Seu prato tem superpoderes (e a ciência comprova)!

Ilustração de uma tigela com refeição composta por macarrão, arroz branco, feijão, pedaços de frango grelhado, folhas verdes e tomates cortados. Os alimentos estão organizados em porções distintas, destacando variedade e equilíbrio. A tigela azul contrasta com as cores dos ingredientes, enquanto brilhos e efeitos gráficos valorizam o aspecto fresco e apetitoso da refeição. O fundo claro com raios em tons amarelos reforça o destaque do prato, transmitindo a ideia de alimentação saudável e nutritiva.
Cenut, da Unicentro, busca desmistificar a nutrição e auxiliar na melhora da qualidade de vida dos seus pacientes

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Uma disputa de bola, em uma pelada de sábado entre amigos, fez com que José Carlos nunca mais praticasse um dos seus esportes favoritos da juventude: o futebol. 

Com o impacto, ele teve uma torção no joelho direito, posteriormente diagnosticada como uma lesão no Ligamento Cruzado Anterior (LCA). A solução? Só poderia ser cirúrgica. Mas, o pós-operatório não se desenrolou como o esperado. José ficou 46 dias sem conseguir pisar no chão, articular o joelho e fazê-lo se movimentar, mesmo se submetendo à  fisioterapia religiosamente. 

O seu médico entendeu que seu caso era diferente dos demais, que a recuperação seria muito mais complicada do que o normal. Em cerca de seis meses, o paciente precisou passar por quatro intervenções cirúrgicas. 

É difícil imaginar o quanto todo esse processo limitou a sua rotina, toda a dor que passou, as dificuldades de locomoção, uso de medicamentos fortes, o dinheiro investido e, claro, o tempo dedicado à disciplina de cuidados fisioterapêuticos e médicos. 

Após mais de um ano das cirurgias, José Carlos ainda não se encontrava feliz com a situação do joelho direito, que não respondia bem à recuperação, continuando muito inchado, ocasionando fortes dores e não executando os movimentos esperados. 

José não queria nem pensar em realizar mais alguma cirurgia e foi aí que ele recebeu a notícia da existência de um hospital naturalista que, por meio da alimentação natural, buscava “equilibrar” o organismo, para qualquer que fosse a doença, ou seja, até mesmo para a lesão de um joelho. 

Então, José Carlos participou de um tratamento de 10 dias que consistia em uma dieta totalmente natural, livre de qualquer produto industrializado, óleos e gordura, além de ser regada à vegetais, frutas, cereais e pouquíssimo uso de sal e açúcar. Foram os dez melhores dias do joelho de José em 12 meses. 

Isso fez com que ele seguisse com a dieta por mais seis meses, aliado à fisioterapia e com a busca por entender mais sobre uma alimentação saudável, tomando consciência sobre as propriedades alimentares. 

“O rendimento que eu tive no meu joelho com esses seis meses, eu não tinha conseguido com todas as cirurgias feitas anteriormente. Então, pra mim, foi surpreendente. Eu ganhei a mobilidade que eu precisava, vendo que a alimentação faz, sim, toda a diferença, em qualquer doença que seja, porque é ela que ajuda no equilíbrio do nosso corpo e organismo”, afirma José Carlos. 

E é dessa mesma visão que segue a nutricionista Joseane Carla Schabarum. Ela é doutora em Desenvolvimento Rural Sustentável e professora efetiva do curso de Nutrição da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro). 

“Eu vejo a nutrição como elemento central da saúde, afinal, todo mundo precisa comer todos os dias. E o que a gente percebe é um movimento na nutrição muito preocupado com estética, emagrecimento e hipertrofia. No entanto, a alimentação vai influenciar diretamente em várias outras patologias, por exemplo, no controle de diabetes, na obesidade, em uma doença renal crônica ou mesmo na hipertensão arterial. Então, uma dieta equilibrada, pensando nos elementos nutricionais, ocasiona em uma melhora direta da qualidade de vida do indivíduo”, garante Joseane.

Além de ministrar algumas disciplinas na graduação, a professora também supervisiona o estágio de Nutrição Clínica Ambulatorial, na Clínica Escola de Nutrição (Cenut), bem como é coordenadora pedagógica do estágio e coordenadora administrativa da Cenut. 

A clínica foi criada em 2013, mas possui raízes no antigo Ambulatório de Nutrição na instituição, que iniciou seu funcionamento em 2001. No entanto, uma repaginação era necessária para acompanhar os avanços da área, além de ampliar os atendimentos oferecidos e melhorar a estrutura para a formação acadêmica.

