branca com uma grande ilustração azul e a palavra “FIBROMIALGIA”; ele segura uma pasta ou material junto ao corpo e observa o homem que fala. À esquerda, há outras pessoas acompanhando a apresentação: um homem de cabelos grisalhos, usando camisa polo azul-acinzentada e calça escura, está com os braços cruzados; ao lado dele, há mulheres, algumas usando camisetas brancas semelhantes, com ilustrações e referências à fibromialgia. Uma delas utiliza uma bengala e a outra segura uma bolsa. Ao fundo, as paredes estão cobertas por grandes painéis informativos. No lado esquerdo, um painel escuro aborda a relação entre o cultivo do tabaco, o meio ambiente e a aplicação de agrotóxicos, acompanhado de fotografias de plantações e trabalhadores. Ao centro, um painel preto intitulado “TABAGISMO EM NÚMEROS” apresenta informações estatísticas sobre o consumo de tabaco e suas consequências, além de fotografias relacionadas ao tema. No alto, à direita, há um painel com uma fotografia de vários cigarros e textos em vermelho e preto sobre prejuízos e mortes associados ao tabagismo. Mais abaixo, uma grande televisão exibe uma tela com os dizeres “PROJETO TABAGISMO PROSSEGUIR”, além dos logotipos do Projeto Tabagismo e da ACT – Promoção da Saúde e uma ilustração de uma idosa.
  • A imagem mostra um grupo numeroso de pessoas visitando uma exposição educativa sobre os riscos e as consequências do tabagismo. As pessoas estão de costas ou de perfil, voltadas para grandes painéis informativos instalados em uma parede preta. Muitas delas usam camisetas vermelhas ou pretas, algumas com mochilas, bolsas ou outros objetos pessoais, enquanto algumas crianças e adolescentes também participam da visita. Na parede, há diversos painéis com textos, fotografias, desenhos e ilustrações relacionados ao tabagismo e à saúde. Na parte superior esquerda, destaca-se um painel intitulado “CIGARRO ELETRÔNICO”, com imagens e informações sobre os dispositivos eletrônicos e seus efeitos. Abaixo dele, há um painel chamado “DESENVOLVIMENTO EMBRIONÁRIO”, que apresenta ilustrações de diferentes etapas do desenvolvimento de um embrião. Ao centro, encontra-se o painel “TABAGISMO EM NÚMEROS”, com estatísticas e informações sobre o consumo de tabaco. À direita, outro painel apresenta o título “SISTEMA RESPIRATÓRIO”, acompanhado de imagens e representações relacionadas aos pulmões e às vias respiratórias. Mais acima, há uma sequência de imagens históricas, ilustrações e anúncios antigos relacionados ao tabaco e ao cigarro. No lado direito, outros painéis apresentam textos, fotografias e informações sobre doenças e consequências do tabagismo. A iluminação é interna e uniforme, e o ambiente tem aparência de feira, mostra científica ou exposição itinerante voltada à educação e à conscientização sobre os danos causados pelo tabaco.
  • A imagem mostra uma fotografia de grupo, com cerca de vinte pessoas reunidas em uma sala, provavelmente após uma atividade ou apresentação. A maioria dos jovens veste camisetas azuis, enquanto alguns adultos usam roupas de outras cores. As pessoas estão organizadas em duas fileiras: algumas em pé ao fundo e outras sentadas ou ajoelhadas na frente, todas voltadas para a câmera e sorrindo. No centro da primeira fileira, há uma jovem caracterizada como pirata, usando um grande chapéu preto com detalhes dourados e uma faixa vermelha, além de uma fantasia que parece representar um personagem. Ao lado dela, estão jovens sentadas no chão, uma usando blusa azul-clara e outra com blusa branca e azul. Na parte central e direita da primeira fileira, há outros jovens, alguns fazendo sinais com as mãos e sorrindo. Um deles, vestido de preto, está sentado ao lado de uma pessoa usando roupa preta e um capuz sobre a cabeça. Na segunda fileira, ao centro, há uma mulher adulta de cabelos loiros, usando uma blusa rosa, sorrindo para a câmera. Ao redor dela estão vários adolescentes e jovens, predominantemente vestidos com as camisetas azuis do Senac. Entre os adultos, também aparecem algumas mulheres e, no lado direito, um homem de cabelos grisalhos e óculos, usando uma camisa clara e sorrindo.
  • A imagem retrata uma sala de aula onde um palhaço, vestindo um jaleco branco com detalhes vermelhos e uma nariz vermelha, parece realizar uma demonstração para os alunos. Ele gesticula com um objeto fino e alongado nas mãos. Ao fundo, um homem de camisa clara parece observar a cena com atenção. Os alunos, sentados em suas carteiras, exibem expressões que variam entre o interesse e a distração, alguns sorriem e outros parecem pensativos. O ambiente é o de uma sala de aula comum, com carteiras, cadeiras azuis e um quadro na parede, sugerindo um evento educativo ou uma atividade especial. A presença do palhaço com um jaleco, uma combinação peculiar, pode indicar uma abordagem lúdica para ensinar algum assunto, talvez relacionado à ciência ou à saúde. A atmosfera geral é de curiosidade e engajamento, com o palhaço como figura central direcionando a atenção dos estudantes. Essa cena sugere uma tentativa de tornar o aprendizado mais dinâmico e divertido, fugindo da rotina tradicional de ensino.

