“Sonho que se sonha só, é só um sonho… mas sonho que se sonha junto é realidade”. A frase, eternizada na canção ‘Prelúdio’, de Raul Seixas, de 1974, nos lembra que objetivos compartilhados ganham força e têm muito mais chances de se tornarem concretos.
E já que sonhar não custa nada, que tal pensar numa rede de clubes de ciências, que desemboca numa feira de ciências de abrangência nacional? Tudo para atrair o interesse de crianças e jovens da Educação Básica, promovendo cultura científica e preparando jovens talentos para povoarem as salas de aulas e laboratórios de universidades e centros de pesquisa pelo mundo.
A Feira de Cultura Científica Paraná Faz Ciência (FECCI 2026) é a realização de um ‘sonho sonhado’ por dois divulgadores científicos por natureza, professores que trazem no seu DNA a popularização da ciência e a construção de uma cultura científica: Débora de Mello Sant’Ana, professora da Universidade Estadual de Maringá (UEM), e Rodrigo Arantes Reis, da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
A dupla, que ainda atuava separadamente na divulgação científica, começa a cavar novos espaços para discussão sobre o tema após a pandemia, quando a importância e a valorização da ciência e dos cientistas ganharam relevância na Academia e na sociedade. Pelo protagonismo, eles assumiram a articulação do Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação Paraná Faz Ciência (NAPI PRFC), responsável pela idealização, organização e gestão dos recursos para tornar o sonho de um ecossistema favorável à ciência, sua comunicação e inspiração para futuros cientistas.
E assim, o sonho começa a se tornar realidade já a partir da criação e definição do nome do movimento que buscava comunicar à sociedade o que está sendo produzido nas universidades estaduais e federais do cenário paranaense. Surge o Paraná Faz Ciência (PRFC), um evento que aconteceu on-line em 2021 e 2022, e em edições presenciais em 2023, na Universidade Estadual de Londrina (UEL); 2024, na UEM; e 2025; em Guarapuava, na Universidade Estadual do Centro Oeste (Unicentro). Este ano, será na Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste).
Paralelamente, pensando em atrair novos talentos e despertar o interesse para o universo da ciência, foi lançado, em setembro de 2024, um edital que criava os Clubes de Ciências. Na largada, foram instituídos 200 clubes. Hoje, já são 292, envolvendo 6 mil estudantes dos 32 Núcleos Regionais de Educação do Paraná, que integram a Rede de Clubes Paraná Faz Ciência. E 64 novos estão em configuração.

O próximo passo foi viabilizar um evento que reunisse esses trabalhos e servisse de estímulo para mais adesões aos clubes e, por extensão, à ciência. Surgiu a FECCI 2025, que foi a primeira que reuniu os clubistas e seus projetos de pesquisa. Foram 1.500 estudantes e professores ligados a clubes de ciências paranaenses expondo trabalhos em 381 estandes, organizados na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), campus Neoville, em Curitiba.
A segunda edição também será na UTFPR e vai dobrar a oferta de vagas, 700, ocupando 8 mil metros quadrados de área reservada para estudantes e professores da Educação Básica do Paraná com idades a partir de 6 anos, além de visitantes que gostam de ciência e inovação. Mais que potencializar a cultura, o objetivo também é a produção do conhecimento científico e tecnológico.
As equipes participantes estarão divididas em três categorias: FECCI Kids, que abrange os alunos do 4º e 5º anos do Ensino Fundamental I; FECCI Júnior, para alunos do Fundamental II; e FECCI Jovem, acolhendo alunos do Ensino Médio, Técnico e Ensino de Jovens e Adultos (EJA). A submissão dos trabalhos vai até 19 de junho, pelo site da FECCI. O evento tem como financiadores a Fundação Araucária, a Secretaria de Estado de Educação (SEED) e a Secretaria Municipal de Educação de Curitiba.
“Será uma grande oportunidade de trocas entre os estudantes dos clubes de ciências e de outros grupos, colégios, regiões e até estados, já que teremos representantes das feiras afiliadas. Baseado no sucesso do ano passado teremos uma feira ainda mais ampla, diversa e inclusiva”, afirma Débora de Mello Sant’Ana.
De acordo com a professora, a expectativa é que a FECCI seja uma grande festa da ciência com as apresentações de trabalhos, mas também com as ações dos parceiros e as atividades paralelas como ações culturais, artísticas e de formação científica.

