A robótica está onde nós estivermos

A imagem mostra três crianças coloridas com expressões felizes. A criança ao centro segura um robô feito com materiais recicláveis, como tampas e caixas. O fundo é azul com espirais brancas, sugerindo movimento e criatividade. A arte tem um estilo vibrante e lúdico, com cores fortes como rosa, vermelho e laranja. No canto inferior direito, há os créditos: © Conexão Ciência | Arte: Eliesa Nakano.
Com projetos a todo vapor, NAPI Robótica atua para popularizar essa ciência e mostrar que um robô não é um bicho de sete cabeças

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Você sabe o que é um robô?

Talvez, na sua cabeça, a resposta venha vestida de metal, com engrenagens e olhos luminosos. Pode ser o educado e levemente rabugento C-3PO, sempre pronto para traduzir informações em mais de seis milhões de formas de comunicação, mas que não consegue esconder sua preocupação constante com protocolos e boas maneiras. Ou, quem sabe, o destemido R2-D2, que mesmo sem falar uma palavra articulada, se destaca com seus apitos e coragem projetando mensagens secretas e salvando naves no espaço com suas engenhocas improvisadas.

Quando o assunto são os robôs, os dois personagens dos filmes da saga “Guerra nas Estrelas” são alguns dos que habitam nosso imaginário. Eles servem aos humanos e vivem suas próprias aventuras, quase como se tivessem vida própria. 

Mas, fora das telas, a história é diferente e, ao mesmo tempo, surpreendente. Longe de Hollywood, robôs podem ser braços mecânicos montando carros em uma linha de produção, sondas explorando outros planetas ou dispositivos microscópicos capazes de navegar por dentro do corpo humano para realizar cirurgias.

A imagem mostra dois personagens robôs icônicos da saga Star Wars: C-3PO e R2-D2. À esquerda, está C-3PO, um andróide de aparência humanoide, revestido em metal dourado brilhante. Ele está em pé, com os braços levemente erguidos, em uma postura que sugere comunicação ou explicação. À direita, está R2-D2, um droide astromecânico baixo e cilíndrico, com corpo branco e detalhes em azul e prata. Ele aparece inclinado levemente para o lado. O cenário é um deserto amplo, com chão arenoso e céu azul claro. Ao fundo, há alguns equipamentos tecnológicos, reforçando o ambiente futurista misturado ao árido. A cena transmite a ideia de isolamento em um planeta desértico, muito provavelmente Tatooine, um dos cenários mais marcantes da franquia.
C-3PO e R2-D2, os robôs que estrelam os filmes da saga “Guerra nas Estrelas”, apareceram pela primeira vez no cinema no ano de 1977, em “Star Wars: Episódio IV – Uma Nova Esperança” (Foto/Reprodução)

O NAPI Robótica

É justamente nesse espaço, entre a imaginação e a tecnologia real, que o Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação (NAPI) Robótica atua. No Paraná, pesquisadores e especialistas estão transformando conceitos, que antes viviam só na ficção, em soluções concretas para problemas da vida cotidiana. 

O professor da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) e coordenador do Arranjo, André Schneider de Oliveira, aponta que o NAPI nasceu de uma percepção simples: os grupos de robótica no Paraná estavam espalhados, pequenos, e trabalhavam isolados. “A robótica é uma área multidisciplinar, que envolve elétrica, automação, mecânica, mecatrônica… mas, como não existe um curso de graduação em robótica no Brasil, e mesmo disciplinas são raras, os professores que atuavam com o tema estavam isolados”, conta. 

Foi então que quinze professores que atuam de forma mais intensa com robótica no estado uniram esforços. “Nós nos conhecíamos, sabíamos que estávamos fazendo coisas parecidas, só que cada um por conta própria. Então pensamos: por que não formar um núcleo de excelência?”, relembra André.