Nasce uma nova frente de atuação, junto com a Secretaria Estadual de Saúde (SESA/PR), para trabalhar de forma ainda mais organizada por todo o Paraná. “Comecei a receber material do Ministério da Saúde e me envolver com os trabalhos no âmbito nacional, recebendo todo o apoio do Inca, da SESA/PR, da 15ª Regional de Saúde que atende Maringá e região, parceria com outras universidades… de tal maneira, que nós chegamos onde estamos e vamos avançar”, enfatiza o professor.

Para saber mais sobre o Projeto Tabagismo: Tratamento e Acompanhamento de Usuários de Tabaco de Maringá e Região’, basta acessar o site do Mudi. De acordo com Conegero, mais de 1.500 pessoas já passaram pelo projeto, seja no formato remoto ou em um grupo presencial. 

Atualmente, o portfólio de ações do Projeto Antitabagismo do Mudi/UEM envolve várias estratégias fora do Museu e com diversos parceiros, por meio do Projeto Muditinerante. Partes do acervo são expostas em escolas, praças, feiras agropecuárias, eventos nacionais e feiras de Ciências. Também há frentes como o Projeto ‘Pare de Fumar Correndo’, uma corrida de rua em parceria com a Prefeitura de Maringá, que já teve 17 edições, parou na pandemia e deve ser retomada em breve. 

Cigarro eletrônico

Especialistas que atuam na área de combate ao tabagismo afirmam, categoricamente, que o Brasil vive uma pandemia pelo uso dos Dispositivos Eletrônicos para Fumar. Apesar de proibidos no país, a variedade de modelos e acesso ilegal têm possibilitado que a insdústria se modernize e alcance pessoas cadas vez mais jovens e, principalmente, mais mulheres. Desde os anos 1970, quando as campanhas antitabagistas começaram a esclarecer a população sobre os malefícios do cigarro, é a primeira vez, em duas décadas, que a curva de consumo de tabaco está na ascendência. 

Após muitos anos trabalhando na prevenção do uso do tabaco, a equipe liderada pelo professor Conegero vem desenvolvendo atividades interdisciplinares que valorizam a saúde, tanto física quanto mental.