Rede de Feiras Afiliadas
O professor Rodrigo Arantes Reis destaca que esta segunda edição trará como novidade a Rede de Feiras Afiliadas, que permitiu, em edital, o credenciamento de feiras de ciências e mostras científicas escolares, municipais, regionais e estaduais, à FECCI. Assim, as feiras afiliadas essas farão a indicação de projetos científicos para avaliação e eventual participação no evento. O resultado do edital já está disponível no site da FECCI.
“Com essas afiliadas, teremos um número importante de trabalhos premiados que virão diretamente de outras feiras de ciência. A nossa ideia é que se possa ter trabalhos cada vez mais representativos, com mais profundidade e qualidade, da pesquisa que é desenvolvida na escola do Paraná”, explica o professor.
Como preparação para o evento, foi realizado um curso on-line de formação para promotores de feiras e mostras científicas, que reuniu dezenas de professores, alunos de pós-graduação e gestores escolares para troca de experiências e atualização dos conhecimentos. Foram quatro encontros pelo Google Meet, em que os participantes tiveram palestras e orientação sobre como preparar, organizar e avaliar os projetos em eventos científicos.
Outro diferencial desta edição, segundo Reis, é o fato de que inúmeros projetos já estão no segundo ano dos clubes: “Ano passado, muitos clubes da nossa rede estavam em processo de implantação. Agora, esses clubes já estão mais maduros, com resultados mais concretos, e a gente quer verificar esses resultados e esse perfil durante a FECCI 2026”.
Tanto Débora, quanto Reis, reforçam a expectativa de que será uma grande festa da ciência, como um espaço privilegiado de compartilhamento e integração dos diferentes projetos de ciência que são desenvolvidos nas escolas do Paraná.

Neste sentido, a jornalista Ana Paula Machado Velho, servidora da UEM e coordenadora de Comunicação dos projetos desenvolvidos no NAPI PRFC, enfatiza o caráter inovador e revolucionário dos clubes de ciências, no geral, e da FECCI, em particular.
“Acreditamos que os clubes do Paraná são o estuário, o berço onde estão nascendo os nossos cientistas paranaenses do futuro. É um futuro que não está muito longe, porque tem uma galera clubista que já está no Ensino Médio. Daqui a pouco, todos estarão na universidade”, prevê Ana Paula.
Participando desse movimento que alavancou a comunicação da ciência produzida no estado, a jornalista se sente orgulhosa em, desde o início, contribuir neste processo. “É muito lindo poder fazer parte da construção da ciência paranaense futura e também de mudar um pouquinho o que a gente diz lá no nome do evento (FECCI), que é estabelecer e fortalecer a cultura científica do nosso estado”, completa.
Depoimentos
Absolutamente ninguém, de organizadores, professores, alunos e visitantes, participa de uma feira de ciências como a FECCI e sai alheio ao universo da ciência e da magia. Abaixo, você pode sentir nos depoimentos dos clubistas que tiveram, e aproveitaram, a oportunidade para observar, utilizar o método científico e construir um projeto de pesquisa.
A experiência de integrar um clube de ciências e expor seus trabalhos numa feita científica representa um marco na vida de professores e estudantes. Os relatos destacam a socialização através da troca de conhecimento, o contato com a diversidade de temas e, especialmente, o despertar para a ciência.
Em todas as escolas em que há um clube de ciências, e mesmo as que ainda estão se organizando, já há um burburinho no ar para a FECCI 2026. Muitos já sonham em participar e já estão empenhados em finalizar seus projetos de pesquisa.
Vem para a FECCI 2026 sonhar com a gente!
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Texto: Silvia Calciolari
Revisão de texto: Ana Paula Machado Velho
Edição de vídeos: Isabella Cisnero, Isabella Abrão e Marilaine Martins
Arte: Camila Lozeckyi
Supervisão de arte: Hellen Vieira
Edição Digital: Guilherme Nascimento
A pesquisa que mencionamos contribui para os seguintes ODS:

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