E foi mais ou menos assim que nasceu o NAPI Robótica. Com apoio da Fundação Araucária, o grupo almejava consolidar e transformar iniciativas locais em projetos de alcance estadual. Mas você sabe o que é, de fato, robótica? Para deixar o tema mais transparente, o C2 preparou um vídeo com algumas informações que você precisa saber sobre o assunto. Confira!

O Paraná é hoje um dos estados mais promissores no desenvolvimento de robótica no Brasil. Segundo o professor André, oito empresas fabricam robôs para a indústria dentro do estado. Apesar disso, um problema é a falta de profissionais qualificados. “As empresas têm demanda, mas não encontram gente preparada. O NAPI surge como um grupo de excelência para formar esse elo: profissionais, universidades e empresas atuando juntos.”

Para ele, também é essencial popularizar a robótica. “Queremos mostrar que um robô não é exatamente o que vemos em filmes, como o ‘Exterminador do Futuro’. Ele já está no aspirador que limpa sua sala, no limpador de piscina, nos carros com piloto automático. É preciso desmistificar e mostrar a importância real dessas máquinas.”

Se para a cultura pop um robô é um ser que fala, pensa e até sente, no campo científico a definição é mais técnica, mas não menos intrigante. “Robótica é formalizar um agente artificial. É dar aptidões a uma máquina para que ela execute, no mínimo, funções de um organismo vivo”, explica o professor.

André gosta de fazer uma comparação biológica: assim como um bebê precisa aprender que é um ser separado da mãe e começa a se orientar no mundo, um robô precisa compreender seus próprios sistemas para se mover. Essa lógica se traduz no ciclo “ver, pensar e agir: o robô coleta informações do ambiente por meio de sensores, processa essas informações para tomar uma decisão e executa a ação. Depois, reavalia o ambiente e corrige possíveis erros.

O infográfico apresenta as etapas do sistema robótico de forma simples e visual. Ele é dividido em três fases principais: ver, pensar e agir. A primeira delas, “ver”, mostra como o robô utiliza sensores para coletar informações do ambiente, identificar obstáculos e reconhecer padrões. Em seguida, vem a etapa de “pensar”, em que as informações coletadas são analisadas, permitindo o planejamento de movimentos e rotas, além da escolha da melhor ação para alcançar o objetivo. Por fim, o robô passa para a fase de “agir”, na qual executa os movimentos planejados, interage diretamente com o ambiente e controla motores e atuadores para realizar suas tarefas. Com cores vivas, ilustrações lúdicas e símbolos como uma lâmpada para representar ideias e um robô sorridente para indicar a ação, o infográfico transmite o funcionamento do sistema robótico de maneira clara, didática e acessível.

“Isso é robótica”, resume André. “Não é apenas controlar um carrinho à distância com um controle remoto. O que queremos difundir é a robótica autônoma, capaz de tomar decisões e interagir com o ambiente.” 

Na prática

As demandas que chegam ao NAPI mostram como essa visão ampla se traduz em soluções concretas. Um exemplo vem da indústria automobilística: robôs conhecidos como AGVs transportam cargas em fábricas, muitas vezes guiados por linhas no chão. O problema é que esse modelo exige reformas caras e engessadas. A tendência agora é criar robôs que se movimentem sem linhas, identificando obstáculos e recalculando rotas sozinhos.

Outro desafio curioso veio do campo. Uma empresa de citricultura1 procurou os pesquisadores para desenvolver um robô capaz de colher laranjas em plantações cheias de espinhos. O objetivo não é vender a fruta inteira, mas processá-la para suco — e evitar que trabalhadores se machuquem com os espinhos durante a colheita.

Há ainda um veículo-manipulador de grande porte, equipado com um braço robótico, em fase final de design. Ele terá múltiplas funções: apoiar operações complexas, mas também será exibido em eventos como símbolo da robótica feita no Paraná.