O infográfico apresenta um gráfico de barras verticais mostrando o crescimento do número de atendimentos realizados pela CENUT ao longo dos anos. No topo está o título “Evolução dos atendimentos na Cenut”. O fundo é bege claro, com uma textura pontilhada e desenhos discretos relacionados a alimentos. O gráfico possui quatro barras, cada uma representando um ano: 2001: barra azul, com 780 atendimentos, 2012: barra vermelha, com 1.463 atendimentos, 2022: barra verde, com 1.681 atendimentos, 2025: barra amarela, com 2.095 atendimentos; As barras aumentam progressivamente de altura, evidenciando o crescimento dos atendimentos ao longo do período. A maior é a de 2025, ultrapassando a marca de 2 mil atendimentos. No eixo vertical, à esquerda, aparecem as referências numéricas 0, 500, 1.000, 1.500 e 2.000. Linhas horizontais tracejadas atravessam o gráfico para facilitar a comparação entre os valores. Abaixo do gráfico aparece a identificação “Ambulatório de Nutrição”. No rodapé está escrito: “© Conexão Ciência | Arte: Gabriela Pereira”.

O objetivo da clínica escola é desenvolver a parte pedagógica do aluno acerca da prática do atendimento ambulatorial ao mesmo tempo em que presta um serviço de cuidado nutricional para a população. Dessa forma, os atendimentos são desenvolvidos pelos estagiários, ou seja, os alunos do quarto ano do curso de Nutrição. No entanto, em toda consulta, há a presença de uma professora supervisora que, posteriormente, mantém a orientação com o aluno. 

“A Cenut tem uma grande importância na formação pedagógica do aluno, porque ele sai de apenas aprender a teoria de um atendimento nutricional e de uma conduta dietoterápica e chega até à prática com um paciente real. Eu sempre brinco com eles que a teoria do tratamento para diferentes patologias é muito linda, mas quando a gente vai lidar com um ser humano de verdade, com todas suas complexidades, possivelmente não vai conseguir cumprir toda a teoria. Então, cabe a nós analisar, na prática, como cuidar da saúde desse indivíduo da melhor forma”, explica a coordenadora. 

A professora Joseane não é a única que acompanha os alunos dentro da clínica, que também conta com a participação e orientação das professoras doutoras do Departamento de Nutrição (Denut): Catiuscie Cabreira da Silva Tortorella, Débora Letícia Frizzi Silva, Luane Amaral, Nancy Sayuri Uchida, Ramona Souza da Silva Baqueiro Boulhosa e Vania Schmitt.

Atualmente, há um convênio entre a clínica, o município de Guarapuava e outras cidades da região para o atendimento de pacientes do Sistema Único de Saúde – SUS. Assim, o paciente que precisa deste serviço é cadastrado em uma lista de espera e, todo dia, a escola abre essa lista, operada por meio do Fast Medic – um software médico do próprio município – para realizar esse tipo específico de consulta. 

Atletas guarapuavanos também possuem atendimento por meio do projeto de Nutrição Esportiva, sendo acompanhados para avaliação física, conferindo antropometria, peso, estatura, Índice de Massa Corporal (IMC) e percentual de gordura. 

Em uma sala de atendimento clara e organizada, três pessoas participam de uma consulta. De costas para a câmera, uma mulher de cabelos longos e pretos está sentada em uma cadeira, usando um conjunto vermelho composto por top e saia. À sua frente, do outro lado de uma mesa branca, estão duas estudantes de jaleco branco. A estudante à esquerda usa óculos, mantém os cabelos presos em um coque baixo e trabalha em um notebook cinza, observando atentamente a tela enquanto parece registrar informações. Ao lado dela, outra estudante, também de jaleco branco e cabelos parcialmente presos, faz anotações em um caderno aberto com uma caneta. As duas demonstram concentração e escutam a paciente durante o atendimento. Sobre a mesa há o notebook, o caderno, uma pasta preta, um pequeno objeto branco e um copo de água. O ambiente possui paredes brancas, piso de madeira escura e uma janela com cortina bege que permite a entrada de luz natural, criando uma atmosfera tranquila e acolhedora.
Estagiárias da Cenut em atendimento ao público (Foto/Arquivo pessoal)

Além disso, a clínica também atende pacientes que vêm encaminhados das outras clínicas-escolas do Câmpus Cedeteg, da Unicentro, como a de Fisioterapia, da órtese e prótese, de feridas ou de Medicina. 