A imagem é um infográfico vertical com fundo vermelho-escuro, coberto por uma textura de pequenos pontos. No alto, em letras grandes, brancas e em destaque, está o título: “COMPOSIÇÃO DE CIGARROS ELETRÔNICOS OU DISPOSITIVOS ELETRÔNICOS PARA FUMAR (DEF)”. À esquerda, há uma ilustração esquemática de um cigarro eletrônico desmontado em suas principais partes, representadas por diferentes cores. Ao lado da ilustração, uma legenda identifica: “Bocal para inalação”, “Cartucho ou refil”, “Solução líquida (e-líquidos)”, “Atomizador para vaporização”, “Sensor”, “Microprocessador” e “Bateria de lítio”. À direita, há uma grande representação estilizada de uma nuvem de vapor cinza, acompanhada de uma seta branca apontando para ela. Abaixo do vapor, o texto informa que esses dispositivos podem conter propilenoglicol e glicerina; nicotina ou “sal de nicotina”; formaldeído, acroleína e diacetil, descritos como tóxicos e irritantes; metais pesados como níquel, chumbo e zinco; além de aromatizantes e até pesticidas. Na parte inferior central, em letras brancas, lê-se: “Pesquisas encontraram quase 2.000 substâncias químicas nesses produtos – muitas não informadas pelos fabricantes.” No canto inferior esquerdo aparece a fonte: “Fonte - Anvisa e ACT”. No canto inferior direito estão os créditos: “© Conexão Ciência | Arte: Lorena Mendonça”.

“Nosso processo é conscientizar as nossas crianças, da mesma forma que tem a conscientização em relação às questões ambientais, quando propomos a valorização e defesa da saúde e da vida humana”, explica o professor. 

Para Conegero, tudo está interligado. “Por isso que nós começamos a desenvolver atividades como a Aromaterapia e outras Práticas Integrativas, o projeto da Matemática e a parceria com outros departamentos da Universidade como Odontologia, Educação Física, prática esportiva”.

O objetivo é trabalhar em parceria para que as pessoas se conscientizem da importância de ter um organismo saudável, de buscar a felicidade, abandonando hábitos que acabam trazendo prejuízo para o organismo humano. “O que me motiva em todos os projetos que eu desenvolvo é o bem-estar e a melhoria da qualidade de vida da população, não só das crianças, mas da população de uma forma geral”, salienta o professor.

Capacitações Antitabagismo Mudi/UEM

Em 29 de agosto de 2025, para marcar o Dia Nacional de Combate ao Fumo, o Mudi realizou o I Simpósio de Capacitação sobre Cigarros Eletrônicos, em parceria com a 15ª Regional de Saúde e a Prefeitura Municipal de Maringá. O evento teve como objetivo reunir profissionais da Saúde, Educação e comunidade acadêmica para discutir os riscos dos Dispositivos Eletrônicos para Fumar (DEFs) e estratégias de prevenção, especialmente no ambiente escolar. 

Em abril e junho deste ano, houve as edições II e III do Simpósio Antitabagismo que trouxe palestrantes para apresentarem suas experiências e promoverem o intercâmbio de informações e abordagens. Entre os diversos convidados da terceira edição estava a fisioterapeuta, doutora em Ciências da Saúde, pesquisadora do tema, a professora Fernanda Dal’Maso Camera, que compartilhou o trabalho desenvolvido no PREVDroga, que agora passou a ser chamado de PREV AÇÃO.

De forma contínua, o programa de extensão e educação em saúde está sendo desenvolvido há sete anos na Escola de Educação Básica da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (URI), campus Erechim/RS, focado na prevenção do uso de substâncias psicoativas entre crianças e adolescentes. 

“No início, o projeto começou com uma abordagem sobre bebida energética com alunos do 6º ano, consumida muito frequentemente e de forma precoce. Percebemos também que tem pais que não sabem os efeitos no corpo juvenil. Para alunos do 7º, 8º e 9º ano, falamos sobre alguns tipos de substâncias psicoativas”, explicou a professora.