A imagem mostra quatro homens em pé, lado a lado, posando para a foto em um ambiente de evento científico ou tecnológico. Eles estão atrás de uma mesa que exibe equipamentos de robótica, com peças em metal, plástico e fios, sugerindo protótipos ou sistemas automatizados. Na parte frontal da mesa, há um painel preto com a inscrição: “3ª Semana dos NAPIs – 11 e 12 de março | FIEP Campus da Indústria – Ciência, Tecnologia e Inovação para o Paraná”. Ao fundo, é possível ver telas digitais com logotipos e informações relacionadas ao evento, reforçando o caráter expositivo e tecnológico do encontro. O clima é de apresentação e divulgação de projetos de inovação científica.
O NAPI Robótica apresentou o robô FlexRover na 3a Semana dos NAPIs. Da esq. para dir.: Prof. Ronnier Frates Rohrich (UTFPR), Prof. André Schneider de Oliveira (UTFPR), Prof. Álvaro Rogério Cantieri (IFPR) e Prof. João Alberto Fabro (UTFPR) (Foto/Reprodução)

Recentemente, o NAPI fechou uma parceria com a Petrobras para o desenvolvimento de microrrobôs para dutos de petróleo, capazes de mapear condições internas e identificar falhas antes que causem acidentes. Também há projetos em negociação com empresas de logística e com prefeituras, como a de Maringá, para capacitar professores na área.

André vê o setor agrícola como um próximo passo promissor. Drones e sensores já são utilizados para monitorar o estado do solo ou até identificar o período fértil de vacas em grandes rebanhos. “O agro é uma área que parece distante da robótica, mas que tem um potencial enorme de aplicação”, afirma.

  • As duas imagens mostram diferentes protótipos desenvolvidos na área de robótica. A primeira retrata um equipamento montado em estrutura metálica com rodas, motores, fios e componentes eletrônicos expostos, lembrando uma plataforma experimental voltada para testes e desenvolvimento tecnológico. Já a segunda imagem apresenta um robô de campo com rodas grandes e robustas, equipado com uma haste alta que sustenta sensores e câmeras; ele está posicionado em um estádio de futebol iluminado à noite, sugerindo aplicação prática em ambientes esportivos para monitoramento, mapeamento ou análise de desempenho.
  • As duas imagens mostram diferentes protótipos desenvolvidos na área de robótica. A primeira retrata um equipamento montado em estrutura metálica com rodas, motores, fios e componentes eletrônicos expostos, lembrando uma plataforma experimental voltada para testes e desenvolvimento tecnológico. Já a segunda imagem apresenta um robô de campo com rodas grandes e robustas, equipado com uma haste alta que sustenta sensores e câmeras; ele está posicionado em um estádio de futebol iluminado à noite, sugerindo aplicação prática em ambientes esportivos para monitoramento, mapeamento ou análise de desempenho.

No horizonte, o NAPI busca consolidar o Paraná como referência nacional em robótica. “Se conseguirmos unir empresas, universidades e governo, criaremos um ecossistema que gera empregos, inovação e coloca o estado no mapa tecnológico do Brasil”, resume Schneider.

Diferente das engenhocas do cinema, os robôs da vida real carregam um papel essencial: ajudar humanos a enfrentar desafios reais. Seja colhendo laranjas, inspecionando cabos de energia ou ensinando estudantes a programar, eles representam um futuro em que a robótica deixa de ser apenas tema de ficção científica para se tornar parte concreta do cotidiano.

E no Paraná, graças ao NAPI Robótica, esse futuro já começou.

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Texto:
Guilherme de Souza Oliveira
Revisão de texto: Ana Paula Machado Velho
Edição de vídeo: Luiza da Costa
Arte: Eliesa Nakano
Supervisão de arte: Lucas Higashi
Edição Digital: Guilherme Nascimento

Glossário

  1. Citricultura – atividade agrícola voltada para o cultivo de frutas cítricas, como laranjas, limões e tangerinas. ↩︎

A pesquisa que mencionamos contribui para os seguintes ODS:

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