Essa prática só colabora para o fortalecimento de um atendimento multiprofissional e interdisciplinar, conectando as áreas da saúde e oferecendo um serviço que preza pela saúde global do paciente. 

Ainda, saiba que qualquer um pode ser atendido na Cenut, já que ela também abarca os pacientes que chegam em livre demanda, ou seja, que por vontade própria vão em busca de uma consulta nutricional.

Assim, como forma de democratizar o acesso a esse tipo de serviço, aliado a formação profissional e a manutenção da clínica escola, as consultas são oferecidas a preço de custo, indo ao máximo de R$ 25,00 por atendimento. Além disso, há isenções para pacientes do Cadastro Único (CadÚnico) e preço diferenciado para estudantes da Unicentro. 

O segundo infográfico apresenta, em formato de fluxo ilustrado, as cinco etapas do atendimento realizado na CENUT. O fundo é bege claro e cada etapa aparece dentro de um quadro colorido, acompanhada por desenhos de pacientes e profissionais. 1. Agendamento: No primeiro quadro, de fundo verde-claro, aparece o título “1. Agendamento”. A ilustração mostra uma pessoa segurando um celular. O texto informa: “Paciente marca a consulta pelo telefone.” 2. Primeira consulta → Anamnese completa: Ao lado está o segundo quadro, de fundo azul-claro. A ilustração mostra duas profissionais de saúde — identificadas como “estagiária” e “prof. supervisora” — conversando com uma paciente. O texto explica que ocorre uma conversa para conhecer o paciente e entender seu dia a dia, alimentação, saúde e objetivos. 3. Segunda consulta → Orientação: A terceira etapa ocupa uma área maior, com fundo amarelo. Uma profissional aparece entregando uma folha a uma paciente. Acima delas há um balão com desenhos de alimentos, como brócolis, abacate, morango e cenoura, além de um ponto de exclamação. O texto diz: “Entrega do plano alimentar e explicação da estratégia montada.” 4. Demais consultas → Acompanhamento: Na parte inferior esquerda está o quarto quadro, de fundo azul-claro. Duas profissionais aparecem conversando com uma paciente. Uma delas toca o ombro da outra, enquanto a paciente faz um gesto com o braço. O texto explica que essas consultas ocorrem quinzenal ou mensalmente, com o objetivo de verificar se está sendo possível seguir o plano alimentar e fazer ajustes quando necessário. 5. Última consulta → Finalização: No canto inferior direito está o quinto e último quadro, de fundo rosa-claro. As profissionais aparecem se despedindo da paciente, que está sorridente, com os braços levantados. Há um balão de fala com a expressão “Tchau!”. O texto informa: “Quando a meta do paciente é atingida.” No rodapé desse infográfico também aparece a identificação “© Conexão Ciência | Arte: Gabriela Pereira”.

Alunos de outros cursos de graduação possuem, inclusive, participação especial dentro da própria clínica. Por exemplo, os acadêmicos de Farmácia fazem atividade de orientação sobre medicação aos pacientes que precisam.

Os dados adquiridos com cada atendimento e cada um dos pacientes são bases para o desenvolvimento de projetos de pesquisas dos alunos envolvidos, Trabalhos de Conclusão de Curso (TCCs) e elaboração de projetos de extensão, respeitando sempre os aspectos éticos em pesquisa. 

Ainda que os atendimentos fiquem a cargo dos formandos, os alunos dos demais anos da graduação da Nutrição também acabam visitando a escola durante todo o trajeto acadêmico. Por meio de diferentes disciplinas do primeiro ao terceiro ano, os discentes já têm contato com a parte prática da matéria.

Eles também podem participar de projetos vinculados à Cenut, como o “Cuidado Nutricional Especializado em Saúde da Mulher”, que utiliza a alimentação saudável como auxílio nos cuidados da Endometriose, da Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina (SOMP) ou Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP), bem como do Climatério e Menopausa.

Que tal entender um pouco mais sobre cada uma dessas condições nesse vídeo especial?

Ainda, você pode conferir tudo sobre o projeto de extensão no episódio do “Conexão Nutrição”.

Para além da importância da formação acadêmica e profissional, o diferencial para a comunidade externa atendida é imenso. Doenças como diabetes, epilepsia, doença renal, endometriose e mesmo cânceres podem ter os seus impactos reduzidos na vida dos pacientes que seguem uma dieta balanceada e pensada especificamente para cada organismo.