  • A imagem mostra uma sala de conferências com uma plateia assistindo a uma apresentação. No palco, há um projetor exibindo slides com fotos e texto. O texto na tela indica "Palestras sobre Narguilé - 08/06/22, Curso de Medicina da URI". Há duas pessoas em pé no palco: uma mulher, vestida de branco e usando um microfone, que parece estar apresentando, e um homem mais jovem, atrás de um púlpito, com um laptop aberto. Várias bandeiras estão dispostas ao lado do palco. Em primeiro plano, a audiência, composta por homens e mulheres, está sentada em cadeiras azuis e vermelhas, prestando atenção na apresentação. O ambiente sugere um evento acadêmico ou educativo.
  • A imagem mostra um grupo de pessoas em um corredor, em pé e reunidas. Há um ar de formalidade na ocasião, possivelmente uma reunião ou evento. Vários homens e mulheres estão presentes, vestidos de maneira casual e elegante, sugerindo um ambiente profissional. Em segundo plano, uma porta com a sinalização de "CESSAÇÃO DO TABAGISMO" e o número 4, indicando uma sala ou departamento dedicado a esse fim. Há também um quadro de avisos com informações afixadas e um ar condicionado instalado na parede. No centro, uma mulher segura um tablet ou pasta, aparentando estar em uma apresentação ou recebendo informações. Os demais observam atentamente, com expressões sérias e focadas. O ambiente parece ser de um ambulatório ou hospital, dado o tipo de sinalização e o quadro de avisos. A iluminação é clara e artificial, típica de ambientes internos. O chão é revestido com ladrilhos quadrados de cor clara. A imagem transmite uma sensação de organização e propósito, com a reunião focada em um tema de saúde pública.
  • A imagem apresenta um corredor de uma clínica ou centro de saúde com um piso de azulejos claros e paredes em tons neutros. À esquerda, destaca-se uma placa vertical na cor azul-petróleo com o número 4 e a inscrição "CESSAÇÃO DO TABAGISMO", indicando um setor especializado. A porta logo abaixo desta placa está bloqueada por uma fita de sinalização branca com logos, sugerindo que o ambiente está temporariamente indisponível ou em fase de manutenção. Ao lado desta, encontra-se outra porta branca, com uma placa de identificação menor, que separa o ambiente da área de atendimento. Mais à direita, observa-se uma placa vertical azul com o número 5 e a palavra "CONSULTÓRIO". Acima desta placa, há um quadro decorativo com o retrato de uma figura feminina clássica, possivelmente uma referência à Mona Lisa, em uma moldura de madeira escura. O ambiente é iluminado de forma sóbria e funcional, com o teto exibindo um sensor de presença ou câmera de segurança no canto superior. A disposição dos elementos cria uma atmosfera clínica, organizada e institucional, focada em sinalizar claramente os diferentes consultórios e áreas de tratamento existentes no edifício.

Em tempos de internet, quando tudo acontece de forma rápida, intensa e repetitiva, as estratégias de abordagem foram sendo atualizadas. “Antigamente, no início do projeto, nós tínhamos deixado o álcool para o 9º ano. E, com o decorrer do tempo, a gente viu o quanto nós precisaríamos antecipar as falas sobre o álcool, a maconha e todos os tipos de droga lícitas”, esclarece a especialista. No caso da maconha, uma pesquisa com os alunos apontou o uso e, por isso, o produto foi inserido no programa. Assim, a cada ano é realizada uma nova pesquisa que orienta as ações de prevenção e conscientização. 

As ações do PREV AÇÃO não se limitam a palestras expositivas formuladas por um grupo multidisciplinar. O programa utiliza métodos interativos para engajar os jovens com gincanas educativas, atividades práticas como experimentos e dinâmicas que demonstram os efeitos nocivos do tabaco e do álcool no organismo e a integração acadêmica entre cursos de graduação e pós-graduação da URI Erechim. Este ano, foi inaugurado o Ambulatório de Cessação do Tabagismo da universidade, em parceria com o Programa de Pós-graduação em Atenção Integral à Saúde (PPGAIS) e o curso de Medicina.

O grande diferencial da iniciativa gaúcha é a continuidade do trabalho de conscientização, iniciado com alunos do Fundamental II, aos 11 anos, até o Ensino Médio. “Em 2026, temos o fechamento de um ciclo em que o aluno sai da escola, aos 17, 18 anos, tendo participado de todo o programa de prevenção desenvolvido na instituição, assim como pais e responsáveis”, explica Fernanda.

Fernanda enfatizou a importância vital de uma verdadeira conexão entre escola e a família para reforçar o que é ensinado em termos de aconselhamento aos jovens para a prevenção ao uso de cigarros eletrônicos e outros tipos de drogas. Há ainda a disposição em trabalhar elementos para estimular a espiritualidade dos estudantes, como uma nova estratégia de abordagem a partir do 6º ano. 

“Nossa meta é fazer com que o aluno tenha consciência dos riscos e danos à saúde, assim como a família, mesmo que ele escolha usar alguma substância psicoativa”, completa a especialista.

Dr. Bartô

Para ampliar a discussão e trazer novas experiências, o Conexão Ciência preparou o podcast ‘Conexão Antitabagismo’, a partir do Programa Dr. Bartô, desenvolvido pelo médico pediatra da Universidade de São Paulo (USP), João Paulo Becker Lotufo. Como representante da Sociedade Brasileira de Pediatria e membro da Comissão de Combate ao Tabagismo da Associação Médica Brasileira (AMB), ele se transformou uma referência por suas publicações ao longo dos anos com uma série de livretos de apoio a educadores e familiares. 

A imagem captura um homem de meia-idade, com cabelos brancos e uma barba cheia, em um ambiente que parece ser uma instituição de ensino ou saúde. Ele está posicionado no centro do quadro, de frente para a câmera, enquanto gesticula com a mão direita, como se estivesse explicando algo ou ministrando uma aula. O homem veste um casaco de veludo cotelê marrom sobre uma blusa de gola alta em um tom bege ou marrom claro, e calças claras. Em seu braço esquerdo, ele segura um pequeno grupo de panfletos ou cartilhas, que parecem ser informativos de saúde ou educacionais. À sua esquerda, um quadro de avisos verde, embutido em uma moldura branca, exibe diversos papéis e cartazes, incluindo um folheto com o título "Libras" e informações sobre o CEAPPI. À direita do homem, uma faixa vertical verde estende-se pela parede, contendo o texto, escrito em letras brancas maiúsculas em sentido vertical, "CESSAÇÃO DO TABAGISMO", com o logotipo da universidade URI na parte inferior. O ambiente possui paredes neutras e uma iluminação clara, sugerindo um contexto profissional e informativo. O homem expressa uma postura séria, porém engajada e comunicativa.
João Paulo Becker Lotufo participa da inauguração do Ambulatório de Cessação do Tabagismo da URI Erechim (Foto/URI)

Participante do I Simpósio e parceiro do Mudi, Lotufo enfatiza no podcast a influência da internet no comportamento e hábitos de crianças e adolescentes e como os pais podem estabelecer limites para as telas, ao mesmo tempo em que professores, devidamente capacitados, devem trabalhar a temática do cigarro inserida no conteúdo programática das disciplinas. Dê um play e saiba mais sobre a luta antitabagismo.

De certa forma, as atividades que visam despertar a consciências para os riscos e perigos do consumo do tabaco podem ajudar os jovens a ter uma visão crítica sobre outros produtos que causam dependência, para além dos cigarros eletrônicos. As propagandas e os sites de apostas também estão despertando e disputando o interesse, infelizmente não só de adultos. No ambiente escolar, a luz amarela já está acesa!

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Texto:
Silvia Calciolari
Revisão de texto: Ana Paula Machado Velho
Arte: Hellen Vieira e Lorena Mendonça
Supervisão de arte: Hellen Vieira
Edição Digital: Guilherme Nascimento

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