“Nós observamos que muitos pacientes chegam carregados de mitos e de concepções distorcidas sobre Nutrição, que prejudicam o tratamento e a qualidade de vida. Então, procurar um nutricionista para uma conduta adequada com a prescrição de alimentos pensados para cada demanda faz a diferença. Por exemplo, pacientes que chegam com uma glicemia totalmente desregulada e conseguem equilibrar, vencendo esses mitos do que pode e do que não pode e aprendendo a fazer combinações alimentares assertivas”, explica Joseane.

Em uma sala de atividades práticas, sete estudantes vestindo jalecos brancos sorriem para a câmera enquanto seguram diferentes alimentos e utensílios relacionados à alimentação saudável. Na fileira de trás, da esquerda para a direita, uma estudante segura um saleiro ou moedor de temperos; outra levanta uma colher grande de servir; ao centro, uma terceira apenas sorri; a quarta segura uma travessa com hambúrguer, folhas de alface e milho; e a última exibe um pão nas mãos. Todas estão em pé e demonstram entusiasmo. Na frente, duas estudantes estão sentadas. A que aparece ao centro sorri segurando um prato com vegetais, enquanto a colega ao lado também segura um prato contendo alimentos variados, como folhas verdes, tomates, cenouras e outros ingredientes. Sobre a mesa à frente do grupo há taças de vidro, colheres e outros utensílios organizados para uma atividade prática. Ao fundo, em uma mesa lateral, há pães, pratos e ingredientes adicionais. O ambiente é simples, com paredes claras e iluminação natural.
Participantes do projeto de extensão “Cuidado Nutricional Especializado em Saúde da Mulher” (Foto/Arquivo pessoal)

Esse fluxo evidencia que o padrão de procura pelo atendimento nutricional está mudando, passando de uma visão simplista de que a Nutrição só vai atuar e servir para demandas estéticas e entendendo que ela é um pilar da saúde. 

A coordenadora da Cenut explica que os atendimentos têm, além de uma orientação quantitativa, um forte teor qualitativo. O primeiro foca em prescrever exatamente a quantidade de alimentos que cada paciente vai receber. Já o segundo segue um movimento que tem crescido cada vez mais, o qual preza pela autonomia alimentar e por uma Nutrição mais humanizada e real. 

Em uma sala ampla e bem iluminada, uma estudante de jaleco branco realiza um atendimento voltado a uma mulher, que está acompanhada de uma criança, que usa um casaco azul com capuz e está sentado ao lado da mulher. A mulher veste uma blusa azul de mangas compridas e calça verde-escura. Ela está sentada de frente para a estudante e observa atentamente. Sobre a mesa encontram-se diversos materiais educativos e lúdicos, como brinquedos coloridos, alimentos de brinquedo, copos de vidro e bandejas organizadas para demonstrações ou orientações. Na parede ao fundo há um painel triangular decorado com ilustrações de frutas e outros alimentos, reforçando o contexto de educação nutricional. Em primeiro plano, desfocadas, aparecem duas mesas redondas com pratos contendo alimentos reais e modelos de alimentos, como pepino, milho, ervilhas, carnes frias, massas e outros itens utilizados para demonstrações. Grandes janelas com persianas verticais permitem a entrada abundante de luz natural, deixando o ambiente claro e acolhedor.
Estagiária da Cenut em atendimento ao público (Foto/Arquivo pessoal)

Essa visão entende que uma dieta é muito melhor gerida quando o paciente consegue entender a qualidade dos alimentos que consome, deixando de se fixar apenas em quantidade e pensando em escolhas alimentares mais inteligentes, que traz, como consequência maior consciência sobre “o quê” e “o quanto” é consumido.

Se você se interessou pelos serviços ofertados pela Cenut, não deixe de entrar em contato e busque pela melhora da sua saúde! Os atendimentos acontecem de terças às sextas-feiras, no período das 7h30 às 12h30, e das 13h30 às 18h30, de forma presencial. Já as inscrições acontecem pelo número de Whatsapp (42) 3629-8133 ou pelo formulário clicando no link.

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Texto:
Mariana Manieri Pires Cardoso
Revisão de texto: Ana Paula Machado Velho
Edição de vídeo: Maria Eduarda Tenório Calvi
Arte: Gabriela Pereira
Supervisão de arte: Hellen Vieira
Edição Digital: Guilherme Nascimento

A pesquisa que mencionamos contribui para os seguintes ODS:

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